Falar do patrimônio do Clube do Remo, hoje em dia, significa falar dos espaços conquistados e conseguidos com o decorrer dos mais de cem anos de história da agremiação, mas também significa relembrar de espaços que o clube já teve e hoje em dia não tem mais. As más administrações passadas, principalmente na área do futebol, construíram muitas dívidas para a instituição nas últimas décadas e o resultado veio na cobrança da justiça e necessidade de se desfazer de patrimônios para quitar dívidas urgentes. Já em 1985, o clube vendeu a área do Posto Azulino, um posto de gasolina ao lado do estádio Baenão, por 300 milhões de cruzeiros, valor que amortizou as dívidas do clube, mas não as quitou totalmente.
A venda de patrimônio convive, historicamente, com a ameaça da perda de imóveis na justiça. Dessa forma, o clube perdeu o terreno onde seria construída sua sede campestre. Em 1992, com o dinheiro da venda de títulos remidos, o Leão adquiriu terreno em Benfica, naquela que foi sua última grande aquisição patrimonial. O espaço chegou a sediar um parque aquático, com piscinas, toboágua e um restaurante, mas o projeto para aproveitamento do espaço nunca foi finalizado. O local acabou não sendo ocupado pelos associados do clube e acabou abandonado. Em 2008, 16 anos após sua aquisição, foi leiloado pela Justiça do Trabalho pelo preço de R$ 3 milhões de reais, valor cinco vezes menor do que o atual da área.
A venda de patrimônio para amortização de dívidas é um tema polêmico entre dirigentes azulinos. O ex-presidente Raimundo Ribeiro defendia que era melhor negociar o patrimônio e lucrar do que esperar que a justiça arrematasse por um preço mínimo. Seu sucessor, Amaro Klautau, defendeu a venda do estádio Baenão como catalisador de um processo de transformação e renovação do clube, uma ideia que não foi bem aceita pela direção do clube à época nem pelos dirigentes que o sucederam.
Um ponto que historicamente tem gerado discussão no clube diz respeito à área do chamado “Carrossel” do Baenão, uma área sub-aproveitada entre a fachada do clube e as arquibancadas do estádio. Diversas vezes ameaçada de leilão pela justiça, a direção do clube, atualmente, trabalha com a hipótese de arrendar o espaço por um período de 20 anos para uma empresa em troca do pagamento de dívidas do clube.
VALOR DE PATRIMÔNIO
Embora estejam situadas em áreas nobres da cidade, o patrimônio azulino sofreu uma desvalorização após a aprovação das lei que torna o clube do Remo Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará. “Por proteger a área, a lei acaba restringindo as possibilidades de quem compra de alterar e fazer mudanças na estrutura local” afirma o consultor imobiliário Silvio Paes Menezes.
(Diário do Pará)
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