Depois de meses de mistério e especulações, eis que o esperado Camisa 33 estava diante dos olhos da torcida remista. Em descida apoteótica de helicóptero no centro do gramado do Mangueirão, acompanhado pelo presidente Zeca Pirão, o meia Eduardo Ramos foi oficialmente apresentado como o dono da Camisa 33, que relembra o número de partidas sem perder para o maior rival.
O clima da festa, porém, não foi exatamente o esperado pela diretoria. Pouco mais de oito mil pagantes foram ao estádio com a esperança de assistir a chegada de um Loco Abreu, Herrera ou Bruno Rangel. Mas a descida de Eduardo Ramos provocou um misto de respeito e descontentamento na torcida, que, dividida, disparou algumas vaias enquanto o jogador era levado até o palco montado para o discurso.
“Sei de toda a minha responsabilidade, mas chego aqui com muita humildade e responsabilidade. Venho para conquistar os nossos objetivos e dar alegrias ao torcedor. Estou muito esperançoso e com fé em Deus tudo vai dar certo nesta temporada”, disse, num tom discreto, meio tímido, mas confiante numa temporada positiva.
Antes, porém, discursaram o presidente Zeca Pirão e o ex-volante Agnaldo. O presidente pediu apoio dos torcedores e, num tom visivelmente emocionado, lembrou das dificuldades em montar uma equipe forte, que terminou com a chegada de Eduardo Ramos. A concretização da proposta, contudo, só foi confirmada há quatro dias, quando ele aceitou a missão de ser o jogador com a responsabilidade de reger a orquestra azulina. “Não procurei me preocupar com o número da camisa. O importante foi estar aqui. Eu estou feliz, vim por minha própria vontade e estou preparado para honrar o uniforme que vou vestir. Eu recebi a notícia da camisa 33 esses dias, mas procurei não falar disso, evitei o máximo”.
O contrato do meia é de dois anos. O Remo também adquiriu 70% dos direitos federativos do atleta, mas os valores do acordo não foram revelados. Os atacantes Bruno Rangel e Herrera realmente foram procurados, mas por falta de um acordo financeiro acabaram descartados.
Teve aplausos, vaias e até bênção
Se a intenção da diretoria era causar o maior rebuliço por conta da chegada do Camisa 33, a meta foi alcançada, mas não sem algumas ressalvas. Assim que pisou no gramado do Mangueirão, Eduardo Ramos causou um certo espanto aos torcedores. Ao invés de palmas e gritos de alegria, comentários mais discretos sobre a contratação tomaram conta do estádio, além de algumas vaias por parte da torcida.
Aos poucos, porém, depois da apresentação do meia e das suas primeiras voltas com a camisa azulina, as reações foram brotando das arquibancadas. Vaias e aplausos se ouviam por todo estádio. “Não era o que estava esperando. Criaram tanta expectativa para trazer ele?”, indagou um torcedor que estava em frente ao palco montado. Um pouco mais ao lado, em tom de alegria, desabafava outro azulino. “Ele foi o craque do campeonato, com certeza no Remo não será diferente. Já mostrou isso em campo”, rebatia.
Eduardo foi cumprimentado por todos os atletas. Na opinião deles, não há como negar as qualidades do companheiro. “O Eduardo é bom jogador. Se mostrar tudo o que sabe, com certeza ajudará muito”, disse o meia Ratinho. Para o goleiro Fabiano, um ‘medalhão’ a mais é sempre bem-vindo. “Vamos fazer com que ele se sinta bem no Remo e que apresente todo futebol demonstrado no antigo clube. É um grande jogador”, elogia, desejando sorte.
Sorte, aliás, é o que vem prometendo dia após dia a remista mais ilustre da Feira do Ver-o-Peso. A vendedora de ervas Beth Cheirosinha tratou de espantar um possível “mau olhado” em torno de Eduardo Ramos, com uma receita mais que famosa. “Eu preparei o estádio Evandro Almeida e mandei a ‘zica’ lá para o outro lado. Agora é só alegria, graças a Deus. Eu benzi o Eduardo com Arruda para tirar o ‘olhão’ de cima dele. Já colocaram ‘olhão’ no ônibus, e agora nele, mas não tem jeito, vai dar tudo certo para o Remo”, aposta Beth Cheirosinha.
Pirão confia, mas cobra o grupo
Em seu discurso de boas vindas, o presidente Zeca Pirão lembrou de momentos infelizes que o Remo tem passado nos últimos cinco anos. Considerou inaceitável que o clube convivesse numa penúria sem fim, com a escassez de títulos e até mesmo de alguma representatividade no cenário nacional. “Tivemos o maior cuidado em escolher cada jogador que iria vestir a nossa camisa por sabermos que eles dariam o melhor aqui no Remo. Quem não suar a camisa, não entra em campo. Isto é uma promessa”, dá o recado.
