Se a primeira partida amistosa entre Clube do Remo e Tuna Luso foi marcada pela forte chuva que desabou sobre o estádio Baenão, o jogo de ontem foi marcado pelo calor intenso durante os noventa minutos do jogo disputado no Souza. Sob um sol escaldante, o Leão venceu a Águia por 2 a 0, apesar do desgaste físico por ter jogado duas partidas num período de menos de três dias. Após esse amistoso, o Remo deve voltar a campo na próxima sexta-feira (25), para enfrentar o Independente, em Tucuruí. Já a Tuna, que estreia na primeira fase do Parazão 2014 dentro de duas semanas, deve marcar mais um amistoso nos próximos dias, antes de encerrar a preparação para o torneio.
O primeiro tempo foi marcado pela pouca qualidade técnica da partida. Ambas as equipes mostravam dificuldades de posicionamento da defesa no setor do meio campo e seus ataques, pouco inspirados, se atrapalhavam com as zagas adversárias, gerando poucas chances de perigo. As coisas só começaram a melhorar após a parada técnica para reidratação dos atletas.
Aos 27 minutos, Leandro Cearense recebeu sozinho dentro da área e chutou para a defesa de André Luís. A Tuna, dois minutos depois, respondeu com Gleissinho, emendando chute forte de fora da área e obrigando Fabiano a fazer uma grande defesa.
Aos 37, Val Barreto chutou de fora da área e acertou o travessão do cruzmaltino. E aos 41 minutos, Tayson, um dos destaques da Lusa na partida, chutou com perigo de fora da área.
Na segunda etapa, o jogo caiu nas mãos da equipe cruzmaltina a partir dos 15 minutos, com o Remo, aparentemente cansado, se limitando a se defender dos avanços tunantes – principalmente através de Adriano Miranda e dos laterais Gleissinho e Gabriel, mas os donos da casa pecavam muito na finalização.
Aos 26 minutos, um lance polêmico. Adriano Miranda caiu na área reclamando de puxão, mas o árbitro não marcou pênalti e ainda puniu o jogador tunante com cartão amarelo.
Na saída de bola o Remo chegou ao ataque e sofreu falta na entrada da área. Após a cobrança, a bola pingou dentro da área e Leandro Cearense acerta um chute enquanto caía e abriu o marcador.
A Tuna sentiu o gol e começou a abrir espaço para Remo encaixar mais seu jogo. Num contra-ataque, aos 32 minutos, Branco arrancou do meio de campo, invadiu a área e chutou sem defesa para André Luís.
Após o segundo gol remista, os técnicos Lecheva e Charles Guerreiro passaram a promover experiências colocando muitos atletas das equipes sub-17. O jogo diminuiu de ritmo e o placar não foi mais modificado.
Setor ofensivo é o problema da Tuna Luso
O jogo permitiu que o técnico Lecheva fizesse novas avaliações e procurasse soluções para os problemas do time. “Já tínhamos identificado uma carência no setor ofensivo. Estamos procurando reforços para o ataque e criação antes de fecharmos o grupo para a primeira fase”, explica o treinador.
Para o técnico da Tuna, o pênalti não marcado sobre Adriano Miranda foi decisivo para o resultado da partida, mas ele não lamentou a decisão do árbitro. “No final das contas, o jogo era para avaliar. A equipe principal jogou muito bem. No segundo tempo mudamos o time praticamente todo, então já esperávamos uma queda de rendimento. O resultado em si não é tão importante quanto à movimentação. Alguns atletas da base fizeram seu primeiro jogo como profissionais”, explica Lecheva.
Contratações
Segundo informações de bastidores, o zagueiro Charles, o lateral-esquerdo Rayro e o meia Flamel, do Águia de Marabá, se apresentariam à Tuna para jogar a primeira fase do Parazão 2014. Durante a partida de ontem, no entanto, surgiu a informação que as contratações não iriam mais ocorrer, porque o time marabaense também vai competir no mesmo campeonato. Confrontado sobre essas informações, o técnico Lecheva respondeu com bom humor. “Não sabia nem que eles viriam, tampouco que eles agora não vem mais. Então, para mim, é tudo novidade”.
Após ser criticado, Charles Guerreiro discute com torcedores
Ao final da partida em que o Clube do Remo venceu a Tuna Luso, chamou a atenção, em meio às comemorações do time azulino, a atitude de um grupo de torcedores. Insatisfeitos, eles se aproximaram do alambrado e começaram a hostilizar o técnico Charles Guerreiro, com xingamentos e pedidos de saída. Quando o treinador se aproximou da torcida para tirar satisfações, os ânimos se acirraram e atletas e diretoria foram junto ao técnico para ajudar a apaziguar a situação. “É lamentável isso. Jogamos na sexta-feira (18) de noite. Estamos arrebentados, mas viemos a campo e vencemos, não tem porque esse tipo de situação! É só começo de preparação, não tem competição nem nada. Não entendo o que eles querem”, declarou o zagueiro Henrique, durante a confusão.
O desentendimento teria começado quando Charles pediu a substituição de Branco para colocar o garoto Raylan. O grupo de torcedores teria começado a reclamar do treinador, que, ao final da partida, virou para o grupo e fez sinal de silêncio com as mãos, o que gerou a irritação. Charles ficou chateado com a situação, mas acredita que as vaias não representam a mairoia. “Acho que foi algo comandado. Havia uma meia dúzia de torcedores que, desde que a gente fez 1 a 0, começaram a me xingar e ao time, e não pararam até o final do jogo. Quando o Branco fez o gol, eu apontei para eles e disse que era para eles valorizarem o que tinha aqui e o trabalho que estava sendo feito”, explicou o técnico azulino.
Sobre o jogo, Charles elogiou a atitude dos seus jogadores, que mesmo muito desgastados fisicamente não se abateram e conquistaram a vitória, e a disposição de atletas como Branco que assumiram funções diferentes no jogo por falta de atletas. O goleiro Fabiano exaltou os resultados do time após essa maratona de sexta para domingo. “Temos que agradecer muito a Deus por não ter terminado o jogo com ninguém lesionado. Jogar num sol como esse, com o pouco tempo para descansar que a gente teve e ainda conseguir, senão o nosso melhor nível, mas um nível competitivo de atuação, é porque o grupo foi guerreiro”, comentou o arqueiro.
(Diário do Pará)
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