O Paysandu encerra, hoje, o seu giro pelo interior de São Paulo, buscando a primeira vitória, fora de casa, na Séria B do Campeonato Brasileiro. O adversário é o São Caetano-SP, em jogo das 21 horas, no estádio Anacreto Campanella, em São Caetano do Sul, distante 11 quilômetros da capital paulista. O Papão entra em campo pressionado pela necessidade de somar mais três pontos, a fim de se afastar ainda mais da zona de rebaixamento à Terceirona. Um simples empate poderá - dependendo de outros resultados - deixar o time alviazul em situação de risco na competição nacional.
Com 28 pontos, o Papão ocupa a 15ª colocação na classificação, tendo em seu encalço o América-RN, que é o 17º, com um ponto a menos, e ainda Atlético-GO e ABC-RN, que estão na zona da morte, com 26 pontos, cada um. Para retornar tranquilo a Belém, onde enfrenta o Boa Esporte-MG, na terça-feira, o time alviazul precisa somar mais três pontos. O resultado não deve ter efeito prático em termos de mudança de posição, já que o Oeste-SP, 14º colocado, soma 31 pontos. Mas, moralmente o resultado tem vital importância para os bicolores.
“Além de injetar motivação no grupo, a vitória traria o apoio do torcedor para o jogo com o Boa”, ressalta o técnico Vagner Benazzi. Entre os jogadores, o pensamento é só um: vencer o Azulão para colocar definitivamente um fim a sina de o time não vencer fora de seus domínios. “Precisamos acabar de vez com essa situação, que já vem incomodando há algum tempo”, admite o volante Zé Antônio.
O Papão vai para a sua 14ª partida sem vitória como visitante. Até aqui sob o comando de cinco treinadores, a equipe só conseguiu três empates, diante do Bragantino-SP, Asa-AL e Guaratinguetá-SP. Para tentar surpreender o Azulão, o técnico Vagner Benazzi deve promover pelo menos uma mudança no ataque bicolor, sacando Héliton para a entrada de Alex Gaibu. As outras mudanças, forçadas por cartões amarelos, são Max e Dirceu, que estrearão pelo time, nos postos de Pikachu e Raul, ambos suspensos pelo terceiro amarelo.
Gaibu e seus acúmulos de função
Escalado para compor o ataque ao lado de Dennis, contra o São Caetano-SP, o meia Alex Gaibu revelou, ontem, que sua preferência é de jogar no setor de armação. “Atuar por ali, para mim, é bem melhor”, disse. Mas a improvisação no ataque, segundo ele, não o causa desconforto. “Estou sempre disponível para ajudar a equipe, seja em que posição for”, garantiu. “Mais uma vez estou entrando no time e posso assegurar ao torcedor do Paysandu que serei o mesmo jogador esforçado que sou na minha posição de origem”, prometeu.
O meia fez uma previsão de como o adversário do Papão vai jogar em sua casa. “Com toda a certeza o time deles vem para cima, até em função de precisar da vitória para tentar sair da zona de rebaixamento”, disse. O desespero do Azulão, de acordo com o meia pode ser bem aproveitado pelo Papão. “Vamos procurar explorar as subidas do time deles para tentar surpreender em jogadas de velocidade”, contou. Gaibu afirmou encarar a partida como “uma grande decisão”.
“São duas equipes buscando o resultado e, por isso, deve ser uma partida bastante disputada”, anteviu. Segundo o meia, o Papão só precisa ter paciência para encaixar os contra-ataques na hora certa, sem deixar de ficar atento a possíveis respostas do adversário. “Esse é a maneira mais apropriada para um jogo como esse”, analisou. Mesmo tendo ficado de fora do time em algumas partidas, Gaibu afirmou nunca ter perdido a alegria de defender o Papão. “Estou sempre trabalhando com muita vontade”, garantiu.
Paulo Rafael se diz mais confiante
Titular absoluto do gol do Paysandu, desde as lesões sofridas nos joelhos por seu antecessor, Zé Carlos, o goleiro Paulo Rafael, de 22 anos, acredita que voltou a viver a grande fase, que o fez ídolo da Fiel até sofrer uma lesão e ser operado em 2012. A cirurgia o deixou quase um ano afastado dos gramados. Na volta, este ano, jogador sentiu a falta de ritmo de jogo e, principalmente, a perda do reflexo, tão exigida de quem atua na posição. A consequência foi um vacilo gritante no jogo com o Ceará, que culminou com a derrota bicolor por 1 a 0, numa rebatida de bola do arqueiro.
Totalmente recuperado, Paulo Rafael, que é cria do próprio Paysandu, garante estar, hoje, tranquilo, calando a boca dos “corneteiros”, que pediam a sua saída do clube. “O que houve comigo acontece com qualquer goleiro que passa muito tempo sem treinar e jogar”, afirma. “Agora que tenho uma sequência de partidas, me sinto tranquilo e pronto para ajudar a tirar o Paysandu a pelo menos se manter na Série B em 2014”, avisa.
Com relação ao jogo com o São Caetano, o goleiro prevê um grande duelo, em função da necessidade de vitória de ambos os lados. “Vai ser duro”, antecipa. “O São Caetano vai usar de todas as armas para conseguir a vitória e, do nosso lado, temos a obrigação moral de voltarmos para casa com os três pontos do jogo”, diz.
São Caetano tenta driblar crise
Não bastasse a posição desconfortável em que se encontra na Série B do Brasileiro - é o vice-lanterna, com 24 pontos -, o São Caetano-SP entra em campo para enfrentar o Paysandu, hoje, convivendo com um outro fantasma: a possibilidade da perda de pontos, desta vez no “tapetão”. O Azulão foi denunciado ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), pelo próprio Paysandu, por ter utilizado supostamente de forma irregular o lateral-esquerdo Renan Luis. Na denúncia, os bicolores acusam o atleta de ter atuado por três times diferentes na atual temporada, o que é proibido pela Fifa.
Renan Luis defendeu a Ponte Preta-SP na Copa do Brasil, transferindo-se, depois, para o Ceará e, posteriormente, para o São Caetano, pelos quais disputou a Série B. Caso venha a ser punido, o Azulão perderá seis pontos, o que o deixaria ainda mais atolado na zona de rebaixamento da Segundona. A denúncia feita pelos bicolores tem tirado o sono dos dirigentes, jogadores e, principalmente, do técnico Sérgio Guedes, que está na “corda bamba”, podendo deixar o cargo diante de um revés no confronto com o Papão.
Em campo, Guedes tem pelo menos uma dúvida: Rivaldo ou Dudu, no meio-campo. O primeiro, por ser um veterano, já não tem gás suficiente para encarar os 90 minutos de jogo. Na zaga, o treinador deve preservar o zagueiro Luis Eduardo, que sofreu uma lesão na derrota frente ao Avaí-SC. O treinador, apesar de tantas dores de cabeça fora e dentro de campo, diz confiar na recuperação de sua equipe. “Não temos outra saída que não seja fazer o dever de casa”, salienta Guedes.
(Diário do Pará)
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