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ESPORTE PARÁ

Organizadas dão menos prejuizo ao Remo

Pelo lado remista, prejuízo é menor, mas prática foi abolida, segundo os dirigentes do clubeNos arraiais azulinos, a relação entre diretoria e torcidas organizadas já teve momentos de tensão e outros de aparente amizade. Foram elas, por exemplo, que estiv

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Pelo lado remista, prejuízo é menor, mas prática foi abolida, segundo os dirigentes do clube
Nos arraiais azulinos, a relação entre diretoria e torcidas organizadas já teve momentos de tensão e outros de aparente amizade. Foram elas, por exemplo, que estiveram junto ao então presidente Sérgio Cabeça, no momento em que ele comemorava a reeleição para o segundo mandato, interrompido no meio e repassado ao atual presidente Zeca Pirão. Não se sabe ao certo em que pé andava a relação entre esses torcedores e a antiga diretoria.

O certo, entretanto, é que em todos os jogos disputados durante a gestão de Cabeça, os ingressos repassados às organizadas eram vendidos pela metade do valor original, enquanto os demais remistas, não ligados a entidades organizadas, desembolsavam o valor integral do bilhete. O dinheiro que deixou de entrar nos cofres azulinos na época, não é bem contabilizado, mas em apenas sete jogos do Parazão que tiveram seus borderôs divulgados, o clube deixou de arrecadar pouco mais de R$ 70 mil.

Por outro lado, algumas atitudes irresponsáveis deixaram feridas abertas até os dias de hoje. Por obra de alguns desses “torcedores”, o jovem Felipe Matheus, de 11 anos, perdeu precocemente a vida ao ser atingido por um rojão, disparado por membros da extinta “Remoçada”, em direção à “Terror Bicolor”. O artefato atingiu um grupo de torcedores que nada tinham a ver com a rivalidade e manchou com sangue a história dessas torcidas ditas organizadas.

Depois de diversos conflitos e prejuízos incalculáveis, ao que tudo indica, a nova diretoria do Remo quer extinguir uma parceria visivelmente unilateral, que no decorrer dos anos só contribuiu para denegrir a imagem do futebol feito por quem gosta do esporte.

Cadastro de torcedores pode ser a solução

Procurado para comentar se ainda existe proximidade entre a diretoria e integrantes de torcidas organizadas, o presidente do clube, Zeca Pirão, disse que não concederia entrevistas pelo telefone, uma vez que se encontra em Salinópolis, acompanhando a pré-temporada azulina.
Contudo, o diretor de futebol, Thiago Passos, declarou que imediatamente após assumir a administração do clube, os novos dirigentes, capitaneados pelo presidente Zeca Pirão, dissolveram qualquer favorecimento que as mesmas possuíam. Falou também que o Remo não compactuará com atitudes isoladas de “torcedores” que mancham a imagem do clube.

“De forma alguma vamos financiar ou passar a mão na cabeça de ‘torcedores’ que vão aos estádios somente para promover a bagunça e a desordem. Já cortamos esses repasses de ingressos pela metade do preço, e por esse motivo queremos trazê-los para perto, dando a eles as vantagens que o torcedor comum tem”, diz.

A ideia do dirigente, que já está sendo posta em prática, é fazer a aproximação entre as partes de forma ordenada, contando inclusive com um cadastro feito para todos eles. “Nós queremos manter uma relação amistosa. A nossa intenção, que já está sendo executada, é chamar essas torcidas e cadastrá-las no clube, fazer um banco de dados”, explica.

“É para que passem a fazer parte do nosso quadro de sócio-torcedores. Trazendo eles para junto de nós, eles estarão desfrutando das vantagens de qualquer torcedor. Existe essa campanha e o objetivo dela é ter um controle maior sobre a torcida e quem frequenta os estádios”, arremata.

Fiscalização deixa a desejar

Este ano o futebol paraense reviu, durante a disputa do Parazão, uma medida bastante direta no combate à violência de torcidas organizadas – 5 torcidas, 3 do Remo e 2 Paysandu, foram impedidas pelo Ministério Público de frequentar jogos de futebol. A determinação teve efeitos diversos: em alguns jogos ficou visível o cuidado das torcidas em não bater de frente com a decisão; em outros, como os Re-Pa’s, os torcedores pareciam esquecer e, no calor da rivalidade, cânticos e provocações eram trocados. Após o Parazão, no entanto, as torcidas suspensas do Paysandu marcaram presença com cânticos, faixas e baterias durante o Brasileiro da Série B. Do lado azulino, as torcidas compareceram nos jogos de competições sub-20 e amistosos do clube de Periçá. Afinal de contas, a determinação pegou ou não pegou?

Segundo o promotor de justiça do Ministério Público, Domingos Sávio, é preciso ver a situação do veto das torcidas sob dois ângulos – um é o das torcidas extintas e o outro o das torcidas que foram barradas. “As medidas para proibir torcidas de entrarem nos estádios tem duração limitada, a certo número de jogos, sempre relacionado a algum comportamento anterior da torcida. Não se pode impedir que elas fiquem o ano inteiro sem frequentar jogos, então algumas que não puderam acompanhar o Parazão voltaram em outras competições”, disse Domingos.

Por outro lado, o promotor reconhece que há uma falha de fiscalização na proibição referente às torcidas extintas Remoçada e Terror Bicolor. “A proibição da entrada com materiais alusivos e cânticos referentes a essas torcidas existem, mas esbarram na dificuldade de fiscalização. O que o MP faz é passar uma orientação à Polícia Militar que, ao tomar conhecimento dos cânticos alusivos às torcidas, recolha o regente do côro, mas no geral esse expediente não tem sido levado em conta”, lamenta Domingos.

PREOCUPAÇÃO

O primeiro encontro entre os dois titãs do futebol paraense na próxima temporada tem sido motivo de preocupação antecipada da organização. Os eventos ocorridos este ano em jogos de torcida única, como os incidentes no jogo do Paysandu contra o Avaí na Série B ou a briga entre torcidas no amistoso entre Remo e Londrina, estão levando as autoridades a anteciparem as reuniões de organização.

Domingos Sávio coordenou a primeira reunião de organização do Re-Pa, realizada dia 18, e alerta que mais três devem ser realizadas em janeiro. O promotor afirma que ainda é cedo para alertar sobre medidas a serem tomadas, mas que está em estudo o veto aos materiais de torcidas organizadas (tambores, bandeiras e outros materiais). “Não temos competição, no momento, então não há como avaliar, mas é uma tendência que, caso hajam incidentes envolvendo torcidas organizadas fora de situação de jogo, haja uma proibição às envolvidas. Não se trata de uma questão de vontade, o próprio comportamento delas acaba forçando esse tipo de atitude”, afirma o promotor.

(Diário do Pará)

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