Mostrando um futebol um pouquinho menos pior, se comparado às deprimentes rodadas anteriores, o Paysandu teve um relance de evolução em campo, o que resultou no primeiro ponto fora de casa, ao empatar em 0 a 0 com o Bragantino-SP, em partida válida pela 18ª rodada da Série B. É isso mesmo, depois de oito partidas fora de casa, enfim os bicolores conquistaram um mísero ponto, no entanto, isso pouco adiantou e a equipe paraense despencou para a 19ª posição na tabela, com 16 pontos. O Paysandu faz sua última partida no primeiro turno, contra o Sport-PE, na terça-feira (3), em Belém, às 21h50.
Os ataques iniciais partiram da equipe visitante. Com o avanço de Eduardo Ramos, o time teve sua primeira oportunidade pelos pés do jogador, que, aos sete minutos, chutou forte de fora da área, com a bola passando próximo. A resposta do Braga só veio aos 21, quando Paulinho cruzou bola na área e Gustavo experimentou o chute, que assustou o goleiro Paulo Rafael. Aos 25, o lance mais contundente do Massa Bruta, após um chutaço de fora da área, arriscado por Gustavo.
Até os 20 minutos, o Paysandu foi melhor em campo, mas Iarley e o contundido Marcelo Nicácio não corresponderam o esperado.
Depois disso, o Bragantino acordou e o meio-campo passou a funcionar melhor, mas também em desacordo com Lincom e Paulinho no ataque. O segundo tempo não foi muito diferente. O Braga já estava dominando o jogo, e teve as melhores chances começando por Rafael Costa, que cobrou falta rasteira aos 10 minutos, forçando Paulo Rafael a espalmar e por pouco não levando o primeiro.
O Paysandu, apesar de não ter criado em campo, segurou-se como pôde, haja vista a quantidade de desfalques, forçando o técnico Arturzinho a lançar o zagueiro Leonardo, o lateral-esquerdo Gilton e o meia Jaílton. O trio, se analisado pela parte técnica, foi além do esperado, mas ainda muito longe do suficiente. Talvez por esse motivo, por incrível que pareça, o empate tenha sido visto com bons olhos.
Ponto fora é sinônimo de euforia
Do empate do Paysandu, o goleiro Paulo Rafael se destaca. Até os 20 do primeiro tempo, quando o Papão teve maior posse de bola, o arqueiro não teve muito trabalho, mas quando o meio-campo do Bragantino arrumou a casa e partiu em direção ao ataque, o camisa 1 foi exigido diversas vezes e não fosse seus esforços, o resultado poderia ser outro.
“Eu falei que tenho orgulho de vestir a camisa do Paysandu desde as categorias de base. E hoje mostramos que esse time é muito bom e tem qualidade. Nós defendemos o time com toda garra. Nossa torcida cobra dentro de casa, mas com certeza eles vão lotar para ver o nosso melhor. Aquelas cobranças vão se tornar alegrias”, comemora. Paulo Rafael ganhou diversos elogios, inclusive do técnico Arturzinho que o elogiou como um “atleta de muita personalidade”.
“Só deus sabe o que eu passei, depois que voltei de lesão e fiquei seis meses parado. Muita gente me criticou, arranharam meu carro, fizeram várias coisas. No entanto, eu acredito em mim, continuei meu trabalho e não parei. Essas críticas eu absorvo. Em sete meses fui do céu ao inferno. Mas hoje conseguimos um ponto e uma atuação muito boa”, vibra.
Paulo Rafael estava como terceiro goleiro, mas devido às lesões de Marcelo e Zé Carlos, ganhou mais uma chance na trave bicolor. As principais defesas do goleiro foram aos 36 do primeiro tempo, em chute forte do lateral Rafael Costa; aos 10 do segundo tempo, em cobrança de falta de Rafael Costa, novamente. E aos 31, em chute cruzado de Lincom. Paulo Rafael saiu aplaudido, não sem antes tomar um cartão amarelo.
Para o técnico, teve evolução
Na análise do técnico Arturzinho, o Paysandu ainda não está no momento ideal de preparo físico, técnico ou tático, no entanto, ele acredita ser nítida a melhora do time, mesmo lançando entre os titulares, alguns jogadores que ele considera ainda longe do ideal, caso dos recém-contratados Leonardo, Gilton, Jaílton e Fabiano Silva, todos por indicação dele.
“Eu ouvi de alguns co-irmãos algumas reclamações, que eu tinha trazido alguns jogadores e o time não melhorou. Eles não tinham jogado. O Leonardo joga bola, jogou três anos no ABC, no Criciúma, e ainda está fora de forma. O Gilton foi campeão da Série C comigo, subiu ano passado pelo Chapecoense, tem qualidade e se impõe. O Jaílton tem uma calma impressionante para 22 anos e também foi campeão no Joinville comigo”, defende Artutrzinho.
A boa entrada dos novatos, segundo ele, ajudou o Paysandu a formar, de maneira ainda primitiva, um “padrão de jogo”, que tem feito a equipe crescer nas últimas partidas. O empate contra o Bragantino, em especial, é do que o treinador se vale, visto que até sábado, o Bicolor não havia conquistado nenhum ponto fora de casa, e vinha de três derrotas seguidas.
“Se vocês analisarem sem se preocupar com o resultado, nosso time já tem um padrão de jogo. Foi assim contra o Oeste, diante do Palmeiras, no primeiro tempo diante do Icasa. Hoje foram os dois tempos e algumas boas oportunidades. Me perdoem a sinceridade, mas precisamos de um matador. Gostaria que tivéssemos essa pessoa. Quando não há o desgaste emocional, o Paysandu joga de igual para igual com qualquer adversário”, completa o técnico.
(Diário do Pará)
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