No duelo contra o Leão Pernambucano, o Papão levou a melhor. Em um jogo vibrante, recheado de bons lances de gol, o Paysandu conseguiu um importante resultado, ao vencer o Sport por 2 a 0, em jogo realizado no estádio da Curuzu, pela 19ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Os três pontos vieram de forma suada, com gol do atacante Marcelo Nicácio, no primeiro tempo e Yago Pikachu, no segundo. A vitória deixou o Paysandu na 18ª posição, com 19 pontos.
A mudança de comportamento teve início cedo. O técnico Arturzinho, mantendo as previsões, escalou a mesma equipe do jogo anterior, oferecendo maior entrosamento. Assim, o Paysandu, de fato, evoluiu. As jogadas fluíram com velocidade. A estratégia de manter o volante Vânderson como terceiro zagueiro deu mais liberdade ao meio-campo, que tinha em Eduardo Ramos, seu maior expoente.
O Camisa dez, aliás, foi o responsável pela jogada do primeiro gol, aos sete minutos, depois de levantar a bola na cabeça de Marcelo Nicácio. A vantagem empolgou os bicolores, que atacavam por todos os lados. Até os 25 minutos, a vantagem foi amplamente dos donos da casa. Só depois é que o Sport cresceu na partida, mas perdeu a melhor chance de gol aos 25, quando Renan Teixeira furou um cruzamento, no qual já havia sido marcado o impedimento.
Nos 45 minutos finais, apresentando nítido cansaço e agravado pelas dores de Eduardo Ramos, os bicolores pisaram no freio. Os ataques eram inconstantes, e o Sport passou a oferecer perigo, mas fora abafado pelo esforço do goleiro Paulo Rafael.
Aos 10, os visitantes quase empataram o placar, com bola aérea de Peri. Arturzinho então tirou Nicácio e lançou o estreante Aleílson. O artilheiro se movimentou bem. Aos 27 minutos, ele arriscou um belo chute, mas a bola parou nas mãos do goleiro Magrão.
Cinco minutos depois, Aleílson foi derrubado dentro da grande área. Na cobrança do pênalti, Yago Pikachu garantiu a vitória ao marcar o seu terceiro gol em três partidas contra o Sport – ele já havia feito dois gols no confronto com os pernambucanos pela Copa do Brasil 2012.
Sinais de uma mudança de comportamento
Por ter passado a semana inteira trabalhando em um esquema tático diferente do utilizado, o desempenho que a equipe bicolor mostrou foi além do esperado. O 4-5-1 dos treinos deu lugar ao tradicional 4-4-2, com a alternância do 3-5-2, sem a posse da bola. Vânderson foi o responsável por fazer a função de terceiro zagueiro, com Zé Antônio trabalhando na saída de bola, bem próximo do meia Jaílton. Já Eduardo Ramos ficou livre para criar.
Em tese, a formação foi eficiente por grande parte do primeiro tempo, embalando as principais jogadas de ataque. “Fiquei muito feliz pela vitória, o Paysandu precisava dela”, disse Eduardo Ramos. “A entrada do Vânderson ali na sobra encaixou muito bem. Deu uma reforçada atrás. Esperamos que o time continue nessa melhor, é uma nova cara do Paysandu, todo mundo lutando e buscando a vitória, com uma marcação muito forte”, completa o zagueiro Fábio Sanches.
A atuação da zaga também foi muito lembrada. Com Fábio Sanches e Leonardo, novamente o time ganhou consistência e evitou lances que poderiam resultar em gol do adversário. Quando Leonardo sentiu o cansaço, Arturzinho convocou Diego Bispo para o seu lugar, e o atleta também fez um resto de jogo equilibrado. Enquanto a defesa e o meio permaneceram equilibrados, o ataque parece ter acordado.
O gol de Marcelo Nicácio no início da partida, graças ao cruzamento de Eduardo, foi fundamental para a confiança do time, mesmo com o artilheiro ainda sentindo dores. Tanto ele quanto Iarley foram substituídos, mas não prejudicaram o time, exceto pelas oportunidades perdidas, que poderiam ter deixado o resultado ainda mais elástico.
Já foi bom, mas poderia ter sido ainda melhor
Diante de uma atuação coesa, não restou ao técnico Arturzinho, outra avaliação, que não fosse os parabéns aos seus atletas. O treinador do Paysandu destacou de maneira ampla e igual a atuação de todos os setores do time, assim como apontou as carências que precisam ser sanadas. No geral, a vitória com autoridade teve um sabor doce, com uma leve sensação de que dava para fazer mais.
“Poderia ter sido mais. Tivemos melhores momentos, mas temos que ficar agradecidos por ter jogado contra um adversário grande, postulando o acesso. Por isso, vamos ficar felizes, mas com os pés no chão. Tem muita coisa pela frente, é preciso manter o trabalho de forma satisfatória”, ressalta o técnico. “Nosso time é técnico. Nós estávamos dando um, dois toques na bola, no final do jogo, botando o adversário atrás. São jogadores inteligentes. Se continuar assim, com eles se cuidando, a tendência é dar alegrias para o torcedor”, continua.
Em relação às mudanças promovidas no time, com a descida do volante Vânderson, Arturzinho acredita que a equipe ganhou. “Eles têm um posicionamento na perda e no ganho da bola. Foram dois jogos sem gols. Temos o Leonardo, o Fábio e o Vânderson na defesa, o time melhorou. Mas acho que ainda temos variações em relação à conduta da equipe, que às vezes não joga o futebol que eu gostaria. Mas faz parte, por estarmos refazendo um grupo dentro de uma competição de alto nível”, explica.
O maior problema, na visão dele, tem sido as grandes viagens que o time tem a fazer, a exemplo do jogo contra o Asa-AL, na próxima sexta-feira (6). “Sabemos a importância do jogo contra o Asa, mas a logística não foi legal. A culpa é da CBF, que, com a agência, faz umas logísticas loucas. Isso desgasta os jogadores, cabe a gente trabalhar e descansar para uma boa apresentação”, encerra o técnico.
Já na avaliação do técnico do Sport, Marcelo Martelotte, as dificuldades do Sport encontradas em campo foram agravadas pelo gol nos minutos iniciais, causando ao Leão Pernambucano, sérios problemas para reagir diante das investidas dos bicolores. “Não só você começar mal um jogo, mas esse gol levado nos primeiros minutos deu uma pressão no nosso time, e para reverter esse placar ficou ruim, jogando contra uma equipe entrosada, com o peso da sua torcida”.
(Diário do Pará)
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