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ESPORTE PARÁ

Projeto ajuda crianças e jovens carentes no Marex

Em tempos outros, na primeira metade do século XX, a prática do futebol pelada em praças e ruas de Belém foi considerado um “mau hábito” e chegou a ser proibido por lei. Embora não haja essa perseguição nos dias de hoje, a pelada ainda é ligada à imagem d

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Em tempos outros, na primeira metade do século XX, a prática do futebol pelada em praças e ruas de Belém foi considerado um “mau hábito” e chegou a ser proibido por lei. Embora não haja essa perseguição nos dias de hoje, a pelada ainda é ligada à imagem de farra e curtição entre jovens e adultos. Para dois homens, no entanto, a bolinha descontraída acabou sendo um gancho para a promoção de um projeto sócio-educativo.

Everaldo Rosa, o “Dema”, dono do PSV, e Claudio Costa, dono do Spartak, montaram suas equipes exclusivamente com o intento de colocar jovens e crianças de comunidades carentes para jogar bola enquanto, em paralelo, desenvolviam um projeto educativo. Quis o destino que ambos se encontrassem, e se tornassem parceiros, no campinho de futebol da praça do Marex – onde ambas equipes treinam.

A trajetória do Spartak, do professor de matemática Claudio, foi bastante curiosa. Professor em um escola no Tapanã, Claudio realizava aulas de reforço na sua casa na Sacramenta em casa e resolveu acrescer uma atividade de futsal nos finais de semana com as crianças que menos faltavam. “Cada criança que ia acabava levando outro colega. Quando eu vi tinha 80 crianças indo jogar bola no final de semana. Ficou grande demais pra quadra de futsal, migramos pro futebol de campo e eu resolvi organizar um projeto. Até hoje as aulas particulares funcionam como um eixo do Spartak”, explica Claudio, que com acabou levando o projeto para treinar na praça do Marex, aumentando ainda mais a peregrinação.

Já o PSV, inicialmente era um projeto esportivo menor, mas passou a ser um projeto sócio-educativo desde 2011. “Além de colocar os meninos da comunidade para jogar futebol, colocamos eles para praticarem dança, receber aulas de reforço e, de tempos em tempos, levamos assistentes sociais e outros profissionais para dar assistência aos jovens”. O encontro das duas agremiações se deu, há alguns meses, no campo do Marex. “Nos mudamos para cá há alguns anos e eu tomei conhecimento do projeto do Claudio, achei muito importante e resolvi dividir meu horário no campo com ele para os dois times treinarem”, comentou Everaldo.

A simbiose é total, cada grupo treina em uma metade do campo, quando vão disputar competições constantemente os times trocam jogadores entre si. “A gente procura sempre apoiar o outro, porque queremos a mesma coisa, que é apresentar uma alternativa boa para essas crianças”, comentou Everaldo. Curiosamente, apesar da proximidade, os times do Spartak e PSV ainda não se enfrentaram em jogo. “É um clássico que tá demorando um pouco a sair”, brinca Cláudio.

No peito e na raça

Os dois diretores são diretos em dizer que o sustento dos projetos vem basicamente do esforço de cada um. “Eu continuo pagando com as aulas de reforço, e o Everaldo tira uns bicos para bancar o PSV. Falta todo tipo de apoio”, diz Claudio, apontando para o próprio estado de abandono da praça. “Às vezes as crianças estão treinando e você vê gente fumando e usando drogas do lado de fora do campo. Não deixa de servir como um exemplo negativo – é isso que vocês querem pra vocês?”, comenta Everaldo.

(Diário do Pará)

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