O Paysandu entra em campo hoje, às 18h30 (horário de Belém), disposto a espantar ainda mais o fantasma do rebaixamento à Terceirona do Brasileiro de 2014. O Papão pega o perigoso Joinville-SC, na Arena Joinville, com o desejo de dar sequência aos bons resultados obtidos nas rodadas anteriores, quando derrotou ABC-RN e América-MG. Só a vitória interessa ao time alviazul na luta que trava para se manter na Série B do Nacional do ano que vem. A missão bicolor, porém, não é nada fácil. O JEC, como é chamado o adversário, luta para entrar no G4, grupo dos virtuais promovidos à Série A.
O time catarinense recebe o Papão em situação confortável. A equipe ocupa a 7ª colocação na classificação, estando, portanto, a três degraus do G4. O JEC soma 49 pontos, quatro a menos que o Avaí-SC, seu concorrente no Estado, último colocado da zona de classificação. Para aumentar a confiança da equipe, o grupo vem de duas vitórias seguidas diante do Figueirense-SC e do Paraná-PR, ambas por 1 a 0. Mesmo os desfalques dos laterais Thiago Feltri e Eduardo não quebram a confiança do técnico Sérgio Ramirez (ex-Paysandu) e seus comandados.
As vitórias diante do ABC-RN e América-MG, sobretudo esta, injetaram confiança nos bicolores, mexendo com a autoestima do time, que, ao que tudo indica, passou a ter mais confiança em si. Se antes vencer fora de Belém parecia algo impossível, após a derrota imposta ao Coelho, em pleno Independência, a equipe passou a acreditar bem mais na possibilidade de desbancar o JEC nos domínios do adversário.
O Papão tem, como já se tornou rotina, mudanças em sua escalação em relação ao jogo em BH. Suspenso pelo terceiro amarelo, o volante Vanderson, capitão do time, cede seu posto a Artur, no meio-campo. Na defesa, por opção do técnico Vagner Benazzi, Diego Barboza, muito criticado contra o Coelho, mesmo tendo dado o passe para o gol da vitória alviazul, foi sacado para a entrada de Alex Gaibu, que já havia participado do jogo em BH, com atuação discreta. No mais o time é o mesmo da partida passada.
Artur quer aproveitar a oportunidade e promete muito empenho
O volante Artur será o substituto do capitão Vanderson, suspenso, no jogo de hoje, contra o JEC. A decisão do técnico Vagner Benazzi de escalar o jogador no meio-campo ao lado de Zé Antônio na proteção à defesa surpreendeu. O treinador havia dado a entender que requisitaria Raul ou Pablo, zagueiros que ficaram em Belém, para completar o grupo em Santa Catarina. Mas ele acabou optando mesmo pelo aproveitamento de Artur, que tem tido poucas oportunidades na equipe. O jogador, claro, comemorou a chance que recebeu, prometendo substituir o titular da posição à altura.
“Esperava por essa oportunidade, agora é procurar aproveitá-la da melhor forma possível, fazendo uma grande atuação”, comentou Artur. O volante está consciente de que precisa transmitir à defesa do time a mesma segurança passada pelo titular, um dos melhores jogadores da equipe contra o Coelho. “Sei disso e vou procurar dar o máximo de mim dentro de campo”, argumentou. Com relação ao adversário, o volante procurou colocá-lo no mesmo nível do América-MG, que foi batido pelo Papão na terça-feira.
“São equipes que possuem qualidade e brigam pela classificação, mas contra adversários desse nível, o Paysandu costuma crescer. Espero que seja assim diante do Joinville”, declarou. O fato de a previsão apontar um grande público na Arena Joinville, o meio-campista também minimizou: “Já estamos acostumados com esse tipo de situação, jogando em estádios lotados. Não vejo problema”, concluiu.
