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ESPORTE PARÁ

Leão constrói uma boa vantagem para próximo jogo

Em uma partida disputada, com lances truncados e muita correria, o Clube do Remo conseguiu levar a melhor sobre o Cametá, impondo ao time da casa uma vitória por 2 a 0, em jogo válido pela semifinal do primeiro turno do Campeonato Paraense, que dá aos azu

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Em uma partida disputada, com lances truncados e muita correria, o Clube do Remo conseguiu levar a melhor sobre o Cametá, impondo ao time da casa uma vitória por 2 a 0, em jogo válido pela semifinal do primeiro turno do Campeonato Paraense, que dá aos azulinos a vantagem de jogar pelo empate no confronto de volta, neste domingo (9), no estádio Mangueirão.

A história do jogo no Parque do Bacurau revelou um equilíbrio de forças. O primeiro tempo premiou o oportunismo azulino, que soube se colocar em campo, aproveitando as brechas na defesa do Mapará. E mesmo na condição de visitante, os primeiros bons momentos vieram do Leão Azul, alternados em contra-ataques do Cametá. Numa dessas jogadas, ainda aos sete minutos, o atacante Leandrão recebeu bola no campo adversário, olhou e arriscou o chute. Ao defender, o goleiro Alencar Baú se atrapalhou e deixou a bola entrar.

O gol do Remo inflamou a partida e o Cametá, como um legítimo guerreiro, partiu em contragolpe, apoiado pelos gritos de mais de cinco mil espectadores. O lá e cá, ao menos no meio-campo, favoreceu as investidas do anfitrião, que conseguia anular ao mesmo tempo os laterais remistas. No segundo tempo, quando teve mais posse de bola, o técnico Adonaldo Viana tomou por completo a área, colocando um atacante (Kenia) no lugar de um volante (Frank).

Com três atacantes, o Mapará sufocou o Remo. O mais perigoso era Robinho, que por muito pouco não fica cara a cara com Fabiano após “limpar” a zaga remista. Apesar do domínio, o Cametá caiu num erro batido: abrir espaços para os contra-ataques. E num desses, aos 44 minutos, Eduardo Ramos lançou Ratinho, que fez uma bela jogada e chutou cruzado para ampliar e fechar o placar da partida. Remo 2 a 0.

Os heróis da vitória exaltam a força do grupo

Aos sete minutos da etapa inicial, o atacante Leandrão abriu o placar após um bom chute desferido do meio da rua. Lógico que foi ajudado pela falha do goleiro Alencar Baú, mas o mérito em si foi todo dele, que estava há vários jogos sofrendo a mesma pressão que o comandante sofria. Para ele, que marca o segundo gol neste campeonato, a vitória tem um sabor de recompensa pelo esforço empregado por todo grupo.

“No lance do gol eu já tinha pedido para sair, pois estava com muita cãibra na posterior e logo em seguida eu recebi a bola. Quando recebi, nem olhei para o goleiro, só fechei o olho e chutei, para cair no chão logo em seguida. Acho que a vitória foi merecida, mas sabemos que o segundo jogo vai ser muito difícil. O campo maior até facilita, mas o respeito pelo adversário sempre existe”, explica o atacante, que foi substituído por Val Barreto já no segundo tempo.

O jogador retornou à equipe titular nesta partida - estava afastado por conta de uma contusão no pé -, e quando se esperava que a sua atuação fosse discreta, na avaliação do técnico, Leandrão foi de suma importância, por ter se posicionado bem e ter voltado quando exigido para recompor a marcação, da mesma forma que o substituto de Zé Soares, Ratinho, foi peça-chave no esquema.

“Eu acho que mesmo no banco, eu estou jogando, me entregando, e Deus me agraciou. Eu não estou chateado por estar no banco. Se estou aqui é pra ajudar o Remo. Acho que hoje em dia estou consciente da situação, que todos aqui trabalham muito para dar ao Remo o que ele merece, que são as vitórias e títulos”, comenta Ratinho.

Charles rebate críticas e aponta futuro melhor

Em entrevista coletiva após a vitória, o técnico Charles Guerreiro aproveitou os minutos para comentar diversos assuntos que o cercavam durante a semana. E como não poderia deixar de ser, as críticas lançadas por grande parte da crônica esportiva e da torcida, estavam no centro das respostas. Da mesma forma que Charles respondeu uma a uma as críticas, ele exaltou a qualidade do grupo, que jogou com prioridade absoluta à marcação.

“Eu falei para os jogadores que a qualidade é muito clara. Disse que precisávamos igualar a marcação do Cametá ou ultrapassar. E todo mundo marcou, o Potiguar, o Zé Soares, o Leandrão, todo mundo atrás da linha da bola para sairmos em seguida na velocidade”, explica ele, que não considera a vaga garantida. Para ele, o Remo precisa entrar com o mesmo ímpeto no domingo.

Sobre a pressão externa, Charles deu o recado. “Agora, eu acho que a imprensa tem pegado pesado comigo. Eu sei que a crítica vem e quando a gente erra, precisa aceitar. Teve alguém que chamou o treinador de ‘Banana’. Tem que respeitar, eu nunca fui para o outro lado, sempre fiz amizade. Eu estou fazendo meu trabalho. E tem uma coisa, o grupo está fechado comigo”, desabafou.

Nesta sexta-feira, na reapresentação do elenco, possivelmente Guerreiro deve acertar a entrada de seu mais novo auxiliar técnico. “O presidente conversou comigo e disse que o Agnaldo vai estar à disposição no sábado. Ele é um profissional que dispensa comentários, vamos fazer uma boa parceria juntos”, encerra.

Bom jogo e confiança na ‘volta’

A derrota para os azulinos não escondeu o bom futebol apresentado pelo Cametá, ao menos na visão dos jogadores e do técnico Adonaldo Viana. “Nosso time jogou muito. Infelizmente, o Remo fez dois gols, mas isso acontece. A gente pode reverter o resultado lá no Mangueirão. O time está de parabéns e agora vamos descansar para pensar no jogo de volta”, comenta o meia Leandrinho.

Uma das características do time foi o avanço ao ataque. Em certo momento, o Cametá chegou a ter três atacantes, quando apenas um deles, Robinho, já dava trabalho ao Remo. Na visão de Adonaldo Viana, a vitória escapou por conta de pequenos ajustes que foram feitos tardiamente.

“Nós temos que buscar as alternativas. Não poderíamos ficar atrás, sabendo que eles tomaram conta, em parte do jogo, do meio-campo. Quando ficamos na desvantagem, procuramos reposicionar nossos jogadores, principalmente os homens de meio-campo. O nosso ataque estava muito para um lado e os meias acompanhavam, dificultando até as inversões de jogada”, detalha.

No segundo tempo, quando voltou mais ousado, o Cametá criou diversas oportunidades de gol, jogando constantemente com o auxílio dos laterais e meias de ataque, mas esbarrou no desempenho vibrante da zaga azulina. “Nós temos que ter os pés no chão para arrumar um time capaz de surpreender o nosso adversário, mesmo que estejamos na desvantagem. A principal meta é ajustar o meio-campo, para articular melhor as jogadas. A vantagem deles é grande, mas não é impossível de ser revertida”, conclui.

(Diário do Pará)

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