Apesar dos números modestos divulgados sobre as vendas de ingressos e arrecadação, o lado A do Mangueirão, onde fica localizada a torcida do Remo, esteve nitidamente em maior número, muito acima dos 10.076 ingressos vendidos, como o anunciado. O Fenômeno Azul compareceu em peso, confiante na vitória, mas foi obrigado a sair em silêncio, ouvindo as provocações da Fiel Bicolor.
Na avaliação do torcedor azulino, a derrota reforça algumas deficiências claras que o time tem, e muitas delas, segundo a voz das arquibancadas, não são consertadas pelo técnico Charles Guerreiro, principalmente no setor defensivo. “Todo mundo está vendo que o Rogélio não tem qualidade. Ele é inseguro e mais uma vez mostrou isso fazendo até um gol contra”, exclamou o Isaac Cunha.
Para outros, a derrota para o maior rival veio num bom momento, pois, apesar do revés, o time ainda está entre os líderes do campeonato e não corre risco de ter a classificação ameaçada. “A hora é essa. O Remo ainda pode perder para se ajustar, se fosse mais na frente ai sim seria ruim. Foi até bom perder, pelo menos eles se dão conta de que o Remo ainda precisa crescer”, sugere o torcedor remista Cláudio Rodrigues.
As críticas encontram fundamento nas exibições dos últimos jogos, no entanto, há quem defenda a manutenção do trabalho e aposte que a evolução é questão de poucos jogos. “É preciso deixar o Charles trabalhar. Como ele vai mostrar trabalho se muita gente o critica? Ainda é cedo para apontar o fracasso. O Remo tem time para ser campeão”, rebate Vitor Miranda.
Do lado vencedor
Apesar de estar em desvantagem numérica, a torcida do Papão foi quem festejou ao final do jogo. Calada a maior parte do tempo, aceitando as provocações da torcida azulina, até então mais confiante, foi só o árbitro apitar o final da partida, para os gritos e festejos começarem. Começava ali o carnaval bicolor, regado a dois gols, com direito a liderança do campeonato.
Entre os torcedores, a vitória em cima do maior rival sempre tem um sabor diferente, sobretudo quando, na tese, o Papão se mostra inferior tecnicamente. O confronto direto serviu para tirar as conclusões e o resultado deixou claro que badalação não ganha jogo. “Isso serviu para mostrar que eles estão com um time fraco. O Paysandu foi lá, na humildade, e venceu”, disse o torcedor bicolor, Ronaldo Junior.
Para outros, a vitória foi merecida, porque o técnico Mazola Junior admitiu a fragilidade da equipe e optou por um sistema com três volantes, aumentando a marcação no ataque adversário, e investindo nos contra-ataques. Outro problema extra-campo foi a saída do lateral-direito Yago Pikachu. Sem ele, muitos pensavam que seria difícil, mas na prática o Papão foi além do esperado.
“O Pikachu é um bom jogador, mas o Paysandu não depende só dele. Temos outros jogadores e hoje isso ficou muito claro. Se sair ou não, tanto faz”, completou o funcionário público Luiz Silva. A vitória deixou o Paysandu na liderança com 10 pontos, mesma pontuação do Remo, que perde no número de gols marcados (9 a 8).
(Diário do Pará)
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