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ESPORTE PARÁ

Entre a paixão e a preocupação

Mesmo tendo pendurado as chuteiras, no ano passado, o atacante Zé Augusto, o “Terçado Voador”, 39 anos, continua sendo uma espécie de xodó da torcida do Paysandu. E nem poderia ser diferente, afinal de contas, o maranhense nascido na cidade de Barra do Co

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Mesmo tendo pendurado as chuteiras, no ano passado, o atacante Zé Augusto, o “Terçado Voador”, 39 anos, continua sendo uma espécie de xodó da torcida do Paysandu. E nem poderia ser diferente, afinal de contas, o maranhense nascido na cidade de Barra do Corda, mas que se considera paraense por adoção, passou 18 anos de sua vida profissional vestindo a camisa alviazul. O grau de paixão da Fiel com o ex-ídolo pôde ser medida na decisão do Paraense de 2012, quando, mesmo sem jogar, o ex-atacante foi ovacionado pelos torcedores ao término da partida contra o Paragominas.

Neste bate-papo que segue, o ex-jogador fala da paixão que dedica ao clube, mas principalmente da atual situação do time na Série B do Brasileiro. Em um dos pontos da entrevista, “Zé da Fiel”, outro apelido carinhoso que ganhou do torcedor, diz ter sido surpreendido com o retorno do técnico Givanildo Oliveira à Curuzu. Ele acusa ainda alguns jogadores do clube de não estarem se empenhando como deveriam e outros de não ter qualidade para jogar pelo Papão. Acompanhe.

Que avaliação você faz do momento bicolor?
Apesar de ter chances de evitar a queda, vejo a situação do Paysandu, no momento, com certa preocupação. Não dá para pensar diferente. Basta pegar a classificação do campeonato e ver que é mesmo uma situação crítica. Essa questão de o time não conseguir vencer fora é de chatear. Todas as demais equipes já venceram como visitante e o Paysandu não. O pior é que o Paysandu tem adversários difíceis, fora de casa, nas próximas rodadas. Mas, pela história e tradição que tem, acho que dá para confiar na volta por cima do time. Seria muito ruim, no ano de seu centenário, ver o Paysandu de volta à Terceirona.

O que está faltando para o time engrenar?
Tenho acompanhado os jogos do Paysandu e o que percebo é que falta um pouco mais de entrega por parte de alguns jogadores. Não há aquela dedicação que é sempre cobrada de quem veste a camisa do Paysandu. Muitas das vezes o time até consegue se apresentar bem, mas, no final, acaba entregando o resultado. Foi assim contra o Figueirense-SC, por exemplo. O curioso é que o plantel tem as suas qualidades. É evidente que o grupo tem as suas deficiências, mas nada que justifique a campanha que faz.

Em sua opinião, houve falha nas contratações feitas pelo clube?
Claro que sim. Faltou um pouco mais de critério na vinda de alguns jogadores, que não estão no nível de uma Série B e mesmo das tradições do Paysandu. Houve falha também na preparação do time. Não adianta contratar um monte de jogadores e não aplicar uma preparação adequada. A coisa não funciona. Mesmo em clubes de ponta com grandes craques.
Você acha que o jogador local, feito no próprio clube, deveria ter mais espaço no elenco?
Acho que o jogador local não pode reclamar da falta de chance. As oportunidades foram dadas para cada um deles. Nesse aspecto, acho que foi feita uma boa mescla entre gente vinda de fora e os atletas daqui. Basta ver que Pablo, Raul, Héliton, Aleílson e outros tiveram suas chances. O que faltou, ao meu ver, foi uma sequência de partidas a esses jogadores. Muitas das vezes o treinador e o torcedor não têm paciência com o jogador local. Existe diferença no tratamento dado a quem vem de fora e o pessoal local.

O torcedor está certo ao protestar?
O torcedor só protesta quando não há resultado. Quando a vitória não acontece, o torcedor fica sempre na bronca, pois sofre com as gozações. Quando o time joga mal e vence, o torcedor nem liga. Esses protestos, na minha visão, são justos, afinal o torcedor paga ingresso. O que não pode acontecer é a violência. Aí sou contra. Jogador que não quer ser cobrado tem de jogar em time sem torcida, o que não é o caso do Paysandu.

A diretoria tem culpa pela fraca campanha do time?
Cada um tem a sua parcela de culpa. A diretoria não está sozinha. Claro que a responsabilidade tem de ser dividida entre todos, incluindo diretoria, comissão técnica e jogadores. O erro é no geral. Não dá para culpar só a diretoria.
Como torcedor do Paysandu você tem sofrido muito com essa sequência de resultados ruins do time?
Não tem como não ficar triste. São 18 anos de Paysandu. Tenho uma ligação muito grande com esse clube. Francamente não esperava uma campanha tão ruim. Espero que esse momento passe o mais rápido possível. Ainda há chance para isso.

Você continua indo aos jogos do Papão?
Quase todos. Quando não vou ao estádio, assisto pela televisão. Sou Paysandu, não tem como. O melhor jogo que vi do Paysandu, curiosamente, ele perdeu, que foi aquele contra o Palmeiras. Vi o time, naquela partida, mostrando aplicação em campo.

Por que o Givanildo não deu certo nas últimas vezes que esteve na Curuzu?
Imaginava que o Givanildo nem voltasse mais ao Paysandu. Pelo nome e a história que ele tem dentro do clube, acho que deveriam ter poupado o Givanildo dessa situação. Ele nem deveria ter sido contratado para preservar suas grandes conquistas na Curuzu. Tenho um grande respeito por ele, que sempre me deu apoio nos momentos ruins. Acho que não era o momento dele voltar. Seria melhor dar a chance a outro treinador.

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