Terceiro clube mais antigo do futebol do Pará, atrás de Tuna Luso Brasileira – 111 anos – e Clube do Remo – prestes a completar 109 anos –, o Paysandu Sport Club chega aos 100 anos de existência neste domingo. É a 72ª agremiação futebolística brasileira a comemorar a data centenária. Menos da metade daqueles que já comemoraram o centenário, porém, conseguiu atingir uma marca de títulos semelhante a dos bicolores.
Em termos de conquistas, a superioridade começa no próprio Estado. Em cem anos de existência, foram 45 títulos de Campeonato Paraense, contra 42 do maior rival e dez da Lusa. A nível nacional, o Papão coleciona um bicampeonato brasileiro da Série B, Copa dos Campeões, Copa Norte, além de ter sido o único da Região Norte do país que participou de uma edição da Copa Libertadores da América, inclusive com direito a uma vitória histórica sobre o Boca Juniors, em pleno estádio de La Bombonera.
Em épocas diferentes, a história vitoriosa do clube foi construída aos poucos por grandes craques, como Bené, o maior artilheiro que já passou pela Curuzu, autor de 249 gols com a camisa bicolor. Outro grande ex-jogador do Paysandu, Quarentinha foi eleito, em 2000, o atleta do século XX do futebol paraense. Ele também é considerado o maior jogador que já passou pelo clube. Foram 18 anos dedicados ao Papão.
Atual presidente e ex-atacante do clube, Vandick Lima ficou marcado em apenas três anos. Embora tenha sido contratado aos 36 anos, ele participou daquele que foi o último e um dos mais vitoriosos grupos que o Paysandu já formou, entre os anos de 2001 e 2003, sob o comando do técnico Givanildo Oliveira. Depois de um início de trabalho turbulento e complicado na Curuzu, com ameaças de dispensa, Vandick reagiu, virou destaque e comandou o time na reta decisiva do Brasileiro. Ele também foi importantíssimo na conquista da Copa dos Campeões.
Na festa que acontece desde a meia-noite, com programação durante o dia inteiro, incluindo o jogo entre Paysandu e São Francisco, às 16h, no Mangueirão, mais uma vez o presente será dos convidados: a Fiel Bicolor. Desde 1914 que a torcida vive momentos inesquecíveis de alegria, emoção e tristeza também. Porque a derrota faz parte do esporte, do futebol. Faz parte de um clube vitorioso, que está de parabéns por tudo aquilo que conseguiu em cem anos de existência.
Comemoração já começou, mas continua hoje
Para celebrar a data histórica, o departamento de marketing do Paysandu, tendo à frente o publicitário Ricardo Gluck Paul, elaborou uma vasta programação, que marca o início das comemorações, que devem se estender por todo este ano. A festa do centenário começou ontem, na Curuzu, com várias atrações para o torcedor.
O ‘show da virada’ começou no sábado, com a apresentação do grupo de pagode Nosso Tom, seguido pelas participações de Pinduca e banda e da bateria do Racho Não Posso Me Amofinar, acompanhada pelo puxador de samba Dominguinhos do Estácio, torcedor do Papão. A escola do bairro do Jurunas homenageará os 100 anos do Papão neste Carnaval. A 45 segundos da meia-noite, houve queima de fogos de artifícios na chamada contagem regressiva para o aniversário do clube.
Neste domingo, a partir de 8h, ainda na Curuzu, haverá encontro de confraternização de craques do passado, dirigentes, torcedores e amigos do clube. Já no começo da tarde, uma grande carreata seguirá o carro de Bombeiros, que levará os principais troféus conquistados pelo Papão até o Mangueirão.
Já no estádio acontecerá o lançamento dos novos uniformes do clube para a temporada. Minutos antes do início do jogo com o São Francisco haverá a execução dos hinos do Brasil e do Pará pela banda marcial do Corpo de Bombeiros. O compositor e torcedor Marco André cantará o hino original. No intervalo do jogo, haverá a execução da marcha do Paysandu, muito confundida com o hino, e o desfile de delegações de todas as modalidades esportivas praticadas pelo clube.
Após o jogo os festejos serão retomados com a apresentação das novas camisas para a temporada, exibição do vídeo Centenário do Paysandu e, por fim, a execução do tradicional parabéns, com direito a um imenso bolo.
Camisa bicolor foi vestida por grandes craques
Ao longo dos 100 anos de vida do Paysandu, o torcedor bicolor já viu muitos craques desfilarem em campo com a camisa do clube. Dentre esses craques, muitos se destacaram pela grande familiaridade com a rede dos gols adversários, os chamados goleadores, artilheiros ou “matadores”. Os torcedores mais novos lembram facilmente de Róbson, o Robgol, que participou da inesquecível participação do time na Libertadores de 2003.
Recuando um pouco mais no tempo, o torcedor se depara com um grande número de goleadores. Bené é o maior deles, ostentando a marca de maior goleador do clube. Em nove temporadas atuando pelo Papão, o jogador vindo dos aspirantes (categoria extinta) do Vasco-RJ, o atacante marcou 249 gols. A lista conta, entre outros, com Cacaio, atual treinador do Paragominas, um dos principais responsáveis pela conquista do Brasileiro de 1991 ao marcar 14 gols, sendo o principal goleador da competição.
Outro goleador a se destacar vestindo a camisa bicolor foi Dario. O folclórico atacante foi o responsável por arrastar o maior número de torcedores ao Mangueirão até hoje - 64.010 pessoas -, quando o estádio contava com apenas um lado de arquibancada concluído. Em seis meses de Curuzu, Dadá Maravilha ou Peito de Aço, como era chamado, anotou 26 gols, que ele costumava matizar, como fez no gol “Sossega Leão” em um dos Re-Pa’s que disputou. A relação inclui ainda Cabinho, Dadinho, Urubu, Chico Spina, Marciano, Edil, Quarentinha (pai e filho), Vandick.
(Diário do Pará)
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