Em relação ao Camisa 33, a explicação foi enfática. “O Eduardo Ramos foi o maior jogador do Pará neste Campeonato Paraense. Foi a cabeça pensante do maior rival, por isso pensamos na contratação dele, que já esperava jogar no Remo. É isso que a torcida precisa entender e vai, quando ele jogar bem”, segue.
Por fim, o presidente garantiu que todo o investimento será compensado dentro de campo. “Vamos fazer de tudo, dar o nosso sangue, para dar o primeiro título da Copa Verde ao Remo. A segunda promessa é ser campeão paraense e ao final dessas competições sermos campeões brasileiros da Série D”, promete o mandatário azulino.
Finalistas da Série B do Campeonato Brasileiro de 1984, quando o Londrina derrotou o Remo de Dadinho e se sagrou campeão, o duelo entre a Tubarão paranaense e o Leão paraense não registra muitos jogos, mas alguns momentos são dramáticos na história dos confrontos entre os dois clubes.
Com a expectativa em torno do projeto Camisa 33 e os quase cinco meses de trabalho do técnico Charles Guerreiro à frente do time, esperava-se um bom jogo no reencontro entre os times, ontem à tarde, logo após a apresentação de Eduardo Ramos como dono da Camisa 33. O jogo, porém, acabou decepcionando o torcedor. Ao final dos 90 minutos, o placar apontava um 0 a 0, onde nenhum dos dois goleiros chegou a fazer uma defesa e os lances agudos foram raros.
O primeiro tempo começou com o Londrina tomando conta das ações ofensivas, trocando passes e fazendo transição rápida para o ataque, enquanto o Remo apostava em contra-ataques e corridas para a linha de fundo. O Remo atuou, na prática, com cinco jogadores em seu meio campo e apenas Val Barreto isolado no ataque. Totalmente voltado para o lado direito, o Remo só contava com Alex Ruan na ponta esquerda e deixava muito espaço para o Londrina avançar. Aos 10 minutos, Rony Dias recebeu cruzamento dentro da área e Igor João desarmou. Aos 30, o meia recebeu lançamento dentro da área azulina e, de cara com Fabiano, isolou a bola. O Remo teve sua melhor chance aos 44, quando, após troca de passes, Rodrigo recebeu a bola dentro da área e chutou próximo ao gol de Vitor.
Na segunda etapa, após as mexidas de Charles Guerreiro, o Remo ficou mais ligado na partida e passou a se arriscar mais no ataque, principalmente através de Jayme e Teddy com mais movimentação e tomando mais controle do jogo. Sem receber bolas, o atacante voltou para buscar jogo e atuou como pivô para a chegada de Rodrigo e Teddy no ataque.
A partir dos 25 minutos, o Londrina voltou a tomar o controle da partida e perdeu a melhor chance aos 28. Após grande jogada de Diego Roque, que avançou do meio de campo à linha de fundo, ele cruzou para a área, o atacante Joel tocou na bola e Diogo Silva salvou praticamente de dentro do gol.
O Remo só teve chance mais clara aos 43, quando Rubran recebeu cruzamento dentro da pequena área e saltou atrasado para o cabeceio, errando por pouco o último ataque do jogo.
Ainda vão chegar Leandrão, Potiguar e Mael
Além de Eduardo Ramos, outros dois recém-chegados puderam conhecer um pouco do que será o Clube do Remo em 2014. O zagueiro Rogélio e o meia Athos estiveram presentes No estádio. Com os dois, as contratações no clube alcançam um total de nove atletas, um a mais que o previsto. Além deles, ainda existe espaço para mais três jogadores. Nos próximos dias, chegam o atacante Leandrão, o meia Thiago Potiguar e talvez o volante Mael, que, mais uma vez, demora para responder ao clube.
“O Leandrão estava jogando em Israel, já o Zé Soares é um jogador muito bom e que não está em fim de carreira. Ele tem 30 anos e se mantém no auge da forma física. O Rodrigo Fernandes é outro atleta com qualidades reconhecidas. Diogo Silva e Max também são jogadores que possuem credencial para jogarem no Remo”, defende o diretor de futebol, Thiago Passos.
Quem confirmou a vinda de Thiago Potiguar foi o vice-presidente Maurício Bororó. Segundo ele, o meia chega a Belém no próximo dia 19. Já Athos, Eduardo Ramos e Rogélio viajam e retornam em definitivo no dia 2 de janeiro. Os demais seguem trabalhando com o grupo, enquanto a diretoria caça mais o desejado volante. “Como primeiro volante, só temos o André. Precisamos de outro que tenha essa pegada, que dê proteção aos zagueiros. Estávamos atrás de um atleta para a função, mas ele sumiu, mostrou irresponsabilidade e já pela terceira vez”, alfineta, referindo-se ao volante Mael.
“Nós estamos montando um time, na verdade um projeto que vai durar três anos. Ninguém está montando time para Campeonato Paraense, e sim para uma sequência de acessos. O grupo de jogadores que temos nos dá esse predicado”, ressalta Thiago Passos.
(Diário do Pará)
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