Dezenove pontos em 19 jogos. Foram cinco vitórias, quatro empates e nada menos que 10 derrotas. Esta é a campanha do Paysandu no primeiro turno da Série B. Uma campanha pífia com 21 gols marcados, contra 28 sofridos e o saldo negativo de sete bolas. Em números, a trajetória bicolor teve 33,3% de aproveitamento e a ingrata 18ª posição na tabela, duas antes da temida lanterna da competição. Números magros, um retrato da péssima campanha realizada na primeira fase.
Pelo comando alviceleste, passaram Lecheva, Rogerinho Gameleira, Givanildo Oliveira e, por fim, Arturzinho. Três técnicos oficiais e um provisório. Com exceção de Gameleira, todos trouxeram seus indicados e muitos deles em nada acrescentaram ao time, que, sem corpo, com a autoestima baixa, se manteve aquém do esperado, depois de seis anos fora da Série B.
Nas últimas rodadas, no entanto, os sinais de melhora começaram a aparecer. O Paysandu entrou nos eixos e passou a apresentar um futebol mais confiante. As derrotas para Palmeiras e Icasa (3 x 2 e 2 x 1, respectivamente), somada ao empate em 0 a 0 contra o Bragantino, não foram o que a torcida esperava, mas mantiveram no time a crença de que o conjunto, até ali fragilizado, estava vivo.
A prova aconteceu diante do Sport, na última terça-feira. Um 2 a 0 com autoridade, envolto de força de vontade e raça, mesmo que tenha sido tão tardiamente. É esse tipo de resultado que a torcida tanto espera, sobretudo pela reta final, seus 19 jogos e a única oportunidade de almejar uma colocação digna de um bi-campeão brasileiro.
Em meio a problemas em campo e extra-campo, diretores, jogadores e comissão técnica começam a olhar, bem no fim do túnel, a famosa luz da esperança. Mas se é a luz da vitória ou da lanterna, só o tempo dirá.
Mudanças constantes prejudicaram
No início da Série B, o time do Paysandu estava nas mãos de Lecheva. Após três partidas sem vencer, a casa do técnico caiu, diante de pressão velada dos bastidores. O próprio presidente bicolor, Vandick Lima, chegou a dizer que era a terceira pressão. “Primeiro foram as duas derrotas seguidas em Re-Pa, a segunda depois da eliminação da Copa do Brasil diante do Naviraiense, na última não havia como”, disse o dirigente, na época.
Lecheva saiu em meio a críticas pela impaciência. Pior que isso foi a contratação de Givanildo Oliveira, considerado um “atraso” no futebol paraense, mesmo com a credencial de maior vencedor dessas bandas. Oito jogos e nenhuma vitória, e o acerto foi feito: Givanildo deixa o cargo e assume Arturzinho. O novo comandante chega e logo encontra desavenças.
Preparador físico e fiel escudeiro de “Giva”, Wellington Vero e Arturzinho não se aturavam. Muitas farpas depois, o preparador vai embora, não sem antes assistir às broncas do comandante sobre jogadores “preguiçosos” e mal preparados. Arturzinho não esconde o que pensa e direcionou críticas a jogadores de “vida boa”. Por fim, a limpeza expulsou da Curuzu peças do tipo Jean, Janílson , Rodrigo Alvim e cia.
Extracampo, quando a crise bateu forte, Oscar Yamato foi demitido da gerência de futebol. Logo em seguida, foi a vez do diretor de futebol Clodomir Araújo pedir para deixar o cargo. Diziam pelos corredores da Curuzu que por pouco Roger Aguilera também deixaria a função. Com as baixas extrapolando as quatro linhas, de onde não se esperava, Vandick Lima bate no peito e assume de vez o futebol bicolor para a salvação da lavoura bicolor.
(Diário do Pará)
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