Paulo Benedito Santos Braga completou 79 anos no último dia 18 de novembro. De todo esse tempo de vida, 18 foram dedicados ao futebol, em especial ao Paysandu, onde ele conquistou um verdadeiro rosário de títulos. Feito que o coloca até hoje como o ex-jogador mais vezes campeão na história do futebol paraense. Quarentinha, como ficou conhecido o ex-meio-campista, levantou nada mais, nada menos que 12 troféus de campeão como profissional e, ainda, outros dois na categoria de aspirantes, cujos times eram entremeados por profissionais e juvenis, espécie de sub-20 da época romântica do futebol brasileiro.
Logo em sua estreia no time profissional, em 1956, Quarentinha sagrou-se duas vezes campeão: uma pelo time principal e a outra pelo aspirante. Daí pra frente foram só títulos quase que seguidos ano a ano. Foram três bicampeonatos (1956/57 e 1971/71), e dois tri (1961/62/63 e 1965/66/67). O outro título atuando pelo segundo time, veio sete anos após o primeiro, em 1962. Mas como tudo tem um começo, a trajetória de Quarenta, como também é apelidado, não teve seu início na Curuzu, conforme explica.
“Naquela época a gente começava jogando futebol na rua, depois passava para os campos do subúrbio, que eram muitos, até chegar aos clubes”, recorda. Claro que nem todos alcançavam a glória maior. Mas o ex-jogador bicolor chegou lá e de maneira brilhante, sendo hoje uma espécie de referência do clube quando se trata de ídolos da Fiel. A estreia, lembra Quarenta, foi num clássico, assim conhecido na época, contra a Tuna Luso. “O jogo terminou com o empate sem gols”, conta. A despedida ocorreu em 1972, após recuperar-se de uma lesão em um dos joelhos.
Entre o início e o fim da carreira, Quarenta trabalhou sob a orientação de grandes treinadores, mas nenhum deles como o legendário Gentil Cardoso, o criador da zebra no futebol. “Ele transmitia ensinamento não só do futebol, mas da vida fora de campo”, afirma. O ex-jogador, entre tantos títulos conquistados, aponta o de 1956 como o mais emocionante de sua carreira. E ele explica os motivos: “Foi o meu primeiro título e o Paysandu quebrava um jejum de nove anos sem ser campeão”, diz. Para completar, Quarenta foi autor dos gols das duas vitórias na final contra o maior rival, o Remo.
Depois de pendurar as chuteiras, o ex-jogador passou a trabalhar apenas como perito policial, aposentando-se como funcionário público em 1986. Hoje o ex-jogador acompanha o futebol, que não o agrada tanto. “Os bons jogadores continuam existindo, mas o apoio que recebem dos clubes é quase nenhum”, acusa. “Na minha época, a base recebia uma atenção bem maior. Daí que Remo, Paysandu e Tuna sempre revelaram grande jogadores para o nosso futebol”, comenta.
O ex-jogador crítica o que ele chama de “excesso de treinos físicos”. “Quase só se lembra da força física no futebol, se deixando de lado a habilidade dos atletas”, acusa. Quarenta fala com a propriedade de quem jogou numa época em que o futebol encantava pelo estilo clássico de seus jogadores, verdadeiros artistas com a bola nos pés.
(Diário do Pará)
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