Asituação formada entre jogadores, comissão técnica e diretoria parece ter sido planejada. Seria cômico se não fosse trágico: o Clube do Remo é eliminado da Copa do Brasil, toma uma goleada de 6 a 1 em pleno Mangueirão, perde o técnico e quatro dias depois enfrenta o maior rival numa semifinal de torneio inter-regional, que vale vaga em competição sul-americana.
Depois de uma semana agitada, como segurar o nervosismo em um momento de extrema importância? Parece ser difícil, mas ao menos no discurso, os jogadores do Remo demonstram concentração total no próximo adversário e nem lembram mais do recente tormento atravessado. “Ninguém pensa mais nesse jogo, nosso foco agora é o Paysandu”, revela o volante Jhonnatan.
Todavia, é preciso colocar-se na situação do adversário, que, até o momento, ainda não perdeu para o Leão Azul e vem de uma boa vitória pelo Campeonato Paraense. São contrastes que fazem do Re x Pa, uma imensa caixinha de surpresas e expectativas. Cabe aos remistas apenas observar o que o rival tem de melhor e trabalhar na velha mística de que “clássico é clássico e vice-versa”.
“A qualidade do Paysandu é inegável: é um time que está arrumadinho, mas o fator Re x Pá e a superação. Por isso eu acredito, que se os jogadores fizerem aquilo que queremos, se procurarem neutralizar, marcar e depois jogar, nós poderemos colher um bom resultado”, entende o técnico Agnaldo.
Pensando em garantir a tranquilidade necessária para o jogo, a diretoria iniciou a concentração na sexta-feira. “Nesse momento achamos importante blindarmos os atletas para que o foco seja mantido exclusivamente nesta partida, que é fundamental dentro do nosso projeto”, conta o diretor Thiago Passos.
APÓS QUEDA DE GUERREIRO, NENHUM NOME É CONFIRMADO PARA NOVO TÉCNICO Muito embora tenham dito que o momento é de atenção e apoio total ao técnico interino, Agnaldo de Jesus, a diretoria do Remo continua atrás do novo comandante, apesar de não revelar quem são os treinadores sondados. Imediatamente após a saída de Charles Guerreiro, vários foram especulados, passando por figuras conhecidas, como Roberval Davino, até Zé Teodoro, PC Gusmão, entre outros. O único a confirmar a sondagem foi o goiano Zé Teodoro, demitido há pouco tempo do Santa Cruz-PE. O técnico confirmou que havia sido procurado supostamente pelo diretor executivo do Remo, Emerson Dias, na época que Charles Guerreiro ainda estava no comando azulino. Outro nome procurado na mesma época foi de PC Gusmão, que está atualmente sem clube. O profissional chegou a ligar para Charles Guerreiro, confirmando a história. Os dirigentes, no entanto, mantém a discrição. “Nesse momento não é conveniente comentar quem são os profissionais que estamos buscando. É uma decisão interna que visa preservar o nosso grupo, num momento crucial para os nossos planos, que são conquistar o Campeonato Paraense e a Copa Verde”, desconversa o diretor de futebol, Thiago Passos. Um dos entraves para a procura cuidadosa é valor a ser pago ao novo treinador. Charles Guerreiro veio para o Remo com um salário estimado em R$ 25 mil reais, um valor considerado popular no mercado de técnicos regionais. Caso a diretoria tenha interesse em técnico de fora, esse valor facilmente seria duplicado. Talvez por esse motivo as últimas notícias sobre o assunto tenham comentado o nome de Tarcísio Pugliese, atual técnico do Icasa, que aceitaria vir para o Remo trazendo somente um preparador físico, encurtando os custos tradicionalmente exorbitantes de uma comissão técnica completa. |
(Diário do Pará)
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