O técnico do Paysandu Wagner Benazzi tem se visto, nas últimas semanas gerenciando dificuldades. Da tensão após os acontecimentos da partida contra o Avaí, onde alguns jogadores abandonaram o clube e a missão de fugir do rebaixamento se tornou mais difícil, aos desfalques que aparecem nessa reta final com sucessivos jogos fora de casa. O técnico bicolor, no entanto, acredita que é nessa dificuldade que ele tem construído um time forte e coerente. “Eu acredito no grupo, sempre acreditei. Perdemos jogadores toda rodada, com muitos atletas saindo por lesão, mas isso tudo é fruto do esforço, da luta para garantir o resultado. Nunca pedi para um atleta aliviar, peço é para brigar pela bola para ganhar no jogo. Se tiver que jogar com 14 jogadores, 11 na linha e 3 no banco, mas esses 14 se doarem nós vamos para o jogo!”, disse Benazzi.
Parece paradoxal falar em falta de opções no grupo bicolor, quando todos os técnicos contratados durante o Brasileiro comentaram o inchaço no plantel do clube, mas Benazzi afirma que esse número ilude. “Não me interessa saber se o grupo tem 40 e poucos jogadores porque o presidente gosta de X, diretor de Y e a torcida de outro tanto. Quero atletas com quem posso contar e não é com todos os jogadores nós podemos contar. Alguns jogadores se acostumaram à derrota, aos resultados adversos e não tem como ir a campo com uma mentalidade dessas”, disse o comandante.
Benazzi tem particular atenção para um pequeno grupo que, nas palavras do técnico, não têm rendido o que podem.
“Tem 3 ou 4 jogadores no grupo que a gente conhece a qualidade por passagem em outros clubes, mas que caíram nessa zona e não tem rendido. Converso muito com eles para ver se eles voltam a alcançar esse potencial. Não converso para derrubar, converso para poder contar com eles nesse grupo de guerreiros” definiu Benazzi.
Técnico vai de 4-4-2 de olho no Coelho amanhã
A cidade de Belém amanhecia agitada nesse domingo. De um lado fogos, festividades e as últimas homenagens da quadra nazarena na data que marcava o encerramento dos festejo de Círio de Nazaré. Do outro milhares de jovens correndo preocupados e revisitando pela última vez suas anotações pensando nas provas do Enem. Já no Paysandu, alheio a toda essa agitação e até mesmo ao nervosismo da luta contra o rebaixamento, os atletas realizaram um novo treino coletivo no gramado da Curuzu. Num treino mais curto, em relação aos anteriores, Wagner Benazzi voltou a trabalho o Paysandu no 4-4-2, promovendo novas mudanças no time que jogou com Diego Barboza na lateral esquerda, Eduardo Ramos e Jaílton no meio campo e Careca e Marcelo Nicácio no ataque.
Benazzi defendeu a escalação com dois zagueiros e quatro homens no meio campo como uma opção tática pensando no adversário. “Eles jogam com 3 atacantes. Não adianta ficar só defendendo, você precisa fazer o time jogar nas três partes do campo. No meio campo, que é onde a bola se desenrola para chegar no ataque, é bom você ter uma marcação mais apurada, então ao invés de tentar uma marcação na defesa eu tentei uma marcação a partir do meio campo” defendeu o técnico do Papão.
O coletivo desse domingo também foi marcado pelas conversas. Antes do coletivo, durante o coletivo – parando jogadas para explicar situações – e depois, com todo o grupo. “As vezes uma conversa você resolve problemas de um treino. O grupo está desgastado fisicamente, então temos procurado fazer treinos mais curtos e tomar algumas providências para os atletas chegarem mais descansados aos jogos” comentou o técnico Benazzi. O volante Zé Antônio defendeu a opção do técnico pelo bate-papo. “Numa conversa você se acerta, você se ajusta. O treinamento é bom, é importante ninguém defende que devemos parar de treinar, mas o Benazzi é consciente e tem utilizado as conversas para reforçar a confiança do grupo enquanto poupa a parte física”, disse o volante.
(Diário do Pará)
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