Lançado há oito meses, o projeto Sócio-Torcedor, chamado de Sócio-Bicolor, do Paysandu ganha a cada dia mais adeptos, reunindo, hoje, cerca de três mil associados. O objetivo do idealizador do projeto, o consultor de marketing gaúcho Júlio César Emmel, de 60 anos, é atingir ao final de 2014, no mínimo, dez mil agregados, como ele chama. “Quando se cria uma meta fica mais fácil avançar. Existe sempre a disputa saudável entre os torcedores do clube com os do time rival”, salienta Emmel.
Segundo ele, uma faixa de 30 a 35 pessoas têm procurado a sede bicolor ou acessado o site do clube para aderir ao projeto diariamente. Os festejos dos 100 anos de fundação do clube, ocorridos há uma semana, de acordo com Emmel, deram um aquecimento a mais na procura pelos torcedores. “A gente já vinha recebendo um bom número de adesões. Com a festa de aniversário, houve uma melhora, sem dúvida”, revela.
O fato de o plano ser disponibilizado na Internet, conta o idealizador, injetou ainda mais força ao projeto. “Mesmo no final de semana, sem sair de casa, o torcedor pode se associar pelo site do Paysandu. É uma comodidade a mais para o público”, ressalta.
Emmel conta que o Sócio-Bicolor segue praticamente os moldes do que ele implantou, há oito anos, no Internacional-RS, clube detentor do maior número associados no futebol brasileiro - 106 mil. Diferente do projeto alviazul, que começou do zero, como lembra o consultor, quando chegou ao Inter, a agremiação reunia quatro mil associados. Ele diz que as vendas, como em qualquer outro clube, dependem do desempenho do time dentro de campo. “Se a equipe vai bem, o torcedor, claro, procura se associar”, observa. “Ninguém quer se aliar a perdedor”, completa.
Além de disponibilizar ao torcedor o acesso ao plano via Internet, o torcedor também ganhou o final de semana para se associação. No começo, por falta de material humano, o expediente na sede social ocorria de segunda a sexta-feira. Hoje, com uma equipe maior de atendentes, o torcedor também pode se associar no sábado, das 9h às 12h.
Preço alto dos ingressos não é estratégico
Para o consultor do projeto Sócio-Bicolor, o valor de R$ 30 cobrados pelo ingresso de arquibancada nos jogos do Paysandu não pode ser apontado como uma forma de forçar o torcedor a aderir ao plano. “Em todos os lugares do Brasil esse é o menor preço que vem sendo cobrado em arquibancadas”, afirma Júlio César. “É evidente que esse valor, um pouco acima do preço que vinha sendo cobrado, favorece, mas não se pode dizer que é uma estratégia usada para arregimentar mais associados”.
Na visão dele, esse tipo de projeto é hoje uma realidade no futebol brasileiro. Alguns com sucesso e outros, talvez por falha de execução, nem tanto. “Veja o caso da Chapecoense-SC, um clube que nem da capital de Santa Catarina é e mesmo assim já conta com 9.5 mil associados”, diz. Ele cita outros exemplos, entre eles o de ABC e América-RN, os principais clubes do futebol do Rio Grande do Norte. “São clubes que estão com um bom andamento em seus respectivos projetos e com boas perspectivas de futuro”, avalia.
Como vantagem de se associar ao projeto, o torcedor economiza dinheiro, ao mesmo tempo, em que ajuda o clube. Emmel observa que o torcedor do Pará, assim como ocorreu em outros Estados, ainda não possui a cultura de participar de projeto desse tipo, o que ele espera que ocorra o mais breve possível.
Programa ainda divide a opinião entre torcedores e sócios
O torcedor João Alberto Silva Lemos, de 46 anos, faz as contas, muito simples por sinal, e chega a conclusão de que acertou em cheio ao agregar ao projeto Sócio-Torcedor, do Paysandu. Para assistir aos quatro jogos com mando de campo do Papão, ele pagou apenas R$ 50. Caso tivesse comprado a entrada na bilheteria dos estádios teria desembolsado R$ 120. A economia, portanto, foi de R$ 70. “Acho que foi a melhor coisa que o Paysandu poderia fazer pelos torcedores”, afirma o torcedor. Como associado do plano, João Alberto pagou apenas R$ 12,50 em cada uma das partidas.
Apesar de satisfeito, João Alberto salienta que “alguns ajustes precisam ser feitos no projeto”. Uma das melhorias, segundo ele, está no acesso do torcedor aos estádios. “O atendimento a quem tem o Sócio-Torcedor ainda não é o ideal. Acho que o Paysandu precisa colocar mais pessoas para facilitar a entrada do associado nos jogos”, pede. A alegria de João Alberto e outros agregados do projeto bicolor não é compartilhada por alguns outros torcedores, entre eles, Luis Augusto, de 43 anos. “Como não vou com grande frequência aos estádios me sinto prejudicado com o preço de R$ 30 pelo ingresso”, reclama.
O consultor de marketing, Júlio César Emmel rebate a acusação de que o preço praticado pelo Paysandu em seus jogos seja abusivo, como supõe Luis Augusto. “Qualquer clube hoje não cobra menos que R$ 30 em seus jogos. Esse é o preço mínimo. Não tem menor”, garante. Alguns torcedores reclamam do preço e alegam que o ingresso sofreu um acréscimo de 50%. “Que fosse cobrado R$ 25 já estaria de bom tamanho, afinal o torcedor paga condução, tem o lanche antes ou intervalo do jogo e, além de tudo não tem conforto nos estádios.
(Diário do Pará)
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