Cria do Paysandu, Augusto Cloves, 57, mais conhecido como Patrulheiro, fez história na década de 70 e 80 com o time bicolor. Autor de muitos gols, viveu o tricampeonato do Papão na década de 80 em uma das melhores fases do Paysandu. Jogou ao lado de Bacuri; Tuica, Valfrido e Nilson Diabo, entre outros, e também quis alçar novos voos nos times de fora do Estado, como o Atlético Mineiro em 78, mesmo se recuperando de um problema de saúde. “A gente fez um grande Campeonato Brasileiro naquela época e isso despertou o interesse do Atlético em me levar”, relembra o ex-meio-campista que chegou a ser emprestado ao Galo, mas contraiu hepatite, um problema de saúde que estancou a sua trajetória.
O craque não esmoreceu. Voltou para Belém e deu continuidade ao tratamento. Em 1980, já se sentia novo em folha para ajudar a equipe do Paysandu nos campeonatos. Um dos momentos mais lembrados pelo ex-atleta foi um jogo em 77 contra o Atlético Mineiro dentro do Baenão. “Fiz o único gol do Paysandu. A bola bateu no travessão e entrou para o gol. Me lembro como se fosse hoje, gol na rede do lado da 25 de Setembro. Mesmo o Papão perdendo aquele jogo, esse dia ficou para a história”, comemora.
Mesmo com uma carreira consolidada no futebol, Patrulheiro resolveu pendurar as chuteiras em 88. “Naquela época eu já sabia que não dava mais para ficar rico, então resolvi ir trabalhar”, relembra, lamentando o fato de não ter ido estudar enquanto ainda estava novo. “O mercado de trabalho é muito exigente, tive uma dificuldade enorme para me adaptar, e tudo o que eu tinha naquela época era o ensino médio. Tive que me especializar para arrumar um emprego antes que fosse mais tarde”, afirma o ex-jogador que há mais de 20 anos trabalha com vendas de material hospitalar.
Patrulheiro avalia a situação dos times paraenses e lamenta ver os diretores querendo resultados imediatos sem se preocupar em investir a longo prazo na base. “Os clubes precisam entender que é nela que está o futuro dos times. Hoje, o jogador de futebol que entra com 15 ou 16 anos, acredita que pode ficar rico que nem o Neymar. Ilusão! É importante que todos estudem e não se dediquem apenas ao futebol, porque a nossa vida dentro de campo tem prazo de validade”, alerta.
Quando indagado se gostaria de trabalhar com futebol, Patrulheiro foi enfático ao dizer que, “apesar de já ter sido convidado para trabalhar na base do Paysandu, eu nunca pensei na possibilidade. Eu prefiro ajudar quando der, do jeito que eu posso. Dou algum material hospitalar, desses que eu trabalho, mas treinar mesmo, não”.
(Diário do Pará)
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