Zeca Pirão fez a parte dele. Na condição de presidente do Clube do Remo, tentou conciliar o técnico do sub-20, Válter Lima, e Charles Guerreiro. Em vão. A negativa do técnico do time profissional fez o dirigente, em tese, ‘lavar as mãos’ para o desempenho da equipe, que entra na semifinal do primeiro turno do Parazão, amanhã à noite, contra o Cametá, com a necessidade de vencer e convencer a torcida.
Embora tenha mantido a calma, o mandatário remista deixou um recado. “A responsabilidade é dele. Eu fiz meu papel como presidente, indicando quem eu acho que seria bom para o time. Mas ele acha que tem que trabalhar com quem ele gosta. Depois ele não vai poder inventar desculpa por ter perdido numa indicação que ele não queria. Ele não vai ter desculpa de nada, vai ter tranquilidade de trabalhar com quem ele quiser, assim como a responsabilidade será toda dele”, adverte Pirão.
O ultimato aparenta ser a chance final para o treinador. A pressão pela demissão de Charles após a derrota para o Paragominas era nítida, mas por questões contratuais, não foi concretizada pela diretoria. O treinador teria uma cláusula contratual que impõe multa rescisória de R$ 500 mil, enquanto outras fontes dizem não existir. A única certeza é que o técnico está com dois meses de salários atrasados, enquanto a maioria dos novos contratados recebeu dois meses de adiantamento.
Por esse motivo, Charles Guerreiro ganhou nova oportunidade, mas terá de se desdobrar. Caso contrário, o ‘bilhete azul’ já aponta para sua prancheta. “Eu mostrei uma pessoa de dentro do clube, mas ele não aceitou, então vou cobrar dele. Ele sabe que eu tenho 100% de confiança nele, sei do treinador competente que é. Ele vai ser campeão paraense, tenho certeza disso”, aposta Pirão.
Problema particular impede que Charles Guerreiro e Valtinho trabalhem juntos na equipe profissional
A intenção da diretoria do Clube do Remo era colocar o técnico do sub-20, Válter Lima, para trabalhar como auxiliar-técnico do time profissional comandado por Charles Guerreiro, que perdeu recentemente os auxiliares Nildo Pereira e Edmilson Melo, demitidos. Porém, Valtinho não foi aceito pelo próprio treinador para ser auxiliar.
Charles Guerreiro admitiu ter tido alguns problemas pessoais com o treinador da base logo que chegou ao Baenão. “Eu conversei com a diretoria e dificilmente ele vai (ser auxiliar). Desde que cheguei aqui tive um problema com o Valtinho”, revelou o técnico, sem entrar em detalhes do desentendimento.
A divergência de ideias foi tamanha que faltava apenas a decisão de Charles para Valtinho ser integrado ao elenco profissional. O técnico do sub-20, por sua vez, chegou a dizer que não teria problema em trabalhar com o comandante e que se ele fosse demitido, iria junto em solidariedade e respeito. Mas Charles não mudou de ideia. “Eu prefiro não falar no momento, mas conversei com o presidente, tenho a minha comissão e dificilmente eu trabalho com o Valtinho”.
Sem outra saída, o Remo deve entrar em campo nesta quinta-feira, para enfrentar o Cametá, apenas com Charles Guerreiro à beira do gramado, enquanto a diretoria corre atrás de um novo auxiliar técnico.
O nome mais cotado para o cargo é o do ex-volante Agnaldo, ídolo da torcida azulina, apelidado de ‘Seu Boneco’, mas até o momento o (s) substituto (s) ainda não foi (foram) definido (s) pela direção remista.
(Diário do Pará)
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