Vandick ainda quer jogo no Mangueirão
A diretoria do Paysandu foi surpreendida, ontem, com o conteúdo de um ofício que recebeu da Secretaria de Estadual de Esportes e Lazer (Seel), no qual o órgão do governo, responsável pelo gerenciamento do Mangueirão, informa que o estádio será utilizado para a realização dos Jogos Estudantis no período de 8 a 10 de outubro. Desta maneira, o Papão estaria impedido de enfrentar o Oeste-SP, no local, em jogo marcado para o dia 9, pela 34ª rodada da Série B do Brasileiro.
De acordo com o documento, assinado pelo titular da Seel, Vitor Renato de Miranda, o estádio só estaria liberado para o Paysandu enfrentar o Palmeiras-SP, dia 12.
Ao tomar conhecimento do documento em Joinville, onde acompanha a delegação do Paysandu, o presidente do Papão, Vandick Lima, tratou de agir rápido. Ele revelou à Rádio Clube do Pará que manteve contato com o secretário Vitor Renato para tentar solucionar o problema. “Ele (Vitor Renato) se mostrou sensível à situação do Paysandu e prometeu estudar uma solução para o caso”, revelou Vandick. O dirigente sugeriu, na conversa por telefone, que o jogo, marcado para as 18h30, tenha seu início retardado para as 19h30 ou 20 horas.
“Não vejo outra saída que não seja o adiamento no começo da partida”, declarou o presidente. Sobre a grade de programação da televisão que transmite a Série B, Vandick disse não ver problema. “Como existem outros jogos no mesmo horário do nosso, a TV não seria prejudicada”, argumentou.
O cartola salientou que a Curuzu não pode ser utilizada nem mesmo para jogos locais por determinação da CBF. “Vamos bater na tecla de jogar no Mangueirão, já que não podemos utilizar o nosso estádio e jogar fora de Belém seria muito ruim para o Paysandu neste momento”, observou. A questão, de acordo com Vandick, será resolvida hoje pela manhã numa reunião entre os representantes do clube, Seel e coordenação dos Jogos Estudantis.
Julgamento está marcado para o dia 13
O julgamento do Paysandu pelos incidentes ocorridos no jogo contra o Avaí, na Curuzu, já tem dia certo para acontecer. Será na quarta-feira, dia 13, na 3ª Comissão Disciplinar, do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O advogado do clube, Alberto Maia, que se encontra no Rio de Janeiro, no entanto, tenta adiar pela segunda vez a apreciação do processo, que prevê a perda de 4 a 10 jogos de mando de campo pelo Papão e ainda uma multa que varia de R$ 100 a R$ 100 mil. O julgamento deveria ter ocorrido na última quarta-feira, mas acabou sendo adiado a pedido do advogado bicolor, que alegou não ter reunido toda a documentação necessária para a defesa do clube.
O Paysandu foi denunciado ao STJD em quatro artigos por ter deixado de tomar providências para a segurança da partida. Na oportunidade, torcedores pertencentes a uma das facções do clube, insatisfeitos com a derrota por 2 a 0 para o time catarinense, atiraram objetos para dentro do gramado, principalmente para o banco de reservas do time visitante. O contingente da Polícia Militar, com número insuficiente de policiais, não teve como conter o tumulto que passou a ocorrer dentro do estádio, onde torcedores ameaçavam invadir o campo. Isso fez com que o árbitro resolvesse encerrar a partida aos 36 minutos do segundo tempo, relatando os fatos em seu relatório, que posteriormente foi enviado à CBF.
O advogado Alberto Maia não esconde a sua preocupação com a possibilidade de punição ao Paysandu. “A situação é crítica. São quatro artigos do CBJD e um deles, o 205, fala até em exclusão do campeonato. Estamos muito preocupados com a situação e estamos nos dedicando ao máximo para ao menos amenizar a possível pena”, disse. O advogado foi cauteloso ao falar sobre o desfecho do julgamento. “Não vou iludir o torcedor que nada vai acontecer, o que posso dizer que vamos tentar inocentar o Paysandu, como já aconteceu, ou pelo menos amenizar essa condenação”, afirmou.
(Diário do Pará)
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