E a série do Bola que apresenta os titãs do futebol paraense além dos campos apresenta neste domingo o quadro social e patrimonial do Paysandu Sport Club, que completa seu centenário em 2014. Ao se falar no Papão além do futebol, estamos falando de um processo que foi tardio em relação aos seus rivais.
Enquanto a Tuna Luso nasceu como uma agremiação sócio-cultural para portugueses e descendentes, e o Clube do Remo nasceu como uma agremiação voltada para esportes náuticos, o Paysandu, em 1914, nasceu como um clube voltado para o futebol. Um de seus fundadores, Hugo Leão, era jogador de futebol do Norte Club e, quando convidado para ingressar no “Grupo do Remo” rebateu com a seguinte provocação histórica – “Vou criar um time para derrotar o Remo”. Daí não se estranhar que dos três grandes patrimônios bicolores atualmente, o estádio da Curuzu, adquirido em 1918 da firma Ferreira e Comandita, entrar para a história do clube antes da sede náutica, comprada em 1920, e da sede social, em 1927.
“O Paysandu nunca foi o clube social mais forte da cidade, mas já teve um lado social muito movimentado em outros tempos. Meu pai fala muito dos bailes de carnaval realizados na sede social, que tinham a característica de reunir tanto as pessoas mais humildes como da alta sociedade” afirma Lauro Elias Vasconcelos, 35 anos, e sócio do clube desde 2007.
Lauro é da terceira geração de uma família de bicolores e resolveu se associar ao clube quando ele caiu para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, no final de 2006.
“As coisas melhoraram bastante de lá pra cá, na sede social, mas o clube ainda não oferta muitas coisas aos seus sócios” avalia o associado Lauro, que segue pagando sua mensalidade confiante em mais melhorias.
O parque aquático está com a reforma parada
A sede social do Paysandu, na Avenida Nazaré, em termos de área, é a menor das três sedes dos grandes clubes de Belém - comparando com Remo e Tuna. Paralelo a isso, também é a que se encontra em melhor estado de conservação. Visitar a sede social alviazul dá ao visitante a agradável sensação de conhecer um museu. O clube construiu painéis de exposição para os troféus de conquistas ao longo de sua história, e as paredes também são ornadas com quadros de homenagens a grandes equipes do futebol e outros esportes.
De 2007 para cá, o clube tem tomado algumas ações de revitalização de sua sede, como o térreo, cujo piso foi todo trocado, e o salão nobre, que foi climatizado e reequipado. O Ginásio Moura Carvalho foi reformado, através de um projeto do atual presidente da agremiação, Vandick Lima, quando este ainda era apenas vereador, e hoje é de longe o ginásio melhor estruturado das três sedes.
A prédio da Avenida Nazaré conta ainda com um restaurante temático, uma sala para o programa de sócios torcedores e realiza reformas para a implantação de uma boutique do clube.
Se por um lado a sede bicolor vai muito bem da fachada até o ginásio, seu calcanhar de Aquiles atende pelo nome de parque aquático.
Atualmente o parque aquático bicolor simplesmente não existe. Fechado há anos para obras, o clube não possui piscinas nem para prática de esportes nem para oferecer aos associados. “É uma situação que se arrasta há quase 10 anos, na realidade. Tínhamos um parque em péssimas condições e foi iniciada uma reforma, mas os recursos foram insuficientes e as obras estão paradas desde então”, afirma o diretor de patrimônio do Paysandu Leonardo Maia.
Há sete meses no cargo, Leonardo afirma que ainda não há uma previsão para a retomada das obras por conta do seu custo elevado, mas o clube tem procurado desenvolver projetos para resolver esses gargalos estruturais. “Conseguimos patrocínios para o ginásio e o basquete do clube, o que deu autonomia e propiciou melhorias. Assim como foi no ginásio, esperamos fazer no parque aquático para voltar a oferecer ao associado esse espaço”, planeja o diretor de patrimônio. (T.A.)
Projeto tenta recuperar a náutica
Embora não disponha de tantas conquistas nas competições náuticas quanto Tuna e Remo, o Paysandu tem uma longa história nas competições a remo.
Nos últimos anos o clube tem voltado a conquistar títulos na modalidade e tem participado de competições em outros estados e até internacionais, como o Mundial Máster de Remo, que será disputado na europa esse ano e Paysandu e Remo representarão o país. Apesar desses resultados, o que se vê na sede náutica bicolor é uma situação preocupante de abandono.
O espaço náutico bicolor tem uma fachada discreta imprensada entre uma loja – que aluga o espaço junto ao clube – e um restaurante, passando batido para a maioria dos transeuntes que só podem reparar numa pequena porta de ferro com um escudo do clube em cima.
Dentro da sede, a estrutura de cais está completamente depredada, com tábuas bambas, buracos e sensação de insegurança. O tanque náutico, o único entre os clubes do Pará, também acusa a necessidade de reparos e maior cuidado. Embora a garagem náutica disponha de vários equipamentos de boa qualidade, como barcos e remos novos e equipamentos de academia, a sensação é que a prática do esporte na sede bicolor exige uma dose de coragem.
“A situação atual é de extrema precariedade, e isso é inegável. Nossos remadores acabam expostos a lesões de todo tipo ao praticar o esporte num espaço sem condições”, reconhece o diretor náutico bicolor, Ulisses Sereni.
Abnegado há muitos anos do remo bicolor, Ulisses afirma que o esporte, como um todo, sobrevive do esforço de alguns colaboradores, mas que o clube tem projetos para mudar essa situação.
“Temos um projeto orçado em 700 mil reais para captação de recursos através da Lei de Incentivo ao Esporte* e esperamos conseguir captar patrocinadores, como a Caixa, que investe maciçamente em remo. Temos trabalhado nos últimos sete meses para conquistar as certidões negativas e colocar em prática esses projetos”, afirma o diretor. (T.A.)
Obras vão marcar centenário
Quando de sua candidatura à presidente do Paysandu, Vandick Lima indicava a recuperação do clube, colocando o futebol como carro chefe, mas sem deixar de investir na reestruturação do patrimônio e ampliá-lo. “Não podemos ser um clube grande se o futebol vai bem, mas a sua estrutura cai aos pedaços. Estamos desenvolvendo projetos para que a estrutura social se profissionalize e possa se gerir sozinha” diz o presidente.
Vandick cita como avanços as obras no ginásio - conquistadas através de parcerias do departamento de basquete -, e as obras na sede para construção da boutique do clube. “Estamos preparando uma série de obras para o centenário bicolor em 2014. Até o final do ano esperamos fechar a Curuzu para realizar uma série de melhorias, como troca dos alambrados, ampliação dos camarotes, construção de cabines de imprensa sobre a área das cadeiras, elevação do gramado e instalação de novo placar eletrônico, que já foi até comprado”, cita.
“Atualmente há uma estrutura já existente lá em Benfica, que pertence à família Aguilera. Estamos investindo para a construção de mais campos de futebol, academia, piscinas. Quando o Paysandu tiver todas as suas certidões negativas, essa área será repassada para o clube e será o nosso Centro de Treinamento” promete o presidente bicolor que recentemente reverteu cerca de 496 mil reais, referentes à negociação de Paulo Henrique Ganso com o São Paulo, com o propósito de acelerar as obras na área. “A base bicolor às vezes treina por lá, mas ainda é cedo para levar o futebol profissional”, comenta Vandick. (T.A.)
(Taion Almeida/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar