Quando Vandick era ídolo bicolor nos gramados, uma tragédia o motivou a parar. A eliminação da Libertadores 2003, quando muitos torcedores foram a pé para o estádio para ver o time jogar porque a cidade estava sem ônibus, fizeram o atleta entender não tinha mais como ajudar em campo e era hora de parar. Dez anos depois, Vandick ressurge no Paysandu, dessa vez como presidente do clube. Apesar de algumas conquistas nessa primeira temporada uma possível tragédia pode marcar o final de seu primeiro ano como gestor do Papão da Curuzu – o rebaixamento à Série C.
Seria esse um motivo para mais uma mudança de rota do presidente bicolor? “Se ao final os conselheiros, torcedores e sócios concluírem que a culpa é só minha, eu não tenho problemas de ir embora. Mas eu não acredito que a culpa seja toda minha, assim como também acredito que há tempo para que o time se salve”, disse o presidente bicolor.
É evidente para qualquer torcedor apontar alguns erros na condução do time de futebol, o que já não é tão evidente são as reformas e transformações que o clube tem passado em paralelo a isso. “Hoje temos departamentos dentro do Paysandu que funcionam de forma autônoma, com seu próprio orçamento e recursos. O basquete bicolor formou parceria com o grupo Horizonte, que não só patrocina todas as categorias do basquete como banca a manutenção do nosso ginásio. Aliás, o ginásio tem seus próprios patrocinadores hoje”, diz o presidente bicolor.
O plano é que todos os departamentos do clube consigam construir essa autonomia. Para isso, o clube, através de seu departamento jurídico, tem corrido para obter as Certidões Negativas de Débito. “Com elas o clube pode requerer patrocínio através da Lei de Incentivo ao Esporte. Temos projetos e patrocinadores interessados em investir, mas por falta das certidões ainda não pode concretizar o patrocínio”, diz Vandick.
O presidente bicolor diz ter noção que o ano que vem, independente do rebaixamento, há de ser um ano muito importante para o Paysandu por conta do centenário do clube, mas que um rebaixamento poderia atravancar muitos projetos para o crescimento do clube. “Temos o projeto de Centro de Treinamento, cujas obras já começaram, a reforma da Curuzu, o projeto de Sócio Torcedor, que já tem mais de 2 mil membros e esperamos chegar até 10 mil no próximo ano… Tudo isso vai ser comprometido em caso de rebaixamento. Se hoje conseguimos manter esses projetos sem atrasar salários de atletas e funcionários, é porque organizamos as finanças do clube em cima do que a Série B proporciona. Cair para a Série C seria como começar do zero”, finalizou.
(Diário do Pará)
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