Na mitologia grega, a fênix é um pássaro imortal. Dona de penas brilhantes e capaz de proezas, como carregar elefantes com sua força, a ave de tempos em tempos atravessa por um ciclo de renovação – quando fraca e sem forças, entra em combustão para, das próprias cinzas, ressurgir forte, viva e imponente. Na Tuna, cujo mascote é também uma ave nobre – a águia – a trajetória do time parece caminhar para a derrocada que antecede o renascimento. Em 110 anos de história, laureada por títulos regionais e nacionais, ser rebaixada para a Segunda Divisão do Campeonato Paraense seria o ponto mais baixo atingido pelo clube. Haverá ressurreição das cinzas após essa possível derrocada?
Muitos rumores se criaram de que o técnico Lecheva estaria fazendo jornada dupla, resolvendo alguns problemas fora de campo, como falta de material para treinamentos. O atacante Adriano Miranda chegou a declarar após uma partida que “está faltando muita coisa na Tuna”.
Lecheva, de forma elegante, se limita a dizer que falta apoio ao clube. “Está faltando apoio, faltando muito. Antes do campeonato começar, muitos grandes cruzmaltinos prometeram apoiar o clube mas depois sumiram. A Tuna não tem uma prefeitura bancando o time por trás, então sabíamos que seria difícil e não reclamamos disso”, disse o treinador tunante.
CAMPANHA NA FPF ATRAPALHOU?
Uma situação peculiar destaca o trabalho da Tuna para a disputa da primeira fase do Parazão – seu presidente, Fabiano Bastos, em paralelo com a competição , disputa a vice-presidência da Federação Paraense de Futebol, em chapa com Luiz Omar Pinheiro e Josias Campos. Questionado se a dupla tarefa comprometeu os trabalhos no clube, Fabiano nega.
“Não existe essa situação. Temos um time, temos técnico, temos diretores e o trabalho está andando. Os resultados não estão vindo, mas não tem a ver com isso. Eu não tenho culpa se os gols não estão saindo, eu não jogo”, afirmou o dirigente.
Se a campanha não atrapalhou o trabalho do futebol cruzmaltino, Fabiano, e o técnico Lecheva, demonstraram desconfiança quanto ao trabalho dos árbitros nos jogos da Tuna. “O árbitro marcou um pênalti com um minuto de jogo, em Marabá. Depois, contra o Paragominas, o árbitro inventou um pênalti no final do jogo. O fato de eu estar concorrendo parece estar gerando uma má vontade contra o time”, disse o presidente tunante.
FUTEBOL FEMININO
Comandadas pela técnica Aline Costa, as meninas da Águia fizeram bonito no Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, terminando entre as 8 melhores equipes do país. Fora de campo, no entanto, a situação era de carência. “Trabalhamos sem poder concentrar o time, então as atletas vinham da casa delas carregando problemas de alimentação, estresses... Tínhamos muito pouco apoio, não fossem por alguns diretores não teríamos nem como disputar as competições”, disse Aline, destacando os diretores Jânio Nogueira e Charles Tuma. Vale destacar que, além da visibilidade, o time feminino ajudou a colocar dinheiro no clube, recebendo cotas de 13 mil reais por partida como mandante. “Não sei onde vai parar esse dinheiro, que no futebol não é”, comentou uma atleta que pediu sigilo quanto ao seu nome.
ELEIÇÕES
Além das eleições da FPF, onde o atual presidente do clube é candidato, uma outra eleição dá o tom nos arraiais cruzmaltinos – a eleição presidencial do clube, marcada para o dia 13 de dezembro. Fabiano Bastos já declarou que não pretende concorrer a um terceiro mandato. “Pelo estatuto do clube tenho direito a me lançar candidato outra vez, mas não tenho interesse. Para essa eleição pretendo lançar o meu vice como candidato à presidência, mas ele ainda não decidiu se sairá candidato ou não”, disse o dirigente.
A verdade é que a situação para as eleições dentro do clube ainda é de incerteza. Reuniões têm sido feitas e grupos têm se organizado, mas além de não terem oficializado chapa, não confirmam nomes para a presidência.
A disputa se desenha para a construção de duas chapas, uma delas encabeçada por nomes da situação, como Charles Tuma, Eduardo Gonçalves e João Rodrigues, e outra de oposição com Marcos Moraes como uma de suas principais lideranças.
(Diário do Pará)
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