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ESPORTE PARÁ

Paysandu enfrenta jogo-chave para sair da zona

O jogo entre Paysandu e ABC é um duelo que remete a rivalidade e duelos dramáticos, como uma partida decisiva no Campeonato Brasileiro da Série B de 1991. Naquele ano, o Paysandu, que acabaria campeão, conquistou a vaga na final e o acesso à primeira divi

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O jogo entre Paysandu e ABC é um duelo que remete a rivalidade e duelos dramáticos, como uma partida decisiva no Campeonato Brasileiro da Série B de 1991. Naquele ano, o Paysandu, que acabaria campeão, conquistou a vaga na final e o acesso à primeira divisão num polêmico duelo contra o time potiguar, na Curuzu, dia em que o alambrado do estádio desabou. O jogo desta terça-feira, às 18h30, no Mangueirão, não vale vaga à Série A, mas é tão importante quanto: pode decidir o futuro dos bicolores na competição. Uma vitória do Paysandu não o tira da zona de rebaixamento. Uma derrota, porém, abriria uma desvantagem de oito pontos em relação ao primeiro time fora da zona de rebaixamento, o próprio ABC.

Para a batalha desta terça, o técnico Vagner Benazzi adotou a tática é do mistério. “Eu não tenho dúvidas sobre quem vai jogar, mas não vou divulgar até a hora do jogo. Quero olhar nos olhos desses jogadores até o último minuto e ver o que cada um pode oferecer”, argumenta o comandante, que pediu para que o grupo entrasse em regime de concentração desde a última sexta-feira (18), após a derrota em casa para o Avaí.

As ausências confirmadas são o atacante Iarley, o lateral-esquerdo Gilton, que deixaram o clube, e o goleiro Paulo Rafael, lesionado. Como apenas Gilton era titular, Benazzi releva. “É apenas uma posição a ajustar. Quem entrar será bem guarnecido pelos volantes, não creio que isso vá ser um problema”.

Se há um aspecto que pode deixar o torcedor bicolor animado é a quantidade de desfalques do adversário. O ABC chega a Belém sem quatro titulares –o volante Edson, o zagueiro Flávio Boaventura, o lateral Somália e o meia Giovanni Augusto. Na rodada passada, o adversário dos bicolores perdeu em casa por 4 a 2 para o Guaratinguetá, mas o técnico Roberto Fernandes é otimista. “Perdemos quando ainda podíamos perder. O time segue a cinco pontos do Z4. Agora é gerenciar os resultados para se manter na Série B”, almeja.

Rival pode servir de inspiração

De virtual equipe rebaixada à Série C, o ABC se converteu e virou a grande sensação da reta final da competição com a sequência de seis vitórias seguidas que o tiraram da zona de rebaixamento. Apesar da derrota em casa por 4 a 2 para o Guaratinguetá, o time potiguar permanece com cinco pontos de vantagem sobre o Atlético-GO, primeira equipe do Z4. Essa reação se deu, em grande parte, a partir da contratação do técnico Roberto Fernandes, que fez um pacto ousado com a direção do clube e, após a chegada de 14 jogadores, conseguiu fazer o time reagir. “A gente precisava mudar. Fizemos a mudança e demos a sorte dos atletas contratados darem a resposta positiva”, disse o comandante do adversário bicolor, durante o treino de ontem à tarde, no Baenão.

Roberto Fernandes diz que dentro do elenco havia uma sensação de conformidade dos atletas com o rebaixamento, mesmo com vários jogos ainda por disputar, e ele disse que não havia como trabalhar desse jeito. “Do jeito que estava, não havia como mudar o quadro. A maioria dos jogadores já estava até naturalizando as derrotas. O mérito é todo dos atletas e da diretoria que apoiou o projeto”, explica o comandante alvinegro. O técnico diz que é legal curtir a sensação de destaque, após a sequência de vitórias, mas avisa que é preciso gerenciar a confiança. “Confiança é uma faca de dois gumes, porque ela motiva, mas também acomoda. Na dose certa é remédio, na dose errada é veneno”, finaliza o treinador.

Primeira consequência: Curuzu é interditada por trinta dias

Um ofício da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) emitido ontem determinou a suspensão de jogos no estádio da Curuzu até que sejam julgadas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) as irregularidades relatadas na súmula de Paysandu 0x2 Avaí. A determinação foi encaminhada pelo diretor de competições da entidade, Virgílio Elísio, e tem vigência de 30 dias, ou até que o julgamento seja realizado. Com o ofício a Federação Paraense de Futebol (FPF) transferiu a partida desta terça-feira, contra o ABC, para o Mangueirão, assim como estavam agendados os próximos jogos do Paysandu em Belém. Caso o clube seja punido no STJD com perda de mando, deverá mandar suas partidas em estádios a pelo menos 100 km de Belém, como a Arena Verde, em Paragominas, o estádio Navegantão, em Tucuruí e Parque do Bacurau, em Cametá.

Nos bastidores

O presidente bicolor, Vandick Lima, afirmou ontem que a estratégia do departamento jurídico do clube para evitar a punição do STJD é, à princípio, adiar o julgamento para depois da competição. “Faltam apenas 45 dias para o final da Série B. Perder mando de campo, a essa altura, poderia ser fatal na luta para a permanência na competição”, disse Vandick.

Ainda segundo o mandatário do clube, a sua parcela de culpa no estado em que o time se encontra na Série B é grande. “Muitas contratações este ano eu não fiz, mas eu poderia ter vetado. Porém, preferi dar apoio às pessoas responsáveis pelas contratações e agora tenho que assumir minha parcela de culpa. Fizemos muitas coisas esse ano que não vinham sendo feitas, como a construção de uma academia, pagamento de elenco, funcionários e fornecedores, além de busca de certidões negativas. Mas, é aquela coisa, se o futebol vai mal, então deu tudo errado”, desabafou o dirigente.

Vandick diz que seria desastroso ter de recomeçar os trabalhos no ano que vem com o time rebaixado à Série C. “Acredito que o Paysandu está hoje num ritmo de crescimento que ele precisa se manter na Série B para dar continuidade. Eu acredito no nosso grupo, mas acima de tudo estou torcendo para que o grupo reaja e mostre sua força”, confia.

Por fim, o mandatário bicolor critica a falta de união dentro do clube, e roga que as pessoas deixem as diferenças de lado nesse final de ano. “Eu peço até que quem não gosta do presidente dê um tempo. São apenas mais 45 dias. Depois de conquistada a permanência na Série B, pode descer com todas as críticas sobre a gente, mas no momento precisamos concentrar forças para livrar o time do rebaixamento”, apela Vandick.

(Diário do Pará)

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