Ainda em fase de preparação em plena competição, o Paysandu recebe hoje a visita do Santa Cruz, de Cuiarana, na segunda partida das equipes no Campeonato Paraense. O Papão vai a campo, às 20h30, na Curuzu, disposto a superar as deficiências e, desta maneira, assumir a liderança da Taça Cidade de Belém, o primeiro turno da disputa. O Tigre do Salgado vem à capital para tentar arrancar a sua primeira vitória, após o empate, sem gols, diante do São Francisco, na estreia. Os bicolores, apesar da vitória sobre o Gavião, na primeira rodada, não deixaram a melhor das impressões ao torcedor.
A falta de entrosamento e o condicionamento físico precário da equipe se refletiram na fraca atuação dos bicolores frente ao Gavião. Nada a causar estranheza, afinal de contas, o Papão foi o último time a iniciar preparação para o campeonato, com apenas oito dias de pré-temporada, antecedidos de alguns outros poucos treinos em Belém. Consciente das carências de sua equipe, o técnico Mazola Júnior prevê que somente a partir da quarta rodada, no mínimo, é que o Papão terá uma formação ajustada, capaz de fazer frente de igual para igual com os adversários e brigar pelo título do bicampeonato.
Sem alternativa, o Paysandu enfrenta o Tigre, mais uma vez, precisando contar com o espírito de superação de seus jogadores, assim como foi na estreia do time. O grupo parece consciente da missão a cumprir. “A carência ainda é grande”, admite o zagueiro João Paulo. “Se nos falta a preparação adequada, temos de buscar a vitória na determinação”, completa. O time, que só será anunciado hoje, pode sofrer mudança, com a entrada de Dennis ou Héliton no lugar de Pablo. No mais, a formação é a mesma da estreia.
Ontem, os bicolores fizeram o último treino de preparação para o jogo, mas, contrariando a expectativa dos repórteres, o técnico Mazola não concedeu entrevista à imprensa. Desta maneira, ninguém pôde questionar o comandante alviazul sobre a composição da equipe para enfrentar o time de Salinópolis.
Com o tempo, o ‘time ideal vai aparecer’
O goleiro Matheus, que quase nada trabalhou no jogo com o Gavião, admite que o Paysandu ainda está muito longe do time ideal para sonhar com o título do Paraense. Mas o camisa 1 do time bicolor acredita que com o decorrer dos treinos e jogos do time na competição, a equipe vá conseguir chegar a nível de igualdade com os demais participantes do campeonato. “Tudo é uma questão de tempo”, diz.
De acordo com o goleiro, a tendência é o grupo bicolor ficar cada vez mais forte, com a chegada de novos jogadores, como é o caso do volante Augusto Recife e do meia Héverton, recém-contratados. “O elenco está ficando muito bom e é uma questão de tempo”, garante.
Matheus reconhece que o tempo de preparação do time foi curto e que a sequência de jogos no campeonato, com o time entrando em campo duas vezes por semana, é prejudicial. “É muito pouco tempo para essa maratona de jogos. Mal vai dar para descansar. A gente vai ganhar ritmo nos jogos”, avisa.
O goleiro espera que o tempo colabore hoje à noite. “Tomara que não chova e que a gente consiga colocar em campo o pouco que já trabalhamos com o Mazola” pede. Numa avaliação rápida, o arqueiro disse ter ficado satisfeito com o time no domingo. “Apesar das dificuldades gostei do time. Conseguimos nos impor”, argumenta.
Missão: resgatar apoio da Fiel
Um dos remanescentes da campanha que levou o Paysandu, em 2013, ao rebaixamento à Série C do Brasileiro, o volante Zé Antônio reconhece que o time bicolor está em dívida com sua torcida e que precisa reconquistar a confiança da Fiel, sobretudo os jogadores que continuaram no clube após a disputa da Série B do ano passado.
“Temos que resgatar o nosso torcedor, pois ele foi bastante afetado após o rebaixamento”, admite. “Este ano, vamos tentar trazê-lo para o nosso lado. Quando eles estão conosco, ficamos mais fortes”, salienta. Zé assegura que o sofrimento dos jogadores ao ver o time cair para a penúltima divisão do Nacional não foi nada diferente do sentido pelos jogadores.
“Os torcedores e nós, jogadores, sofremos bastante”, garante o volante. Sobre a participação do time nos primeiros jogos do Paraense, o meio-campista fez um alerta: “Tem muita coisa a ser levada em consideração. Entramos em campo sem um coletivo, um jogo treino, sem o Mazola poder fazer maiores trabalhos táticos pelo pouco tempo e pelo elenco reduzido no momento”, aponta. Na avaliação do jogador, apesar das dificuldades, o Paysandu conseguiu se sair bem em sua estreia no campeonato. “Conseguimos fazer muita coisa e isso tem que ser valorizado”.
(Diário do Pará)
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