Para completar o acordo firmado semana passada, Remo e Tuna voltam a se enfrentar em amistoso marcado para a manhã deste domingo no estádio Francisco Vasques, o ninho da Águia. Aos cruzmaltinos, fica a expectativa de que o time do técnico Lecheva mostre que pode fazer mais do que aquele segundo tempo insinuante do amistoso da última sexta-feira e, aos poucos, ter uma equipe forte para disputar a primeira fase do Parazão 2014. Já para o Leão, o grande desafio parece ser fazer bom papel em campo, voltando aos gramados pouco mais de um dia após o amistoso contra o Castanhal, anteontem.
“Ainda não temos um time fechado. Acho que ainda faltam mais uns três ou quatro atletas para o grupo ficar pronto para a disputa da primeira fase, mas a equipe tem melhorado bastante com os treinos”, admitiu o técnico Lecheva.
O comandante cruzmaltino afirma, no entanto, que espera mais do seu grupo após os trabalhos da semana. “O jogo veio num momento prematuro, mas nos apresentou alguns problemas e nos permitiu treinar determinadas situações ao longo da semana. Acredito que com isso e, se Deus quiser com um gramado seco, o futebol desse grupo vai aparecer mais”, disse Lecheva.
Do lado azulino, Charles precisa gerenciar o grupo conforme as condições dos atletas. “Nós temos um time em mente, mas não dá para priorizar alguns atletas se eles não responderem fisicamente”, afirmou.
Charles define que não é o momento de jogar “no sacrifício”, pois o time ainda está em testes e em processo de entrosamento. “É claro que queremos vencer o jogo e a cobrança virá pesada se não vencermos, mas não vou expor demais nenhum jogador sem necessidade”, disse o técnico.
O charme de um clássico em preto e branco
Tuna e Remo se enfrentando no estádio Francisco Vasques é um jogo que tem gosto de clássico. Clássico das antigas, dos tempos de fotografia em preto e branco e de quando a praça de esportes cruzmaltina era um dos maiores e mais modernos estádios do Pará e as duas agremiações decidiam competições constantemente.
Voltar ao Souza para ver um duelo entre as equipes remonta a outros tempos, como na década de 50 em que os rivais se enfrentavam nas finais com uma frequência elogiável. E 1958 todos os clássicos daquela temporada foram disputados no estádio do Souza e a final se deu numa melhor de cinco, decidida no quarto jogo. “O time daquela temporada foi realmente um dos melhores da história da Tuna. Fomos campeões com o artilheiro e vice da competição, China com 15 gols e Estanislau com 14”, lembra o senhor Raimundo Quaresma, 80 anos e torcedor tunante desde criança.
Quaresma afirma que sente saudades dos tempos em que o clássico mobilizava mais a cidade. “Tuna e Remo deixavam torcedores do lado de fora do estádio. Não me lembro de um clássico vazio entre os dois times. Ficaria feliz de ver o Souza lotado outra vez neste domingo” diz o torcedor.
Mas se jogar em casa traz vantagens de conhecer o terreno, o torcedor cruzmaltino diz que isso não entrava tanto em campo. “Em clássicos tudo acontecia. Em 53, eles nos venceram em casa, na estreia da competição. Acabaram campeões aquele ano. Eram jogos difíceis, fosse onde fosse”, diz Quaresma.
(Diário do Pará)
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