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ESPORTE PARÁ

Val Barreto brilha na goleada do Leão

Em noite chuva, sem cara de futebol, o Clube do Remo conseguiu sua quarta vitória no primeiro turno do Campeonato Paraense, ao golear o Gavião Kykatejê por 4 a 0, no Mangueirão. A vitória deixou os azulinos na liderança provisória da tabela, com 13 pontos

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Em noite chuva, sem cara de futebol, o Clube do Remo conseguiu sua quarta vitória no primeiro turno do Campeonato Paraense, ao golear o Gavião Kykatejê por 4 a 0, no Mangueirão. A vitória deixou os azulinos na liderança provisória da tabela, com 13 pontos, classificados para as semifinais, enquanto a equipe indígena segue com quatro pontos, em sétimo.

A partida começou magra, com os dois primeiros ataques do time visitante, aos 10 minutos, com uma saída errada de Carlinhos Rech, que deu ao Gavião a primeira chance perigosa. Aos 10, Eduardo Ramos iniciou a série de assistências com Thiago Potiguar, que bateu em cima do goleiro, ganhando apenas o escanteio. Logo mais, em falta sofrida na intermediária, o volante André desferiu um chute indefensável no ângulo do goleiro Douglas. Remo 1 a 0.

Na sequência o volante sentiu a coxa e deixou a partida. O Remo continuou a insistir, mas as jogadas laterais em nada contribuíam para a finalização dos atacantes. Assim foi por todo primeiro tempo, até que o técnico Charles Guerreiro resolveu mexer na equipe. Já na segunda etapa o atacante Val Barreto entrou no lugar de Leandrão e o panorama mudou da água para o vinho. Aos dois minutos Carlinhos Rech subiu para cabecear e ampliar. Cinco minutos depois foi a vez de Levy, pela direita, cruzar para a cabeça certeira de Val Barreto.

O Remo sufocava o Gavião. E o ‘Valotelli’ quis mais: dentro da pequena área, a bola cruzada por Eduardo Ramos mais uma vez achou o matador, que sacramentou a goleada: 4 a 0 para o Leão. Restou ao Gavião tentar as investidas pelas laterais, com Gleissinho e Ednaldo, mas já era tarde.

Com dois gols, ‘Valotelli’ muda o jogo

Parecia que a escalação de Val Barreto, olhando pelo lado óbvio do ataque azulino, era questão apenas de bom senso. No retorno ao segundo tempo, o ‘Valotelli’ foi escalado no lugar de Leandrão e não decepcionou. Quando teve oportunidade, a primeira aos sete minutos, o jogador teve precisão cirúrgica para marcar o segundo gol do Leão. A partir de então, embalado pelo apoio da torcida, o atacante vibrou com as arquibancadas e agradeceu o apoio pelo retorno aos titulares.

“A torcida é um combustível a mais. Eu tenho trabalhado muito e deixei as pessoas falarem que estou duro, que vou mal, mas eu sei o que venho fazendo. Essas críticas acontecem, mas não me atingem. Aqui no estádio é diferente, os torcedores me abraçam e esse é o meu estímulo”, comemora.

Os dois gols marcados no início do segundo tempo era tudo o que Val Barreto queria. Até o final da partida, o atacante criou pelo menos mais duas oportunidades, mostrando novamente que está com faro de gol. “A minha função é fazer gol. Agora vai do professor optar por me dar uma boa sequência de jogos, para que eu pegue um ritmo de partidas, fora o meu crescimento profissional. O importante é jogar, agora eu deixo na mão dele, que está procurando a melhor formação para o clube”, encerra.

Substituições melhoraram o time

As mudanças táticas promovidas pelo técnico Charles Guerreiro, ao menos nos minutos iniciais da partida, mostraram um efeito prático tímido. A entrada de Dadá como segundo volante, permitindo a Jhonnathan subir mais ao meio, deu ao Remo maior movimentação pelas laterais. As subidas do lateral-direito Levy eram mais acentuadas do que as do companheiro da esquerda, Alex Ruan.

O setor predominante passou a ser esse, enquanto Thiago Potiguar arriscava pelo meio-campo. Porém, o problema manteve-se nas bolas alçadas na grande área, que dificilmente acertavam a cabeça do centroavante Leandrão. A escassez foi tamanha, que no segundo tempo, o atacante pediu para sair, entrando Val Barreto. A essa altura, o Remo já contava com Zé Soares no lugar de André.

Com o time mais ofensivo, as jogadas começaram a fluir. Coincidência ou não, o atacante Val Barreto foi diretamente beneficiado: em dois lances semelhantes, o ‘Valotelli’ não desperdiçou e marcou nas duas vezes.

O caminho para a goleada estava aberto, mas isso não disfarçou alguns problemas na defesa, novamente vítima de alguns passes errados, que por pouco não causaram estrago.

Para o técnico Charles Guerreiro, o resultado foi justo. “Nós entramos com três volantes, soltando mais um pouco o Jhonnathan, dando maior velocidade na frente, com a entrada do Zé Soares no lugar do André. E com a saída do Leandrão, o Val Barreto deu mais velocidade, que já tinha o Potiguar. Caímos muito na costa do Edinaldo, lateral-esquerdo deles, daí criamos com a ajuda do matador. O Dadá também foi muito bem, lancei ele em 2006, sei que tem facilidade de jogo, assim como o Levy pela direita”, enaltece o técnico azulino.

Goleada elimina o Kyikatejê

A equipe do Gavião Kyikatejê sabia desde o começo que seria difícil sair ao ataque dependendo apenas de seus atletas. Por esse motivo, o esquema tático armado pelo técnico Vitor Jaime povoou consideravelmente o meio-campo, na tentativa de sair no contra-ataque. Mas infelizmente, para ele, o gol sofrido no nos primeiros 20 minutos foi crucial para o insucesso no restante da partida.

“É lamentável perder como perdemos. Tomamos dois gols de bola parada, quando a equipe soube fazer a marcação. Tivemos até duas ou três chances de deixar a nossa marca. No segundo tempo, logo do início, depois de uma mexida, acabei levando o gol. Poderia ter deixado a formação mais uns 15 minutos. Aí, eu tive que abrir o jogo, mas tomamos outros dois gols, coisa que não tomávamos desde a seletiva”, avalia o técnico.

Contudo, o treinador foi sincero ao considerar que o adversário esteve melhor em campo. Usando mais dos artifícios de arranque, o Remo dominou boa parte do jogo, sobretudo quando abriu dois gols, como citado por ele. “Os erros de bola parada, que nos levaram a sofrer os dois gols, fizeram a diferença. Não tem justificativa, porque o time deles foi muito bem no jogo”, elogia.

O único ponto criticado por ele foi o pouco tempo de preparação do time, considerado apertado, forçando os atletas a terem praticamente algumas horas até a hora da partida. “Chegamos 11 horas da noite, tivemos pouco tempo para nos preparar. É um esforço muito grande, e os nossos jogadores têm sentido. Mas tivemos boas atuações individuais, como o Gleissinho e o Edinaldo, que ajudaram muito a compor nossos ataques pelas laterais”, encerra o técnico do Gavião, que, com o resultado, está eliminado da Taça Cidade de Belém, mas ainda tem mais um jogo para cumprir tabela, contra o Santa Cruz.

(Diário do Pará)

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