Manhã ensolarada de domingo. E como é de praxe, as dependências do estádio Francisco Vasquez foram ocupadas pela pequena, porém tradicional torcida tunante, de olho na estreia do time na primeira fase do Campeonato Paraense 2014, diante do Time Negra. O placar não foi dos melhores, mas o 0 a 0 ao menos deixou as duas equipes na provisória terceira posição, ajudados pelos demais jogos da rodada.
Exatamente 394 pessoas assistiram ao empate sem gols, que, só não teve o placar aberto devido a falta de oportunismo dos atacantes, sobretudo por parte da Tuna Luso, líder absoluta nos 90 minutos de jogo. A cartilha do técnico Lecheva foi posta em prática, mas uma pequena dose de nervosismo frustrou quem esperava a vitória.
As ações de jogo começaram sob o controle cruzmaltino. Pela direita, com Gleissinho, fluíram os melhores lances, em parceria com o meia Diego Silva. Foi deste, por sinal, aos 16 minutos, a primeira ousadia em campo, ao arriscar uma bicicleta, em cruzamento pela esquerda. O Time Negra, por sua vez, desde o início apresentou volume menor e teve, aos 32 minutos, sua melhor oportunidade, em chute forte desferido pelo meia Fininho.
Na segunda etapa algumas substituições de ambos os lados e mais chances foram perdidas. O meio-campo visitante perdeu fôlego. Fininho e Andrey andaram em campo, forçando o técnico Zé Carlos a mudar, trocando o segundo por Cabinho. Lecheva também mexeu. Ramon, Adriano Miranda e Jessé entraram nas vagas de Gabriel, Pedrinho Mossoró e Yuri.
E foi do estreante Jessé a chance de gol mais clara e desperdiçada. Aos 27, Diego Silva iniciou boa jogada, lançando Gleissinho, e após o primeiro arremate errado, a bola sobrou para o atacante errar o chute.
Ponto conquistado no Souza é comemorado pelo Time Negra
O atual campeão paraense da segunda divisão fez sua estreia na fase principal com um empate, que mais pareceu vitória. A conclusão foi constatada pelo técnico Zé Carlos, que, ao final da partida, disse ter passado por cima de muitas dificuldades, todas, com muito esforço, superadas dentro de campo.
“Devido às circunstâncias que nós tivemos durante a semana no que diz respeito a trabalho, contratação de atletas, acho que a minha equipe foi bem, apesar de virmos em busca da vitória, mas enfrentamos um time forte e o ponto nos foi positivo”, comemora o técnico, que tem em sua equipe jogadores experientes, como o zagueiro Thiago Costa (ex-Paysandu), os meias Diego Carioca, Endy e Fininho, mas esbarrou no posicionamento tático imprimido pelo técnico adversário. “É preciso dar méritos ao Lecheva. Ele colocou três atacantes, tirando a nossa sobra de zagueiro. Com isso, nos obrigou a colocar um volante por cima da zaga, ora o Diego Carioca, ora o Endy. Só consegui tirar essa diferença no segundo tempo. Coloquei o Ângelo e tirei o Jaílson, daí criamos três oportunidades, apesar da queda no ritmo de jogo”, completa.
Os poucos lances de perigo criado por sua equipe ainda foram compensados com a defesa salvadora do goleiro Diego Pitanga, nos acréscimos do segundo tempo, em cabeçada do zagueiro San. “Eu toquei na bola. Graças a deus pude ajudar o time e evitar o resultado que seria infeliz para o Time Negra”, detalha o goleiro Diego Pitanga.
Lecheva critica erro nas finalizações
A estreia do técnico Lecheva em jogos oficiais no comando da Tuna Luso não foi bem como ele esperava. E mesmo dominando praticamente o jogo inteiro, o comandante não poupou críticas à falta de empenho dos jogadores na hora da conclusão. Foram pelo menos três grandes oportunidades desperdiçadas, segundo ele. No entanto, não só o fator técnico foi decisivo.
“O inimigo nem foi a pressa, mas sim um pouco de capricho no último passe. Tivemos três bolas no segundo tempo, com saídas na cara do goleiro, mas eles foram enganados pelo gramado, que sabemos ser irregular”, admite Lecheva, sem esconder os lances, que na sua ótica, poderiam render pelo menos dois gols em favor da Tuna Luso, caso não houvesse falha nos passes e arremates.
“Principalmente do meio de campo para frente. Foram muitos passes errados. Na hora de finalizar, deixamos a bola escapar. Tivemos dois lances com o Tayson, um com o Dudu, além da defesa do goleiro deles, após a cabeçada do San. Então, oportunidade nós tivemos, mas infelizmente não aconteceu”, resume.
Em contrapartida, três jogadores que fizeram suas estreias no time profissional mereceram o apoio. O lateral-esquerdo Gabriel e os atacantes Kalindi e Yuri debutaram no futebol profissional. Entre os três, Kalindi obteve maior destaque, sendo de rápida movimentação e articulação pelo gramado. “Imaginei que eles pudessem sentir. Foi o primeiro jogo no profissional deles e seria normal sentir a pressão, mas com o tempo nós acreditamos que eles se adaptem rápido”, encerra o treinador.
(Diário do Pará)
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