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ESPORTE PARÁ

O Leão até acordou, mas já era tarde

A derrota por 2 a 1 não foi necessariamente o maior dos problemas a serem justificados, afinal de contas, em clássico, qualquer favoritismo pode desmoronar de uma hora para outra. O maior problema dos azulinos foi explicar a atuação bisonha nos 45 minutos

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A derrota por 2 a 1 não foi necessariamente o maior dos problemas a serem justificados, afinal de contas, em clássico, qualquer favoritismo pode desmoronar de uma hora para outra. O maior problema dos azulinos foi explicar a atuação bisonha nos 45 minutos iniciais, que, por muito pouco, não abriu caminho para uma goleada na metade do jogo.

Na visão do técnico Charles Guerreiro, o problema da primeira etapa foi a falta de interesse na partida. “Nós entramos sonolentos, sem vontade. A prova disso foi que o Paysandu mandou no primeiro tempo, e num clássico como esse não se pode falhar. O nosso vacilo foi cruel e o Paysandu largou na frente fazendo dois gols. Eles vieram com mais vontade, enquanto nós erramos muitos passes; marcamos apenas com os olhos”, criticou.

A maior prova do jogo insosso foi a substituição do meia Athos ainda no primeiro tempo. A entrada de Zé Soares alterou o esquema tático do time, passando do 4-4-2 para o 4-3-3, dando ao Remo maior volume de jogo no ataque e, pela própria característica do atacante, mais velocidade pelas laterais. “Não foi só o Athos que não jogou. Metade do time não conseguiu produzir no primeiro tempo. Batemos cabeça atrás, os nossos volantes e meias não conseguiram jogar. Quer dizer, a mudança, tirando um homem que cadencia o jogo por um de velocidade foi o que nos salvou”, assegura.

No intervalo do jogo, o treinador teve uma conversa com os jogadores e deixou bem claro que atuando desta forma, seria inevitável sofrer mais gols. No retorno, o Leão Azul era outro e, segundo as suas palavras, esteve digno do empate. “Não fizemos nada no primeiro tempo, mas dominamos no segundo e por tudo o que produzimos, o resultado mais justo seria o empate”, finaliza o treinador.

Só na vontade

O ex-atacante remista Robinho esteve no Mangueirão antes do jogo. “É uma honra para mim retornar a esse palco onde eu fui muito feliz, onde fiz muitos gols importantes. Talvez o mais importante deles, para mim, foi o terceiro, de cabeça, na vitória por 3 a 2 contra o Paysandu (em 2000, pela Copa João Havelange). Aquele momento foi mágico e espero que o Remo volte a ter outros desses”, disse o jogador, que não deve ter gostado do que viu em seguida...

Meia Athos é substituído antes do intervalo e reclama do time

O que parecia ser apenas uma falta de sintonia está se mostrando cada vez mais um problema de ordem interna. O meio-campo Athos, mais uma vez teve atuação discreta e acabou substituído ainda no primeiro tempo, para a entrada do atacante Zé Soares. E apesar de não ter esboçado reação no momento, ao final do jogo o atleta, mesmo sem ser questionado se teria algum problema, abriu o jogo e cogitou até deixar o clube.

“Eu venho desempenhando o meu papel. Nessa partida eu acho que não errei nenhum passe, fiz algumas jogadas no primeiro tempo, mas levamos dois gols. O treinador decidiu me tirar faltando cinco minutos para o fim do primeiro tempo porque queria colocar o time mais na frente devido a derrota, ele sabe o que faz, eu nunca desrespeitei um treinador”, disse, para, em seguida, concluir a crítica.

“Eu não quero atrapalhar ninguém. Vim aqui para ajudar, e se eu não servir mais, vou conversar com a diretoria, porque nunca roubei em clube algum. Nunca aconteceu na minha carreira de sair faltando cinco minutos para o fim do primeiro tempo. Vamos ver o que será resolvido, mas se eu não servir, pego minhas coisas e vou embora”, concluiu.

Às vésperas do clássico, o meia mostrou, timidamente, insatisfação em relação à função que vinha exercendo. Por ser armador, Athos prefere jogar na posição de Eduardo Ramos e, numa recente entrevista, referiu-se num tom pejorativo ao companheiro como “o nosso grande jogador”, enquanto ele precisa armar e marcar. O diretor de futebol, Thiago Passos foi claro quanto à situação do atleta: “Só vai jogar no Remo quem quiser. Quem não tiver interesse pode sair”.

Diretor azulino ficou ‘mordido’

A lerdeza apresentada pelo Remo no primeiro tempo de jogo chamou a atenção de todos, principalmente dos dirigentes remistas que se mostraram insatisfeitos com o futebol do time. Ao final do jogo, o diretor de futebol Thiago Passos disse que não se conforma com o resultado e que no dia de hoje irá reunir, ao lado dos demais membros da diretoria, com todos os jogadores e comissão técnca.

“Vamos conversar com todos os jogadores e a comissão técnica para entender as motivações que levaram o time a mostrar esse desempenho tão abaixo do esperado. Não é admissível que o Clube do Remo, num clássico esperado por todos nós, depois de um projeto de montagem de um time forte, tome uma postura apática”, critica Passos.

Atualmente, o Leão tem uma despesa mensal de R$ 550 mil reais de elenco, mas apesar disso, os próprios dirigentes, assim como a torcida, ainda não se convenceram do futebol apresentado até o momento. “Precisamos urgentemente nos reerguer, até porque o campeonato é curto e não temos mais tempo para lamentações. A gente precisa manter o equilíbrio, a razão, mas precisamos saber por que o Remo se portou tão mal no primeiro tempo”, prossegue, para concluir num recado direto. “Nós não temos mais margem para errar. Providências devem ser tomadas”, avisa.

(Diário do Pará)

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