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ESPORTE PARÁ

Derrota na Curuzu não foi só um escorregão

A noite da virada tornou-se a noite do pesadelo. A promessa de um bom futebol arrastou mais de oito mil pessoas, na noite do último sábado (24), à Curuzu. Contudo, a derrota do Paysandu para o Icasa, por 2 a 1, de virada, provou mais uma vez que a crise b

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A noite da virada tornou-se a noite do pesadelo. A promessa de um bom futebol arrastou mais de oito mil pessoas, na noite do último sábado (24), à Curuzu. Contudo, a derrota do Paysandu para o Icasa, por 2 a 1, de virada, provou mais uma vez que a crise bicolor parece estar longe do fim, assegurando a permanência da equipe na 18ª posição na Série B do Campeonato Brasileiro, com apenas 15 pontos.

Assim como em outras rodadas, o Paysandu começou impondo o ritmo, explorando de forma eficiente a marcação exigida. A marcação estava em dia. Yago Pikachu atuou com liberdade para atacar; na outra ponta, Pablo, mais moderado, servia de escudo diante das investidas de Neílson, atuando sistema 3-5-2.

O meio-campo estava disposto. Assim, logo o conjunto sobressaiu, exceto pelo ataque. Até os 17 minutos, o Paysandu tivera cinco escanteios. A julgar pelas oportunidades, o Paysandu não saiu na frente porque não teve capacidade de finalizar, e mais uma vez passou em branco na primeira etapa.

Aos dois minutos da etapa final, Eduardo Ramos cobrou falta com um lançamento preciso em Djalma, que entrou na grande área e chutou cruzado. No meio do caminho, o zagueiro Raul empurrou para abrir o placar. A partir daí o time parou. O experiente meia Geraldo, de 39 anos, fez o Verdão do Cariri crescer. Os ataques eram constantes, até que, aos 15, o atacante Tadeu chutou bola pela esquerda, passando pela zaga até os pés de Juninho Potiguar, somente com o trabalho de empatar para deixar tudo igual.

Depois de perder Ricardo Capanema, Arturzinho tirou Nicácio para a entrada de Heliton, e lançou o novato Gilton na vaga de Pablo. Aos gritos de ‘burro’, o comandante assistiu o meia Geraldo ser derrubado na área por Diego Bispo. Na cobrança da penalidade, Tadeu virou a partida, impondo a segunda derrota bicolor em casa, a terceira seguida na competição.

Abalo emocional gerou uma série de problemas

Desde o desembarque em Belém, o técnico Arturzinho diz que um dos maiores problema dos jogadores é o déficit emocional, responsável por causar, segundo ele, a recente queda vertiginosa.

Para explicar a derrota diante do Icasa, o treinador usou esses e outros argumentos. “A equipe está muito abalada emocionalmente, e isso traz o desgaste. A parte técnica piora no segundo tempo, a tática é perdida. E fisicamente também cai, porque é natural quando você está abalado”, diz.

Admitindo a superioridade no primeiro tempo, que decaiu consideravelmente na etapa final, o técnico acha que o problema não tem sido só em campo, sobretudo por causa da falta de opções e por ter no elenco muitos jogadores “não preparados para suportar a pressão”. “Djalma, Heliton, Pikachu e Pablo são jovens e não estão preparados, mas são colocados para solucionar os problemas. Nós tínhamos um banco só de garotos. Gleissinho, Romário, Bruno...”.

Arturzinho também isentou de culpa os seus indicados, que pouco - ou nada - fizeram para mudar a partida. “O problema não foi o Fabiano. O problema foi que os outros, que tinham a função de retornar, não retornavam. O meio ficou só com o Fabiano e o Zé Antônio”, encerra.

Lesões ainda fizeram o ‘favor’ de atrapalhar

Até os 24 minutos da primeira etapa, o Paysandu manteve boa consistência em campo, com quase todos os atletas correspondendo em suas funções, incluindo o goleiro Paulo Rafael, escalado no lugar de Marcelo, abatido por uma conjuntivite. O único a destoar, até ali, era o atacante Marcelo Nicácio, confirmado minutos antes da partida, mas atuando com dores musculares, fato que lhe rendeu alguns escorregões em campo.

Porém, aos 24 minutos, o volante Ricardo Capanema sofreu um choque com o atacante Juninho Potiguar e acabou substituído por Fabiano Silva. O jogador, no entanto, entrou nitidamente fora de forma, sem ritmo de jogo e sem conseguir exercer a mesma função do antecessor. Além desta mudança, o lateral-esquerdo Pablo também sentiu dores na virilha e pediu para sair. A única mudança tática - em parte - foi a troca de Marcelo Nicácio por Heliton. Todos os atenuantes, segundo Arturzinho, contribuíram para o resultado negativo, construído a partir dos 45 minutos finais.

“Capanema pediu para sair. Eu tinha um garoto, que é o Romário, tenho o Fabiano Silva. Ele entrou e não comprometeu. A saída do Nicácio foi por uma contratura, ele jogou com a perna presa. Eu não vi um chute dele a gol. Achei melhor tirá-lo, porque é o único centroavante que tenho. Tentei colocar velocidade com o Heliton; tentei botar o Iarley no meio, que também não estava bem em campo. O Pablo também pediu para sair e coloquei o Gilton”, justifica o treinador.

(Diário do Pará)

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