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ESPORTE PARÁ

O valor de um medalhão no futebol

Sem atividades no futebol profissional desde o primeiro semestre, a direção do Clube do Remo conseguiu através de uma estratégia de marketing colocar o clube novamente em evidência nesse final de temporada. A pergunta “Quem será o Camisa 33?” – atleta “di

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Sem atividades no futebol profissional desde o primeiro semestre, a direção do Clube do Remo conseguiu através de uma estratégia de marketing colocar o clube novamente em evidência nesse final de temporada. A pergunta “Quem será o Camisa 33?” – atleta “diferenciado” que virá para alavancar o marketing e agitar a torcida - já rendeu até manchete em sites nacionais de esporte por conta de alguns nomes especulados.

Embora tenha ares de novidade por todo marketing envolvido, a política de contratar um atleta experiente com passagens vitoriosas em outros clubes ao longo da carreira – os chamados “medalhões” – não é novidade no futebol paraense. Muitos são os casos de atletas que chegaram aqui com o peso do nome, sendo que alguns preencheram as expectativas, outros não. Será que esse investimento vale a pena?

O início da aposta nos medalhões se deu a partir da profissionalização do futebol paraense. Já na década de 60, era usual que dirigentes de Remo e Paysandu, para atiçar seus torcedores, anunciassem atletas oriundos de centros de futebol mais prestigiados, como Rio de Janeiro e São Paulo. Muitas vezes, atletas ainda jovens, mas que ganharam algum crédito justamente por virem desses centros. Bené, maior artilheiro da história do Paysandu, e Alcino, maior ídolo da história do Remo, surgiram no futebol paraense como promessas das equipes de aspirantes do Vasco e Madureira.

Mas, naquela mesma década, a figura do medalhão migrou do jovem sem chances em outros centros para o atleta já consagrado. Quando vestiu a camisa do Paysandu pela primeira vez, Castilho já era bicampeão do mundo com a Seleção Brasileira, e já tinha a marca de ser um dos maiores ídolos do Fluminense. Em Belém, não fez feio, foi campeão paraense em 65 como jogador e em 67 como técnico do clube, em sua primeira experiência como treinador. Já Amoroso pisou no Baenão pela primeira vez, em 67, como um dos maiores artilheiros de Fluminense e Botafogo. Foi campeão paraense em 1968, quando também foi artilheiro e fez o gol do título. Aposentou-se para o futebol com a camisa azulina.

Com pompa

Maior artilheiro com a camisa do Clube do Remo em todos os tempos, com 187 gols, Dadinho foi contratado pelo Paysandu em 1990 para ajudar o time a reconquistar a hegemonia estadual e foi apresentado à torcida bicolor com pompa – descendo de helicóptero no gramado da Curuzu. Dadinho retribuiu o carinho e apoio dos torcedores com muitos gols no Parazão daquele ano, embora não tenha conseguido ser campeão, e o gol do título do Brasileiro de 1991, o segundo gol na vitória por 2 a 0 sobre o Guarani-SP. Será que o Camisa 33 vai fazer papel similar no Leão Azul?

Uma dupla maravilhosa!

O Paysandu foi responsável por duas das contratações de maior impacto na história do futebol paraense, por coincidência dois atletas que ganharam o sobrenome “Maravilha”. As duas sem título, mas com resultados bem diferentes. Em 1973, o Paysandu trouxe para a Curuzu Fio Maravilha, já imortalizado e conhecido nacionalmente pela música de Jorge Ben Jor.

Fio foi recebido com honras de chefe de estado, desfilando em carro aberto do aeroporto até a Curuzu, acompanhado por milhares de torcedores. Apesar de toda movimentação, o atleta teve passagem extremamente apagada pelo clube. “Fio parecia não se preocupar muito com a própria carreira naquela época. Apesar da torcida gritar seu nome nos jogos, o que se via era um atacante disperso e com pouca vontade em campo”, lembrou o jornalista Expedito Leal em seu livro “Re-Pa – Rivalidade Gloriosa”.

Expedito pontua que Fio veio com tanta moral que emplacou seu irmão Michila na Curuzu, mas não durou mais do que três meses no clube, ao longo do qual fez apenas três gols. Mais marcante que seu futebol foi uma frase de efeito. Em uma de suas entrevistas na Curuzu, teria respondido sobre o motivo porque não participava das divididas em campo: “Vim para o Paysandu para somar, não para dividir”.

