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ESPORTE PARÁ

Apatia do Papão na Série B preocupa

Não poderia ter sido pior a noite em que o lendário técnico Givanildo Oliveira atingiu a marca de 200 jogos à frente do Paysandu. Jogando por um empate para fugir da zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro, o Papão foi destroçado pelo ABC

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Não poderia ter sido pior a noite em que o lendário técnico Givanildo Oliveira atingiu a marca de 200 jogos à frente do Paysandu. Jogando por um empate para fugir da zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro, o Papão foi destroçado pelo ABC-RN, no estádio Frasqueirão, em Natal, no último sábado (27), em jogo da décima rodada. Numa noite que nada deu certo para os bicolores, o alvinegro potiguar venceu por 3 a 0. Além de manter o Paysandu na 17ª colocação, o resultado também causou a saída do técnico Givanildo Oliveira, um dia após a partida.

Com o mesmo sistema tático 3-5-2 usado na partida contra o Atlético-PR pela Copa do Brasil, o Paysandu começou o jogo com mais posse de bola, porém sem criar grandes chances de marcar. Já o ABC, que pouco teve a bola sob domínio nos primeiros 11 minutos, ficou mais seguro e começou a atacar pelas costas dos alas.

Erick Flores forçou Marcelo a realizar grande defesa num chutaço de fora da área aos 18 minutos. O Paysandu respondeu com Eduardo Ramos emendando uma pancada também de fora da área para a defesa de Rafael Robalo, aos 19. Aos 23, o lance que desequilibrou o primeiro tempo. Após confusão dentro da área, a bola sobrou para Guto. Ele recebeu na entrada da área e chutou forte no canto esquerdo, sem chances para Marcelo.

A partir do gol o Paysandu tentou reagir com os chutes de fora da área de Zé Antônio e Eduardo Ramos, além de cruzamentos para a área que geralmente não encontravam ninguém para o cabeceio. Para a segunda etapa, o treinador bicolor tirou o zagueiro Jean e colocou um terceiro atacante, Marcelo Nicácio. As mudanças pareciam ter surtido efeito. Dos 5 aos 19 minutos, Nicácio forçou o goleiro do ABC a fazer 3 defesas importantes, em duas cabeçadas e um chute da entrada da área.

O Paysandu dominava as ações ofensivas até o técnico Waldemar Lemos começar a mexer na sua equipe. As entradas de Pingo e Alvinho deram um novo gás aos donos da casa, que passaram a ameaçar mais o gol de Marcelo. Aos 34, a pressão deu resultado. Após falha coletiva da defesa bicolor, Pingo driblou Raul e, de frente para Marcelo, mandou para o fundo das redes.

Após o segundo gol, o Paysandu se perdeu em campo. A equipe não conseguiu nem se defender e nem atacar com eficácia. No desespero bicolor, o zagueiro Fábio Sanches ainda foi expulso depois de cometer falta dura. Para piorar, o ABC fez o terceiro gol aos 39 minutos, com Bileu, em um chute entre os marcadores.

Nicácio: ‘É preciso ter vergonha na cara!’

A derrota por 3 a 0, para uma equipe que havia marcado poucos gols na competição, não foi bem assimilada pelo elenco bicolor. Apesar de ser um dos jogadores com menos tempo de casa, o atacante Marcelo Nicácio foi um dos que mais reclamaram da atuação da equipe bicolor ao final do jogo. “É preciso ter vergonha na cara, o Paysandu não pode perder desse jeito. Temos um grupo forte, temos grandes jogadores, não justifica o time ficar tanto tempo sem ganhar!”, desabafou o atacante, que melhorou o ataque bicolor quando entrou na segunda etapa.

Já o experiente volante Vânderson, menos exaltado, disse que não conseguia entender o por quê dos resultados tão ruins. “A gente ainda está procurando entender. Temos trabalhado, sabemos da qualidade do grupo... não sei dizer por que os resultados não estão aparecendo, mas o importante é continuar trabalhando para achar os erros e subir na competição”.

Sobre as críticas ao trabalho do então técnico Givanildo Oliveira, o volante bicolor não entrou no mérito, mas também não defendeu seu comandante. “O torcedor está na bronca, ele quer mudanças e nessas horas sempre sobra para o treinador. Essas coisas acontecem”, limitou-se a dizer o volante. Já o zagueiro Raul assumiu a culpa pelos resultados. “Estou envergonhado pelo resultado. Acho que o treinador não tem culpa de nada, quem tem culpa somos nós, jogadores, e nós é que precisamos dar a volta por cima em campo”, argumentou Raul.

Givanildo Oliveira classificou o resultado em Natal como ‘um desastre’. “Não fomos tão bem na primeira etapa, então tentamos algumas mudanças no segundo tempo. O time voltou bem, a história do jogo poderia ter sido outra se não perdêssemos tantas chances antes de tomar o gol. Mas isso é do futebol, tem noites que nada dá certo”, disse o então comandante bicolor. Questionado sobre as críticas que o consideram um técnico ultrapassado, Givanildo foi tácito. “Eu estou feliz com a minha profissão. Estou feliz trabalhando e vou seguir feliz minha carreira como treinador, se não for no Paysandu, será em outro clube”, já previu Givanildo, antes da confirmação da sua saída.

Vitória empolga, mas ABC ainda ocupa a lanterna

“Hoje, os gols aconteceram. Graças a Deus”. Dessa forma simples definiu o técnico Waldemar Lemos o resultado obtido por seus comandados diante do Paysandu. Não é a toa o comentário sobre os gols. Em nove rodadas da Série B, o Elefante da Frasqueira havia marcado apenas quatro gols e subitamente conquistou ampla vitória por 3 a 0. “Vínhamos criando bastante nos últimos jogos, mas não conseguíamos marcar. Os atletas conseguiram assimilar o trabalho da semana e deram a resposta dentro no campo. Estão todos de parabéns. A torcida também nos ajudou muito”, disse o comandante.

Apesar da vitória por goleada, Waldemar não furtou a reclamar da atuação do árbitro. “Ele nos prejudicou. Apesar dele, conseguimos a vitória. Peço desculpas ao torcedor pela minha expulsão, mas ele contribuiu para isso”, acusou o técnico.

Entre os jogadores a sensação geral era de alívio. “É uma vitória muito importante que nos ajuda a respirar na competição. Ainda estamos na lanterna e temos que manter os bons resultados para sair da zona, mas temos agora dois jogos pela frente e vamos lutar para conquistar os seis pontos, quem sabe assim a gente embale na competição”, comentou o atacante Tony.

Para Tony, o placar do jogo foi resultado do trabalho de toda equipe. “O time buscou o jogo desde o começo e permaneceu atacando. Acho que todos merecem os parabéns pela vitória de hoje. Apesar das dificuldades, nunca desistimos e conseguimos começar a reação no campeonato”, finalizou o atacante.

(Diário do Pará)

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