Ao conseguir o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, ano passado, o Paysandu alternou uma legião de jogadores e três técnicos, mas conseguiu superar as dificuldades e encerrou um ciclo que já durava seis anos. Em 2013, já passaram pela Curuzu mais de 40 jogadores e quatro técnicos. Um quadro semelhante da temporada passada, que precisa ser refletido quanto ao destino final.
O mesmo ciclo tem se repetido, desta vez no comando técnico. Com a chegada de Vagner Benazzi, o Paysandu completa quatro treinadores, sem que o time sinta verdadeiramente a confiança nas vitórias. Algumas trocas foram consideradas injustas, como a de Lecheva. Já outra, a de Givanildo Oliveira, foi considerada um erro.
Com Arturzinho foi diferente: aprovado em um primeiro momento, o estilo de trabalho foi aos poucos desgastado, contribuindo para os resultados insatisfatórios. E no meio de tudo isso, o auxiliar-técnico, Rogerinho Gameleira, tem sido o salvador oficial da lavoura alvi-celeste. Na avaliação dos atletas, contudo, as substituições no decorrer do campeonato não tendem a prejudicar a qualidade do grupo.
“Tirando o Rogerinho, que está desde o começo da Série B, o correto seria um treinador para o campeonato inteiro, porque sabemos das dificuldades. Até o treinador vir e achar quem está melhor, dificulta, mas entendo que o grupo está preparado”, ressalta o lateral-direito Yago Pikachu.
Experiente, o atacante Marcelo Nicácio vê a troca de técnico como a providência mais óbvia. “A vida no futebol é assim. Tenho certeza que o presidente está fazendo de tudo para que o Paysandu não volte para a Série C. Tomara que o Benazzi nos ajude e motive para sairmos da zona de rebaixamento. Temos que pensar sempre que podemos sair dessa”, acredita.
Cobrança exagerada criou mal-estar
A última substituição no comando técnico do Paysandu foi a saída de Arturzinho para a entrada de Vagner Benazzi. O carioca Artur dos Santos Lima chegou bem cotado, mas aos poucos viu sua relação se desgastar após uma série de contratações duvidosas e, sobretudo, algumas análises críticas sobre a capacidade dos próprios jogadores do elenco bicolor.
Arturzinho dizia que a responsabilidade dos gols era missão dos atacantes experientes, enquanto joias locais, como o lateral-direito Yago Pikachu, deveriam manter-se mais em suas respectivas funções.
“Ele tem a opinião dele. Tirou um pouco a pressão dos mais novos e colocou sobre jogadores mais experientes, como o Nicácio. Ele mesmo dizia isso nos treinos, não sei se bem ou mal. Eu, contudo, sempre quis dar o meu melhor em campo”, avalia o lateral, mas admitindo que o técnico nunca o impediu de jogar à sua maneira que o consagrou na temporada passada, ao marcar 12 gols.
A única crítica aparente sobre o ex-técnico diz respeito às cobranças exacerbadas. “É um cara que tem um jeito de cobrar muito forte. Em certos momentos é até exagerado. Alguns jogadores reclamavam, mas é o jeito dele. Por onde for vai levantar isso. Não sei se foi só aqui, mas o jeito dele é de cobrança, até pelos resultados e o time não conseguiu deixar a zona, mas isso fazia um efeito contrário. Às vezes, não entendíamos o que ele queria e isso prejudicava. Em outras, pensávamos diferente, sem entender o objetivo. Agora é preciso esquecer e pensar no novo técnico”, encerra Pikachu.
(Diário do Pará)
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