Apesar de toda agitação e calor da longa noite da última sexta-feira (18), quando o Paysandu perdeu em casa para o Avaí-SC, em plena Curuzu, que se transformou em um campo de guerra, pela Série B do Campeonato Brasileiro, o técnico Vagner Benazzi procurou manter a tranquilidade em suas declarações. Após o treino secreto para despistar a torcida, ontem de manhã, em Ananindeua, o treinador reforçou que lamentou o ocorrido, mas mantém a confiança. “Se você quer saber se em algum momento ficou a dúvida sobre a minha permanência no comando do Paysandu precisa perguntar à direção do clube. Da minha parte, nunca cogitei abandonar o barco”, garante.
Para o técnico, não existe mais clima para o lateral-esquerdo Gilton, que falhou no primeiro gol na derrota para o Avaí, continuar no clube. “Lamento sua saída, porque agora terei de improvisar sempre”, explica.
Além de Gilton, o experiente atacante Iarley também não faz mais parte do elenco bicolor. “Os atletas são livres para ficar ou sair se quiserem. Quem ficar, precisa vestir a camisa do clube e lutar até o fim conosco. Já salvei o Paysandu em 2004, e mesmo outros times depois, mas essa reação, que não é fácil, depende dos jogadores em campo, não só de mim”, ressalta Benazzi.
Em função dos acontecimentos da última partida, os jogadores seguiram do estádio da Curuzú para a concentração, onde ficaram blindados do contato com torcedores. Os treinamentos e atividades programadas para o estádio bicolor foram todos remarcados para outros locais e assim, longe de sua torcida, Benazzi realizou treino coletivo ontem de manhã, em preparação para o jogo desta terça-feira, contra o ABC-RN.
O confronto, a princípio, está marcado para o estádio da Curuzu, mas a direção do clube, junto com a Federação Paraense de Futebol (FPF) e órgãos de segurança pública, tenta a transferência para o Mangueirão.
Em campo, Benazzi treinou o Paysandu com uma equipe levemente diferente da que enfrentou o Avaí – Max foi improvisado na lateral-esquerda. No ataque, Careca ganhou o posto de Dennis e deve começar o jogo ao lado de Marcelo Nicácio. O técnico fez algumas experiências durante o treino, colocando Alex Gaibú na esquerda e trocando Diego Barboza por Jaílton e Eduardo Ramos por Cássio.
Além dos treinamentos, o grupo tem participado de reuniões e palestras junto à direção do clube e comissão técnica. “Nessa reta final, nós temos uma missão dificílima e todos tiveram uma mostra do que é a pressão de jogar no Paysandu quando as coisas não dão certo. Só queremos atletas comprometidos com a manutenção na série B e a direção já expôs que quem não quiser pode indicar que terá sua rescisão facilitada”, avisa o técnico.
O Paysandu realiza mais um treino nesta segunda-feira, às 19h30h. O trabalho, inicialmente marcado para a Curuzu, deve ser transferido para o Mangueirão.
Ainda pode piorar mais...
A confusão que encerrou a partida entre Paysandu e Avaí promete graves desdobramentos aos bicolores. O Papão perdia para o time catarinense, quando um grupo de baderneiros começou a sistematicamente arremessar objetos para dentro do gramado. Após alguns minutos, a confusão cresceu ainda mais com briga entre torcedores e policiais militares nas arquibancadas, além de ameaças de invasão do campo. A súmula do árbitro Grazianni Maciel Rocha detalha esses momentos de tensão que deflagraram no final da partida e levantam a dúvida: se pelo arremesso de copos plásticos, o Paysandu perdeu quatro mandos de campo na Série C 2012, que punição o clube sofrerá após o último jogo?
Segundo o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), o Paysandu pode ser incluído em dois artigos, os de número 211 e 213, que versam sobre as condições de segurança para realização do evento e prevenção de tumultos e confusões. Aparte as multas, o primeiro artigo é o que gera mais preocupações. Por condenação nesse artigo, o Coritiba teve seu estádio interditado durante todo primeiro turno da Série B 2010, após a confusão no estádio Couto Pereira, na última rodada do Brasileirão 2009, quando o time foi rebaixado.
Na súmula, o árbitro do jogo do Paysandu destaca que paralisou a partida aos 31 minutos, mas tentou reiniciá-la, o que não foi possível em função do comportamento da torcida. “Após um minuto do reinício da partida, a mesma foi interrompida novamente com outros incidentes: briga generalizada na arquibancada da torcida do Paysandu, onde os mesmos subiam no alambrado e ameaçavam adentrar ao campo de jogo”, relatou Grazziani, no documento. O árbitro também foi minucioso na descrição dos objetos arremessados. “Bombas, copos, garrafas, esqueiro, maçã, laranja, chinelo e pedras e, utilizaram sinalizadores”. Após 12 minutos, ele concluiu que não havia mais condições de dar continuidade ao jogo, por falta de segurança.
Para o presidente Vandick Lima, a confusão que ocorreu na Curuzú pode ter sido causada por um grupo isolado. “Acredito que o que aconteceu partiu de uma torcida organizada, que deve alugueis ao Paysandu pelo espaço que tem utilizado no estádio”, disse Vandick, sem revelar, porém, o nome da torcida.
Vandick confirma que o clube subsidia a torcida, que pega ingressos para os jogos por metade do preço, e lamentou a situação porque, nas palavras do dirigente, o clube tem procurado negociar com o grupo. “Só estamos procurando regularizar a situação das lojas na Curuzú, dialogando para resolver da melhor maneira possível. Após isso, não consigo ser otimista. Acredito que o clube vai perder mandos de campo e não tem mais jogos na Curuzu”, lamentou.
Advogado do clube acredita em absolvição
O departamento jurídico bicolor tem estado muito atarefado desde a deflagração da confusão da última sexta-feira (18), na Curuzu. “Ainda durante a partida, nós acionamos um advogado do clube para ir à delegacia e prestar boletim de ocorrência contra os torcedores detidos durante a confusão. Infelizmente ao chegar à seccional de São Brás ele descobriu que a delegada de plantão havia liberado os torcedores, por achar eles não haviam cometido nenhum delito”, lamentou o diretor jurídico do clube, Alberto Maia, que afirma que o Paysandu deve prestar denúncia contra a delegada na corregedoria da Polícia Civil.
Maia afirma que esse é o primeiro esforço no sentido de preparar o clube para um possível julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da súmula da partida. “Estamos procurando cercar o Paysandu de cuidados para mostrar que o clube tem cumprido o que lhe cabe para garantir a segurança do espetáculo, como identificação dos culpados e sua punição”. Apesar dos temores de punição, Maia acredita na isenção de pena com base no que já aconteceu nesta Série B, no jogo entre ABC-RN e Palmeiras. “Houve invasão do gramado e superlotação das arquibancadas, mas o clube se cercou de laudos e documentos e reverteu a punição para uma multa de R$ 30 mil. Estamos tomando todas as medidas para que o mesmo aconteça com o Paysandu”.
(Diário do Pará)
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