Renato William Diamantino, 26, é apaixonado por futebol e peladeiro semanal. “Como todo mundo que joga, eu sonhei em ser jogador um dia, mas a experiência da própria pelada me mostrou que era melhor ficar só jogando por diversão mesmo”, assume Renato. Morador do conjunto Promorar, no bairro de Val-de-Cans, jogar bola no campo da Praça do Marex era um ritual sagrado toda segunda-feira, das 23h às 24h. Até um evento mostrar ao peladeiro que a coisa estava ficando perigosa demais. “Teve uma briga que lá certa vez... Eu não estava nem jogando, mas achei melhor parar depois dela”, relembra.
O jogo era num domingo à noite, numa semifinal do campeonato da praça, no ano de 2003. “A partida corria normal até começar a confusão. Era só um agarra-agarra, mas depois que o juiz expulsou dois de cada time a coisa ficou violenta. Os times partiram pra cima do juiz e um pra cima do outro também. Os amigos e parentes que estavam na arquibancada desceram pro campo e se meteram na briga. Nunca vi tanta gente brigando antes”, lembra William.
Segundo o peladeiro, a confusão ficou tão “empolgante” que algumas pessoas que estavam passando, e não tinham nem ideia do que estava transcorrendo, entravam no campo, brigavam indiscriminadamente até se satisfazer e saíam caminhando ou pedalando como se nada tivesse ocorrido. “Quando começou a voar cadeira, garrafa e bicicleta pra dentro do estádio eu saquei que tava ficando pesado demais e resolvi ir embora e resolvi não jogar mais bola lá depois disso”, relembra William, que ainda voltou algumas vezes pra ver se rolava mais confusão outros domingos. “Sabe como é moleque, não tem noção do perigo e se diverte com essas coisas”, brinca o peladeiro.
FUTEBOL DE ANTIGAMENTE?
Segundo William, o aquecimento para as partidas era ir andando a pé de casa até o campo. “Acho que dá uns dois quilômetros daqui pra lá. Quando eu não ia andando, ia pedalando. Chegava uns dez minutos antes do jogo e já aquecido”, disse. Ele também relembra que os times indicavam o árbitro do jogo a partir de algum colega de equipe que ficava de fora. “Cada time indicava o juiz de um tempo, pra não ter reclamação que foi prejudicado depois”, relembra.
VILA NOVA
William jogava bola só pra descontrair com os amigos. No máximo apostavam que o time perdedor pagava a hora do aluguel do campo. O único lugar onde ele disputou campeonato foi no distrito de Vila Nova, localidade do município de São João da Ponta onde a família costuma passar as férias. “A cidade parava pra assistir o campeonato de pelada. Em julho, jogavam oito equipes, duas delas de jogadores de Belém. Os times daqui eram atração, rolava uma rivalidade com os times de lá. As vezes, por causa disso, só de jogar no time de Belém a gente acabava conhecido na cidade” lembra.
AÇÃO ENTRE AMIGOS
O campo do Marex não era o único que marcou as peladas de William no bairro. “Tinha um campinho que eu e os meus amigos montamos, num terreno abandonado do lado da Arthur Bernardes. Capinamos, colocamos as traves e todo dia a gente arrumava ele. Era todo mundo novinho, então a gente apostava salgadinho e refrigerante nos jogos”, lembra William. O campo foi montado por cima de um aterro e um período de chuvas fortes acabou varrendo a areia e expondo o lixo. Hoje em dia a área segue sem nenhuma ocupação, com a promessa de que ali será construída uma praça. “Já passou até presidente da república nessa área, uns dois governadores e prefeitos disseram que iam fazer a obra, mas até hoje nada”, reclama.
(Diário do Pará)
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