Em todos os episódios de rebaixamento na história do futebol paraense, alguns episódios se repetem de forma sistemática. Um deles são as muitas trocas de comando ao longo da competição. Neste Campeonato Brasileiro, o Paysandu jogou sob o comando de cinco técnicos diferentes – Lecheva, Rogerinho, Givanildo Oliveira, Arturzinho e Vagner Benazzi. Comandante do acesso, campeão paraense esse ano e único técnico a levar o Paysandu à terceira fase da Copa do Brasil – por dois anos seguido – o técnico Lecheva foi dispensado antes de comandar seu primeiro jogo em Belém pela Série B. Foram apenas três jogos. Após a polêmica queda do treinador, contestada por alguns segmentos da torcida, houve uma contratação ainda mais polêmica para seu posto – Givanildo Oliveira.
Nenhum torcedor bicolor questiona que o técnico cearense seja o treinador mais vitorioso da história do clube, mas a última passagem de Giva pelo Paysandu não recomendava seu retorno – 7 jogos sem nenhuma vitória na Série C 2012. A passagem deste ano foi pouco melhor – 8 jogos no Brasileirão e Copa do Brasil com 1 vitória, 2 empates e 5 derrotas. O técnico aparentava, em suas declarações e trabalho durante a passagem, estar pouco motivado para comandar o clube e o reflexo disso foi um time cada vez mais apático em campo e sem forças para reagir. Foi demitido após a derrota de 3 a 0 para o ABC, que deixou o Paysandu na lanterna da competição.
Para substituir Givanildo, surgiu na Curuzu o polêmico Arturzinho. Muito exigente, trabalhava num ritmo muito mais pesado que seus antecessores e cobrava os comandados de forma até exagerada às vezes. Trouxe consigo uma leva de ex-jogadores do Joinville, seu antigo time, e algumas contratações muito questionáveis – como o volante Fabiano Silva, que, com 11% de índice de gordura corporal, se arrastava em campo, sob a complacência do treinador. Apesar de alguns bons resultados, o técnico foi dispensado após 10 jogos e saiu falando muito mal do clube. “Com esse elenco, nem o Guardiola salvaria o Paysandu do rebaixamento”, disse o técnico.
A última investida foi talvez a mais arrojada de todas. Vagner Benazzi chegou com o cartaz de ter conduzido vários times ao acesso à Série A, embora tenha sido demitido do Bragantino nessa mesma Série B pelos maus resultados, e veio em um pacote cujo único objetivo era manter o time na divisão. Apesar de ter sido o técnico que mais comandou a equipe – 14 jogos – Vagner não demorou a se eximir das responsabilidades com os resultados. “As coisas já estavam erradas quando eu cheguei, eu não pude mudar nada, vamos tentar salvar o time, mas vocês são todos testemunhas de como as coisas estavam por aqui”, disse o comandante quando o clube entrou na derradeira série dos oito últimos jogos. Apesar de alguns bons resultados, como as vitórias sobre Palmeiras e América-MG, Vagner não conseguiu dar regularidade ao time e, na penúltima rodada, viu seu time ser rebaixado e entregou o comando.
Por fim, vale mencionar que o técnico mais inexperiente, menos badalado, mais barato e menos prestigiado de todos esses foi o que conquistou os melhores resultados no comando do time. Rogerinho, contratado para ser um auxiliar técnico fixo do clube, assumiu em quatro ocasiões, sofrendo apenas uma derrota – num claro sinal de que investimentos vultosos não necessariamente significam um retorno na mesma medida.
(Diário do Pará)
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