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ESPORTE PARÁ

Leão e Papão perdem espaço para times menores

Quando o Paysandu entrou em campo no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília para enfrentar o Brasília, imprensa e torcida (mesmo a que torcia contra) sentia que um bom momento para o futebol paraense poderia estar chegando. Retornar a uma competi

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Quando o Paysandu entrou em campo no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília para enfrentar o Brasília, imprensa e torcida (mesmo a que torcia contra) sentia que um bom momento para o futebol paraense poderia estar chegando. Retornar a uma competição internacional através de uma conquista regional, restabelecer o predomínio sobre os vizinhos e voltar a virar notícia nacional por motivos positivos. Por retrospecto histórico, e pelo resultado do primeiro jogo, o título do Paysandu parecia algo lógico. Ao final do jogo, e das subsequentes cobranças de pênaltis, tudo se desfez. No lugar do otimismo, um amargo pessimismo se estabeleceu, relembrando de fracassos recentes dos nossos titãs contra equipes de menor expressão. A eliminação bicolor na Série C para o Salgueiro em 2010, a eliminação azulina para o Mixto em 2012… O que há de comum entre todas essas frustrantes derrotas do futebol paraense?.

Para esboçar uma resposta, podemos começar apresentando a velha tese do “salto alto”. Por sua maior tradição, maior folha de pagamento, torcida ou motivos similares, torcedores da dupla Re-Pa tendem a subestimar os adversários, numa empolgação que às vezes contagia dirigentes e atletas. Não faltou quem arriscasse, mesmo na imprensa, que o vencedor das semifinais da Copa Verde entre Remo e Paysandu, deste ano, fatalmente seria o campeão do torneio. Mas faltou combinar isso com o Brasília. Quando o Remo enfrentou o Mixto, em 2012, a grande discussão era - quem seria um adversário azulino nas quartas de final, onde o acesso seria disputado – Vilhena ou Sampaio? A Bolívia Querida Maranhense se classificou e enfrentou o Mixto que, com os pés no chão, eliminou um deslumbrado Remo.

Outro fator que merece atenção é histórico. A “supremacia paraense” sobre seus rivais regionais não tem o mesmo tamanho que se costuma imaginar. Entre 97 e 2002, foram disputadas cinco edições da Copa Norte. O Pará foi finalista três vezes, mas campeão apenas uma vez – em 2002, com o Paysandu. Na primeira edição, o Rio Branco do Acre calou o Mangueirão com uma vitória de virada sobre o Remo de Edil, Ageu, Agnaldo, Belterra e outros nomes que construíram o tabu de 33 jogos e o pentacampeonato paraense nos anos 90. Ao final, tal qual o Brasília, ele ganhou o direito de disputar uma competição internacional – a Copa Comenbol de 97. Quatorze anos antes, o Pará já tinha passado por uma situação parecida com a que viveu essa semana, e lembrar talvez tivesse ajudado a manter o foco.

Podemos elencar outros fatores. A pressão menor que faz com que um time de torcida pequena tenha menos dificuldades em se superar. A pressão maior que faz com que um time de torcida grande tenha mais dificuldade em manter a concentração. Interferência exagerada de dirigentes personalistas e vaidosos, causando mal-estar no elenco ou motivando os adversários... As possibilidades são muitas.

Você pode escolher qualquer uma delas como a sua favorita, mas, o ponto principal, é que isso não lhe tire a clareza do raciocínio – os times perderam porque mereceram perder. Em todos os casos, em algum momento, antes ou depois das derrotas, os times já haviam sinalizado fraquezas e demonstrando que poderiam não ir tão longe quanto se torcia. O Paysandu de 2010 acabou a campanha com três jogos sem vitória, porque na última rodada da primeira fase perdeu para o Rio Branco do Acre por 3 a 1 jogando fora de casa. O Remo, eliminado pelo Holanda, em 2008, vinha de um empate por 1 a 1 em casa com o Luverdense, quando a vitória já lhe garantiria a classificação. Não eram de fato equipes imbatíveis.

Futebol é, entre os esportes coletivos, aquele onde um lance isolado ou um talento individual têm maiores chances de desequilibrar um jogo, enquanto no basquete e vôlei a qualidade coletiva tende a se sobressair. Às vezes, a ideia de que o lógico nem sempre se concretiza é um tanto dura.

(Diário do Pará)

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