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ESPORTE PARÁ

Torcida opina sobre situação do Papão na Série B

Após a derrota para o Icasa-CE, nesta sexta-feira (14), em Juazeiro do Norte, Ceará, o Paysandu está cada vez mais assombrado pelo fantasma do rebaixamento à Terceirona de 2014. Uma angústia com a qual a Fiel convive há algum tempo e que deve durar até a

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Após a derrota para o Icasa-CE, nesta sexta-feira (14), em Juazeiro do Norte, Ceará, o Paysandu está cada vez mais assombrado pelo fantasma do rebaixamento à Terceirona de 2014. Uma angústia com a qual a Fiel convive há algum tempo e que deve durar até a última rodada, quando o Papão enfrenta, no dia 30, o Sport-PE, no Recife. Antes, pega o Bragantino-SP, em princípio na Arena Verde, em Paragominas. Diz o ditado que enquanto a vida, e neste caso pode-se dizer jogos, há esperança. Pois o Bola ouviu alguns torcedores alviazuis para saber deles qual o remédio para o time listrado evitar a temida queda.

Ao mesmo tempo em que sugeriam soluções para livrar o Papão do mal maior, os torcedores ouvidos pelo Bola, apontavam os supostos responsáveis pela delicada situação da equipe. Seria até desnecessário dizer que os dirigentes, na opinião dos bicolores ouvidos pela reportagem, são os principais culpados pelo fracasso do Papão nesta sua volta a Série B, da qual foi campeão em 1991 e 2001, neste ano tendo entre seus jogadores o ex-atacante Vandick Lima, atual presidente do clube.

O excesso de contratações e a qualidade técnica da maioria dos atletas trazidos para a Curuzu, segundo os torcedores, foram os pontos falhos cometidos pela atual gestão do clube. Os cartolas, no entanto, não são o único alvo da insatisfação dos torcedores. Para eles, técnicos que passaram este ano pela Curuzu, dirigindo o time no Brasileiro, também têm sua parcela de culpa pelo estado quase terminal do time na competição. Até mesmo o atual comandante bicolor, Vagner Benazzi, que chegou ao clube como o “salvador da pátria”, não está livre da sanha dos torcedores.

Só mesmo uma reação surpreendente do time, que o garanta na competição no ano que vem, será capaz de acabar com a insatisfação dos torcedores do Papão. Enquanto isso não passa de um sonho, os bicolores vão continuar convivendo com a ameaça de queda à Série C, competição de muito menor prestígio, da qual o Papão saiu em 2012 com a aspiração de voltar em 2014 à elite do futebol nacional. Pretensão há muito desfeita na Curuzu.

Quantidade x qualidade: a conta não bate!

O excessivo número de jogadores contratados e a qualidade técnica da maioria deles, na opinião de parte dos torcedores ouvidos pelo Bola, é apontado como o fator principal que levaram o Paysandu a desastrosa campanha que faz na Segundona. De acordo com esses torcedores, a diretoria do clube jogou dinheiro pelo ralo, trazendo jogadores, que, segundo eles, não possuem o no hall exigido de um atleta para a disputa da competição. Os torcedores acusam a direção do clube de ter optado pela quantidade e não qualidade dos atletas trazidos para a Curuzu após o Campeonato Paraense.

“Chegamos a ter mais de 40 jogadores no elenco”, recorda o bancário Luis Alfredo Viana Martins, de 42 anos. “Isso é um absurdo”, avalia. “Mas o pior é que a maioria desses jogadores não tem condições de disputar nem mesmo a Série D”, desdenha. Outro que tem opinião parecida é o pedreiro Augusto Santos, de 37 anos. “Seria bem melhor ter trazido cinco, seis jogadores caros, mas bons que o time seria muito melhor”, diz. “Só que a diretoria preferiu essa ‘penca’ de pernas de pau e agora, nós torcedores, estamos pagando por isso”, dispara.

A troca de técnicos - foram quatro até agora - também, segundo os torcedores, prejudicou o Paysandu. “O Lecheva estava bem no comando do time, mas aí tem aquele negócio de técnico local não ter valor e a diretoria passou a trazer gente de fora, que no fim não resolveu nada”, salienta Luis Sampaio Rocha, 17 anos, estudante secundarista. O torcedor, como muitos outros, já jogou a toalha, como se diz. “Não dá mais para confiar. Essa é que é a verdade. Estamos de volta à Série C e já faz tempo”, lamenta.

Aposta em jovens e atletas locais é contestada

As opiniões são divididas quanto a solução para evitar a queda do time, faltando apenas duas rodadas para o encerramento da competição. A troca de treinador, por exemplo, na opinião de alguns torcedores, não seria salutar neste momento. “Quem fosse contratado não teria tempo de conhecer os jogadores e implantar seu estilo de jogo”, alega Justiniano Maia, 23 anos, ajudante de pedreiro. Já o comerciário Carlos Augusto Ribeiro, 22 anos, acha que algum técnico local poderia resolver o problema.

“Tinha de ser alguém daqui, que venha acompanhando as partidas do time, pois assim não teria precisaria de tempo para conhecer as características dos atletas”, justifica Maia. O aproveitamento de jogadores das divisões de base do clube também causa polêmica entre os torcedores. “Na Série B não se pode apostar em jogador muito jovem e, pior ainda, sendo local”, dispara Ciro Alves, 21 anos, estudante. “Veja o Héliton, que joga uma partida boa e a outra ruim. E o Aleílson, que nem isso faz. Não dá”, arremata. “A gente tem jogador de qualidade aqui mesmo na Curuzu, o problema é que os caras não confiam neles mesmos”, acusa o ambulante Nélson Santos Lima, 21 anos.

Em alguns minutos de conversa com os torcedores na Curuzu, deu para a reportagem sentir que não é apenas Ciro Alves que mostra-se decepcionado com o atacante Aleílson. O jogador, vindo do Paragominas, é a pior contratação feita pela diretoria do Papão para o Brasileiro, na opinião quase que geral dos torcedores.

“Mais uma vez se confirma que atleta daqui, com raras exceções, não dá certo em time grande como o Paysandu”, acusa Marcos Miranda, desempregado. “No Jacaré, ele fazia gol em todo jogo, aqui, o máximo que faz é correr e só”, ratifica o porteiro Sandro Duarte Souza, 25 anos.

(Diário do Pará)

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