A torcida do Paysandu até que fez a sua parte. A Fiel compareceu em bom número à Curuzu, ontem à noite, com o borderô da partida registrando pouco mais de 5 mil pagantes. Mas em campo, como tem sido nos últimos jogos, o time bicolor deu vexame ao cair, por 2 a 0, diante do Avaí-SC, pela 31ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O resultado, porém, não alterou a posição do Papão na classificação, onde ocupa a 18ª colocação, superando apenas São Caetano-SP e Asa-AL.
No primeiro tempo só faltou o gol para o Papão ratificar sua superioridade. O time alviazul foi senhor dos 45 minutos iniciais. Logo nos primeiros três minutos, o Papão teve duas grandes oportunidades, uma com Eduardo Ramos, cobrando falta, e outra com Dennis de cabeça.
O goleiro Matheus apenas assistia ao jogo, não tendo trabalho nem para cobrar tiro de meta. O Papão ainda teve pelo menos mais umas três boas chances de gol com Ramos, Pikachu e Diego Barboza. Os visitantes deram apenas um chute por intermédio de Uchoa. A bola ganhou a linha de fundo.
O Papão voltou para o segundo tempo lutando contra o relógio. O início até foi animador, com Eduardo Ramos, de cara com o gol, perdendo uma grande chance. Mas, aos 6 minutos, Gilton pôs tudo a perder. O lateral tinha a bola dominada, brincou e acabou perdendo para Cléber que foi a linha de fundo e cruzou para Betinho fazer 1 a 0 Avaí.
Após o gol, o Avaí cresceu em campo, enquanto o Papão sentiu o golpe. Marcado pela Fiel, que passou a vaiá-lo toda vez que ele pegava na bola, Gilton foi substituído por Caio. Superior, o Avaí fechou o “caixão” bicolor, aos 28 minutos, num gol de Cléber Santana de cara com Matheus.
Torcedores revoltados com o resultado passaram a tirar objetos para cima do banco do Avaí, o que provocou a paralisação e, em seguida, termino do jogo, aos 36 minutos.
Iarley deixa o clube; Benazzi pode cair
Contratado para ser o grande nome do Paysandu na Série B, o experiente atacante Iarley deixou o clube ontem à noite, após a derrota para o Avaí. O próximo pode ser o técnico Vagner Benazzi. A diretoria se reuniu com o treinador para analisar a situação do clube, que ficou ainda mais perto da temida queda à Série C.
“O Benazzi continua”, decretou o vice-presidente, Sérgio Serra. Mas, não será surpresa se o treinador decidir entregar o cargo hoje, já que está bastante desgastado no clube, sendo cobrado pelos torcedores.
Quanto ao lateral Gilton, que numa falha clamorosa, permitiu ao Avaí abrir o caminho para a vitória, Serra informou que nenhuma decisão havia sido tomada. “Não vamos tomar nenhuma medida precipitada”, alegou. “Amanhã (hoje), de cabeça mais fria a gente vai estudar o que fazer”, justificou.
Ele ressaltou a necessidade de o Paysandu trocar a Curuzu pelo Mangueirão para o jogo de terça-feira, contra o ABC-RN. “É uma questão de ordem pública. Não tem condições de o Paysandu continuar jogando aqui. Apesar da afirmação de Serra de que Gilton deve continuar no clube, é provável que o atleta, por não ter sido marcado pelos torcedores, seja liberado. Junto com ele, outros jogadores também poderão deixar o clube. Especula-se que Dennis seria um deles. O atacante tem tido oportunidades, mas não tem correspondido.
Vanderson critica sem citar nomes
Nem o técnico Vagner Benazzi muito menos os jogadores do Paysandu compareceram à sala de imprensa da Curuzu para falar sobre a derrota diante do Avaí. Até mesmo na saída de campo, os bicolores evitaram as entrevistas. O único a falar foi o volante Vanderson. O experiente jogador lamentou o tumultuo feito pelos torcedores, que culminaram com a paralisação e, consequentemente, término antecipado do jogo.
“É lamentável o que a gente viu aqui”, disse. “Ainda havia jogo e a gente não sabia o que poderia acontecer”, prosseguiu. O volante também lamentou o fato de o Papão ter voltado a perder pontos importantes dentro de cãs. “Sofremos o primeiro gol numa falha individual (de Gilton) e isso mexeu com o time”, disse.
O meio-campista não deu nomes, mas deu a entender que alguns de seus companheiros não estão encarando os jogos do time como deveriam. “Não é qualquer jogador que encara essa situação, com o torcedor fazendo cobrança”, finalizou.
As consequências podem ser as piores
O Paysandu deve sofrer graves consequências em virtude dos incidentes ocorridos, ontem à noite, na Curuzu, quando o árbitro carioca Grazianni Maciel Rocha foi obrigado a encerrar a partida contra o Avaí antes do tempo normal por falta de segurança no estádio. Alguns torcedores, revoltados com o primeiro gol do time catarinense, passaram a atirar objetos para cima do banco do time visitante, obrigando os jogadores e comissão técnica a ir para o gramado de jogo.
Após alguns minutos de paralisação, o jogo foi reiniciado, mas aos 36 minutos, depois de o Avaí ter feito 2 a 0, por causa do mesmo problema, a partida voltou a ser paralisada. Nas arquibancadas, membros da Torcida Bicolor desafiavam o policiamento, que contava com um efetivo aquém do necessário para garantir a segurança da partida.
Torcedores mais ousados chegaram a atirar bombas para dentro do gramado, quase atingindo policias do grupamento de choque. Depois de uma conversa com o chefe do policiamento no estádio, major Emerson, o árbitro decidiu encerrar a partida aos 36 minutos. Em entrevista, o comandante afirmou que a partida poderia seguir normalmente.
“Informei ao árbitro que a segurança estava garantida, mas ele, não sei por qual razão, decidiu encerrar a partida”, disse o major. Os incidentes devem ser registrados na súmula da partida, com o Paysandu correndo o risco de sofrer perda de mando de campo em jogos do Brasileiro. Como medida preventiva, o Papão, por intermédio do advogado Alberto Maia, pedirá à CBF, como medida de urgência, a transferência do jogo da próxima terça-feira, contra o ABC-RN, da Curuzu para o Mangueirão.
(Diário do Pará)
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