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ESPORTE PARÁ

Sandro Pallaoro faz palestra em Belém

"O grande segredo hoje é planejamento, comprometimento, responsabilidade e seriedade". O dono da frase, ao dizer as palavras, sabe perfeitamente o que é estar no fundo do poço e, em apenas cinco anos, alcançar a elite do futebol brasileiro. A trajetória e

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"O grande segredo hoje é planejamento, comprometimento, responsabilidade e seriedade". O dono da frase, ao dizer as palavras, sabe perfeitamente o que é estar no fundo do poço e, em apenas cinco anos, alcançar a elite do futebol brasileiro. A trajetória em questão é da Chapecoense/SC e o autor, o presidente Sandro Pallaoro, que está em Belém para ministrar palestra durante a cerimônia de apresentação do Troféu Camisa 13, nesta quinta-feira.

Antes, entretanto, o dirigente, que está no segundo mandato à frente da “Chape”, conversou com o Bola e detalhou um pouco da história recente do clube. Pallaoro entrou em 2008, como diretor de futebol, conviveu de perto e enfrentou astutamente uma crise com rótulo de “eterna”. A prova foi que em 2003, motivado por excesso de dívidas, a Associação Chapecoense de Futebol passou a chamar-se Associação Chapecoense Kindermann/Mastervet, amparada pela legislação brasileira, que permite a mudança de personalidade jurídica.

“Em 2008, quando entrei no cargo de diretor de futebol, a Chapecoense disputava apenas o estadual, jogava seis meses e fechava as portas. E nós vimos que se continuasse assim não iria para frente”, explica.

O início

O sucesso, contudo, foi antecedido por uma reformulação radical, que bateu de frente com pessoas influentes e conservadoras. “O clube passou por uma grave crise em 2005 e, na época, através da Associação Comercial, reunimos com os empresários que quisessem ajudar o clube, mas muita gente foi contrária”, relembra Sandro.

Entre as mudanças, o presidente enumera as mais significativas: a criação do programa sócio-torcedor, até então inexistente; a campanha para o uso de camisa do clube no estádio e dependências; o resgate das categorias de base; estrutura de trabalho para o futebol profissional; pagamento de dívidas trabalhistas e atenção redobrada em contratações.

“Em 2008 não tínhamos sócio-torcedor, hoje temos nove mil”, detalha. “Em 2009 fizemos uma campanha para incentivar o torcedor a ir aos jogos com a camisa do nosso time. Antes era só Grêmio e Internacional, hoje mudou. Paralelamente, criamos as categorias sub-13, 15, 17 e Junior. Para eles, estamos entregando agora em abril nosso CT, e já temos um ônibus novo, toda estrutura necessária para o futebol”.

Mas tudo isso, segundo o presidente, não é oferecido a qualquer jogador. Todo contratado passa por uma avaliação criteriosa e conjunta entre ele, a diretoria de futebol e a comissão técnica. “Antes das contratações, nós contatamos ex-clubes, treinadores que trabalharam com o jogador por pelo menos duas temporadas, para depois fazer as análises. O primeiro passo é esse, o segundo é saber se ele tem interesse em vir”, explica.

Fora de campo, as dívidas que tanto assustavam, foram responsavelmente quitadas. “Em três anos, eu paguei R$ 2 milhões em dívidas e temos apenas três ações trabalhistas, uma delas movida por um torcedor que sofreu uma queimadura na arquibancada, por causa de papel higiênico atirado”, ressalta.

O futuro

Com todo programa rigidamente cumprido, o resultado não poderia ser outro. Em 2009, o time venceu o estadual, conquistou a vaga na Série D e o acesso à C. Em 2012, foi terceira colocada na Série C, e no ano seguinte, já na segunda divisão, alcançou a elite nacional com o vice-campeonato, atrás apenas do Palmeiras.

É óbvio que tudo bem planejado, tende a render frutos, e financeiramente falando, o clube criou responsabilidade. “Nós sempre tivemos empresas que patrocinavam, quanto maior a empresa, maior o valor. Mas hoje, 30% da nossa arrecadação vêm de sócios, uma parte de camisas e televisão. Temos fluxo de caixa, sabemos o que vamos arrecadar e estipulamos o gasto em cima disso”.

A precaução financeira reflete também no preço do futebol. Traçando um comparativo com o Clube do Remo, que tem folha em torno de R$ 500 mil, a “Chape”, com R$ 50 mil a mais, montou o time que disputou a Série B do ano passado. Já para a nova temporada, os valores cresceram. “Vamos trabalhar no estadual com uma folha em torno de 700 mil. Na Série A, a ideia é chegar a R$1,30 milhão, no máximo. Ainda não fechamos bem porque estamos esperando acertos com patrocinadores”, revela.

A única coisa bem definida é o que pretende a Chapecoense para os próximos anos. “O primeiro plano é permanecer na Série A, entre os 20 maiores do Brasil. Permanecendo, você vai estruturando o clube para quem sabe, daqui um tempo, pensar numa Libertadores ou título brasileiro. Isso daqui um tempo. Com a verba de TV e patrocínio dá. Ano passado nós movimentamos 2 milhões na Série B. Este ano a previsão é de 35 milhões”, encerra.

(Diário do Pará)

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