Apesar de ter trocado, há 45 anos, o bairro de Bonsucesso, subúrbio do Rio de Janeiro, onde nasceu, por Belém, Jorge Corrêia de Melo, ainda carrega a ginga carioca por onde vai. Só o sotaque da terra de origem desapareceu, dando vez ao “idioma” papa-chibé, que o denuncia como um paraense adotivo. O ex-zagueiro desembarcou em Belém em 1969, às vésperas do Mundial do México e nunca mais foi embora. Ele é um dos muitos jogadores ou ex-profissionais do ramo que fazem valer o ditado que diz que quem vai ao Pará, parou, tomou açaí ficou.
A vinda para a capital paraense se deu por intermédio do saudoso dirigente do Paysandu Jorge Falangula, que foi ao Rio em busca de um bom zagueiro de área. Chegando lá, o cartola bicolor recebeu do falecido treinador Telê Santana, na época jogador do Fluminense-RJ, as melhores informações sobre um zagueiro que defendia o Olaria-RJ e que se chamava Jorge Corrêia. A conversa entre o ex-defensor do Papão e o histórico dirigente foi rápida e definitiva.
“Disse ao seu Falangula que aceitava vir para Belém ganhando Cr$ 400 (moeda da época), mas que se conseguisse ser titular exigiria Cr$ 1.500 para continuar no Paysandu”, recorda. “Ele topou na hora”, acrescenta. Logo na estreia um teste de fogo para o ex-jogador. “Cheguei numa sexta-feira à noite e no domingo já fui logo encarando um Re-Pa”, lembra Corrêia. Antes de ser escalado, foi questionado pelo técnico da época, Carlos Castilho. “Ele chegou comigo e perguntou se eu queria jogar. Disse que sim, pois não tinha vindo para olhar”, diz.
O Papão venceu o clássico por 3 a 0, gols de Palito e Wilson (dois). Após a partida, no vestiário do Baenão, Falangula informou ao ex-jogador que ele ganharia o salário que havia exigido. “Passei a ter um dos maiores salários do clube”, conta, orgulhoso. Formando dupla com João Tavares, outro craque da época, Corrêia conquistou os estaduais de 1969, 71 e 72. O ex-zagueiro se notabilizou também por ter sido o maior marcador de Alcino, segundo o próprio ídolo da torcida do Remo.
Antes de chegar à Curuzu, Corrêia, ainda garoto, esteve no Bonsucesso-RJ e Madureira-RJ, pelo qual diz ter excursionado por todo o continente americano. “Até em Cuba chegamos a jogar”, recorda. Do Rio, ele foi para o Club Deportivo Lara, da Venezuela, onde jogou por quase nove anos. “Lá eu casei, mas acabei me separando após cinco anos”, revela. Nos últimos anos da carreira, Corrêia defendeu o Castanhal e, depois, o Liberato de Castro, extinto. Além de Castilho, o ex-jogador teve como técnico no Papão o lendário Juan Alvarez.
Mesmo figurando entre ex-ídolos do Papão, Corrêia se queixa de ter sido esquecido pelos dirigentes do clube. “Nunca ninguém me procurou para nada dentro do Paysandu”, acusa. Mas nem o desprezo dos dirigentes o fez deixar de lado uma de suas maiores paixões, o time bicolor. O ex-jogador vai aos estádios em quase todos os jogos da equipe. Quando o Papão não está em campo é fácil encontrar o ex-jogador nas cercanias da Curuzu jogando conversa fora.
(Diário do Pará)
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