Antes da Série B do Campeonato Brasileiro começar, a diretoria do Paysandu já havia esquematizado o planejamento de viagens, de acordo com a tabela montada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). E por ser a única equipe da região Norte a disputar a segunda divisão, os dirigentes sempre souberam que a competição seria cansativa. Aos poucos, o desgaste físico começa a mostrar suas consequências.
As últimas três partidas do Paysandu provam isso. Acumulando duas competições simultâneas, o Paysandu teve dificuldades a partir do segundo jogo, onde comprometeu o rendimento de três atletas. Os resultados são importantes, mas a integridade física dos jogadores não pode ficar em segundo plano, uma vez que ainda faltam 28 rodadas para o término da competição.
“A Série B tem um grau de dificuldade diferente das demais, ela exige bastante dos atletas, ora pelo nível, ora pelo preparo físico. Da parte dos jogadores, é necessário haver um comprometimento maior, caso contrário, o time não vai longe”, pontua o meia Eduardo Ramos, campeão da Série B em 2008, pelo Corinthians.
O campeonato ainda está longe de acabar e já existem jogadores com pequenos problemas físicos. Prevendo que a situação pudesse ocorrer a qualquer momento, a comissão técnica, sob os cuidados de uma equipe composta de preparador físico, fisiologista, massagista, nutricionista, fisioterapeuta e médico, constitui um trabalho árduo para assegurar as condições de jogo aos atletas.
“Sempre vamos ter jogadores com lesões. Trabalhamos com um diagnóstico de lesões para os 12 meses do ano. E devido à experiência que já possuo do ano passado, estou sempre em contato com o departamento médico, a fim de elaborar um estudo para diminuir essa margem. Na Série B, temos campos melhores, então há como diminuir”, explica o preparador físico, Wellington Vero.
Maratona dos bicolores está longe de terminar
Ao todo, o Paysandu percorrerá um trajeto total de 72.953,44 km, a contar todas as idas e voltas que o time fará nesta Série B. Ainda restam 14 jogos fora de casa, passando pelos estados de Santa Catarina, São Paulo, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraná, Minas Gerais, Ceará e Pernambuco. Em dez rodadas, algumas baixas foram contabilizadas, entre elas os atacantes Heliton e João Neto, o lateral-esquerdo Rodrigo Alvim, o meia Djalma e o goleiro Zé Carlos. Todos eles, no entanto, não passam por um rígido trabalho interno.
Para Heliton, que permaneceu em Belém durante a última viagem do time, o problema da lesão incomoda pelo fato de o atleta passar muito tempo sem ritmo de jogo. “Foram oito dias de tratamento, porque tive uma lesão grau 2. Rompi o ligamento, só aí foram quase 30 dias, mas agora o foco é pegar ritmo e ficar à disposição do treinador”, detalha.
Além do período afastado dos gramados, outra preocupação é quanto a vaga no time. Com a saída de quatro jogadores do sub-20, mais o atacante Rafael Oliveira, o plantel bicolor ainda conta com 37 atletas.
Trio de zagueiros pode ser uma arma
Depois de testar a variação do time com a entrada de um terceiro zagueiro na partida contra o Atlético-PR, pela Copa do Brasil, o técnico Givanildo Oliveira dá sinais de que pode repetir o trio de zaga, a partir das próximas partidas. Em uma avaliação geral, o comandante gostou da atuação, sobretudo por dar mais liberdade para os laterais, que, assim, podem avançar mais ao ataque, alternando investidas pelo meio-campo.
“Pode jogar, sim. Jogar com três zagueiros não é jogar retrancado. Eu já fui campeão da Série C, com o América-MG, com três zagueiros. Eu fui campeão estadual assim. Agora, nós temos que adaptar. Favorece os laterais. Não digo tanto o Pikachu, que é normal dele avançar. Ele jogou quase como um ponta. O lado esquerdo nós precisamos ajeitar, fazendo ele poder cair até pelo meio. Ao invés de ficar as vezes só com o Eduardo, o ala pode ser meia, caso eu decida”, explica Givanildo.
O entendimento é simples: com a entrada de Fábio Sanches, Jean e Raul na zaga, a linha defensiva na entrada da área é reforçada, enquanto os laterais, acostumados a oscilar entre defesa e ataque, podem arrancar com maior frequência, às vezes pelo meio-campo, dando mais opções de ligação com o ataque. Até então, o único armador do time tem sido Eduardo Ramos, que, ao sofrer marcação especial, acaba anulado e compromete o time por completo.
Com três zagueiros, seria possível manter até dois volantes na cobertura, deixando Eduardo mais a vontade para trabalhar em conjunto com os laterais, enquanto o ataque permanece o mesmo. “Quando esse ala fecha, ele faz um meia, no caso o Pikachu. Ou quando o Pikachu está aberto, o Rodrigo Alvim deve fazer isso, mas essa parte não funcionou bem como eu queria. Mesmo assim, eu fiquei satisfeito com essa situação. Contra o Atlético foi difícil por se tratar de um time de Série A”, admite o treinador.
Realista, torcedor bicolor não sonha com acesso, mas aposta em boa colocação
O que pensa a torcida sobre a dificuldade do time em encontrar uma identidade própria, seja na Série B, seja na Copa do Brasil, que, por sinal, teve eliminação prematura? Se servir de base os últimos protestos da torcida nas arquibancadas da Curuzu, o momento é de preocupação.
Muitos jogadores já experimentaram a antipatia em forma de vaias, como o zagueiro Jean, os laterais Janílson e Rodrigo Alvim, e até mesmo o meia Djalma, figura tradicionalmente bem avaliada desde o Campeonato Paraense.
As opiniões são divididas, mas há quem acredite ser este um processo normal, se for levado em consideração o histórico da equipe e todo processo de reformulação administrativa que o Paysandu atravessa. “Como eu sempre disse desde o início do campeonato, eu jamais esperei uma campanha para subir. Sempre esperei essa campanha irregular e disse que, de maneira otimista, o Paysandu iria brigar para ficar em 10º colocado, ali pela metade da tabela”, afirma categoricamente o médico Júlio Montenegro.
O torcedor entende ser este um momento de paciência, mirando, muito em breve, condições futuras mais acessíveis para a guinada no futebol rumo à elite. “Temos que entender que passamos seis anos disputando uma Série C, e esse ano deve ser de reestruturação, para que se possa pensar no acesso bem no ano do centenário. Mas, acho perfeitamente normal essa oscilação do time durante o campeonato, assim como continuo achando que o Paysandu não vai cair e vai brigar ali pelo meio da tabela”, completa.
(Diário do Pará)
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