Seis anos depois, em 1979, o Paysandu contratava Dadá Maravilha, artilheiro histórico do Atlético Mineiro e do Internacional, a preço de ouro e que, apesar de não conquistar o título estadual, valorizou o Campeonato Paraense daquela temporada de uma forma como nunca se vira. Os duelos do Paysandu de Dario com o Remo de Bira foram a grande atração do campeonato.

A estreia de Dadá se deu num Re-Pa, que registrou o maior público pagante da história do Mangueirão – 64 mil torcedores. O jogo terminou 1 a 1, gol de Bira para o Remo e de Dario para o Paysandu. O Remo acabou campeão naquela temporada e Bira construiu o recorde de gols do Parazão – 32 – em grande parte motivado pela rivalidade com Dadá que, apesar de não ter conquistado título, deixou saudades na torcida bicolor.

Valeram a pena - Embora estivessem no final de suas carreiras, já consagradas, alguns atletas suaram a camisa e fizeram valer a aposta dos nossos titãs em seu futebol, fosse com gols, títulos ou simplesmente com seu esforço em campo. Ex: Chico Spina (Paysandu 1980-81), Carlos Germano (Paysandu, 2003), Paulo Victor (Remo, 1992), Biro Biro (Remo, 1993), Cuca (Remo, 1994), Aílton (Remo, 1999), Robgol (Paysandu, 2003, 2005-2007), Leonardo (Paysandu, 2004), Maurílio (Remo, 2005).

Só fama não ganha jogo

Infelizmente, a estatística de atletas “de nome” que vieram, passaram uma chuva em Belém, e saíram sem deixar saudades é mais notável. A partir dos anos 90, quanto a política de importações em massa virou regra, muitos passaram pela capital paraense com a certeza que ainda jogariam em qualquer lugar do Brasil só com o currículo que já tinham construído e quebraram a cara e a expectativa da torcida.

Mas não é só a torcida quem sofre com essas promessas futebolísticas falidas. O marketing dos clubes também pecam feio ao criar expectativas no torcedor sem pensar que alguns destes jogadores, mesmo que experientes, trazem na bagagem contusões e a pressa de se aposentar.

Fábio Baiano foi um desses jogadores que chegou a Belém praticamente em final de carreira e só deu prejuízos ao Paysandu. Em março de 2007, com 32 anos, foi dispensado pela Ponte Preta e, em seguida, assinou um contrato de apenas três meses com o time bicolor para reforçar a equipe no Campeonato Paraense. Atuações pífias e uma notória falta de vontade, além de problemas físicos, foram o saldo da passagem do atleta por essas bandas.

Ainda no time bicolor, Luís Mário até pode ter realizado o sonho do pai ao vestir o manto alviceleste e ter ganhado o troféu Camisa 13 em 2008, o que não significa que sua passagem foi um sucesso. A ausência de nomes melhores parece ser a melhor explicação para tal feito, já que o casamento com a torcida do Paysandu terminou sem deixar saudades.

Pelo Clube do Remo, em 2007, foi o atacante Finazzi quem chegou dizendo que tinha apenas uma “contusãozinha”. Besta da diretoria, à época, que acreditou no jogador. Assim, o candidato a ser um dos ídolos do Remo do alto de seus 38 anos, veio a Belém, fez o tratamento que precisava e foi embora com o uniforme praticamente limpo. Para completar esse time, o que dizer de Josiel, que veio para o Papão pra ser “o cara” e saiu daqui brigado não só com a torcida, mas com todo o estado ao proferir ofensas contra as mulheres paraenses. E é melhor parar por aqui, pois a lista é gigante e ainda pode causar indigestão em vocês, caros leitores.

Só decepção - Edu Manga (Remo, 2002), Arinélson (Paysandu, 2004 e Remo, 2005), Fabio Baiano (Paysandu, 2007), Danrley (Remo, 2007), Luís Mário (Paysandu, 2008), Valdiram (Paysandu 2008), Finazzi (Remo 2011), Ávalos (Remo 2012).

(Diário do Pará)

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