Decidido a aproveitar os resultados favoráveis da última rodada para diminuir ainda mais a distância para o ABC-RN e fugir da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro da Série B, o Paysandu vai a campo hoje, às 20h (horário de Belém), em clima de decisão para encarar o América-MG, no estádio Independência, em Belo Horizonte. Se vencer, empata na pontuação com o primeiro time fora da zona de rebaixamento, de onde pode sair na rodada seguinte. Se empatar ou perder, pode ver o Atlético-GO, que também cumpre jogo extra nesta terça-feira, abrir vantagem de três pontos e complicar a luta pela permanência.
Se pelo lado bicolor a partida é decisiva, para o time mineiro também é de extrema importância. A quatro pontos da zona de acesso à Série A, o Coelho precisa acabar com a má fase de não vencer em casa – já são cinco jogos sem vitória. Para tentar mudar a estatística, a diretoria do clube colocou ingressos a preço promocional de R$ 5 e espera transformar o estádio Independência, o ‘Horto’, em um caldeirão.
O técnico Vagner Benazzi partiu com uma escalação ousada para a partida. Sem contar com um lateral-esquerdo de origem e com o Pablo, que melhor vinha cumprindo a função entre os improvisados, o treinador aposta no meia Diego Barboza para a posição, deixando o Papão em sua escalação titular com três meias – Jaílton, Barboza e Eduardo Ramos – e dois centroavantes – Careca e Marclo Nicácio. “Não tem mais espaço para errar. Todo jogo agora é decisivo e precisamos pontuar, seja em casa ou seja fora, e vamos jogar para frente. Temos um esquema bem fechado no meio campo e cheio de atletas com poder de criação, então vamos explorar isso”, avisa Benazzi.
Do lado dos donos da casa, o técnico Silas teve um período particularmente longo para preparar seus comandados: dez dias. Além de treinos físicos, táticos e técnicos, o América chegou a disputar até um jogo-treino. “Foi um tempo bom para preparar o grupo. Temos muitos detalhes para acertar se quisermos chegar ao acesso, e é bom contar com essas pausas para corrigir falhas”, explica o treinador, que mostrou muita preocupação com a defesa do Coelho nos últimos treinos. Por isso, ele trabalhou situações de defesa na bola parada, para tentar para o ataque bicolor.
Coelho tem caído muito no ‘Horto’
O América-MG vive uma situação paradoxal na Série B. Com 48 pontos, o time está a apenas quatro da zona de classificação à Série A. Como visitante, a campanha do time mineiro é digna de um postulante a título, com oito vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Dentro de casa, no entanto, a trajetória tem sido pior do que alguns times que brigam contra o rebaixamento. O América venceu apenas três jogos, perdeu outros três e empatou oito.
Para o atacante Alessandro, o Coelho tem padecido de excesso de confiança quando joga em casa. “Em casa, a gente não tem trabalhado a bola como trabalhamos fora. No Independência, a gente acha que vai fazer o gol a qualquer momento, mas o futebol está muito estudado”, afirma o atacante. Alessandro espera que essa ansiedade se dilua nos próximos jogos. “São apenas mais duas partidas como mandante e precisamos tirar a lição dos últimos jogos. Se não tivermos tranquilidade, a vitória não vem e sem os resultados em casa vai ser difícil subir”, admite.
Para quebrar uma escrita de cinco jogos sem vitória em BH, o técnico Silas aposta basicamente no mesmo time que jogou as últimas rodadas. “A gente não vai mudar. Só vamos usar algumas armas ofensivas de um pouco mais de pressão, porque o tempo nesses dois jogos vai correr contra a gente. Se a gente conseguir fazer um gol, os outros vão ser consequência”, projeta.
Equipe viajou cheia de motivação
Na reta decisiva do campeonato todo tipo de ajuda é válida. Antes mesmo de sair de Belém, o Paysandu procurou reforçar o lado psicológico do seu elenco. Após o último treino na Curuzu, o elenco teve uma palestra motivacional com Evaldo José, palestrante que já havia realizado trabalhos no clube durante a Série C 2012. “Às vésperas do jogo contra o Macaé-RJ conversamos com o grupo. Ajudamos a focar no objetivo, que estava muito próximo, que eles precisavam fazer a sua parcela de sacrifício e doação para que todos saíssem vencedores. O resultado veio e agora estamos de volta para ajudar esse novo grupo a extrair o melhor de si e se superar fora de casa”, explica o palestrante.
O técnico Vagner Benazzi incentiva a iniciativa. Ele participou da preleção de 20 minutos de Evaldo com o elenco bicolor. Ao final, disse que havia a necessidade de jogar com garra, aproveitando o clima de final de quadra Nazarena para fazer uma comparação com o Círio. “Temos um grupo de guerreiros no elenco. Está nas nossas mãos vencer essa guerra. Agora é ser forte e segurar essa corda até o final do caminho”, ressalta o técnico, devoto de Nossa Senhora de Nazaré.
Para o elenco, a sensação é de decisão. O meia Diego Barboza, que vai para sua terceira partida como titular, agora em nova função, afirma que está pronto para atuar improvisado na ala esquerda. “Queremos jogar e ajudar o Paysandu, se o professor nos pedir para jogar na lateral-esquerda, nós vamos dar o nosso melhor. Jogar fora de casa é sempre um desafio, mas o time fez grandes jogos fora de casa e perdeu pontos por bobagens. Depois de todas as conversas e dos trabalhos que fizemos, o torcedor pode ter certeza que não vamos mais bobear como bobeamos nos últimos jogos”, promete o meia bicolor.
Clube já recebeu o novo placar
O Paysandu já conta em seu estádio com o novíssimo placar eletrônico, que a direção há alguns meses havia adquirido. O novo placar foi confeccionado na China e estava embargado, há alguns dias, na Receita Federal. Medindo quatro metros de altura por sete de comprimento, o placar promete ser o maior da região Norte.
Além de servir de sistema de informação durante os jogos, o placar também terá uma função voltada para a área externa, onde o clube deve veicular anúncios publicitários eletrônicos e arrecadar mais verbas. O clube agora deve começar a trabalhar na instalação do placar, que ainda não tem data para ser inaugurado.
Como o Paysandu não vai mais jogar este ano na Curuzu (a diretoria pediu a transferência dos três jogos como mandante que ainda restam na Série B para o Mangueirão) e ainda corre o risco de nem jogar mais em Belém - vai ser julgado nesta quarta-feira pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) -, o placar deve ser inaugurado somente durante o Parazão 2014.
(Diário do Pará)
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