Nos oito confrontos anteriores entre Clube do Remo e Paysandu na temporada, a média de gols era baixa, com muitas bolas na rede surgindo após jogadas de bola parada. A tendência era de mais um jogo nervoso e que seria resolvido nos detalhes, mas a partida começou a ser decidida num lance estratégico bem ‘feijão com arroz’ do técnico Roberto Fernandes.
Ao fechar seu meio de campo com três volantes, Warian Santos, André e Jhonnathan, e colocar o time para jogar nos contra-ataques puxados por Roni e Leandro Cearense, a equipe azulina fez uma das mais antigas estratégias de jogo cauteloso. A simplificação tática das funções permitiu que os atletas rendessem o seu melhor e, diante de um Paysandu perdido em campo, permitiu que a goleada surgisse naturalmente.
Também ajudou no bom funcionamento do sistema de jogo a atuação brilhante de Leandro Cearense, autor de dois gols e de duas assistências. Jogando no flanco direito bicolor, o atacante encontrou a principal brecha do sistema defensivo adversário e surgia como elemento surpresa nas subidas de contra-ataque azulinos. Ao puxar as jogadas, Leandro abria espaço para a chegada certeira de Jhonnathan e Ratinho, que entrou no segundo tempo e, no susto, Charles que mandou contra o próprio patrimônio.
Do lado bicolor, o sistema implantado pelo técnico Mazola resistiu bem à expulsão de Charles, com a entrada de Leandro Silva, mas a necessidade de diminuir a desvantagem fez o técnico abrir mão dos dois laterais e forçar o volante Ricardo Capanema a se desdobrar da marcação. Embora o placar final sugira facilidade, o meio-campista foi um dos poucos atletas de destaque no Paysandu, participando da maioria dos desarmes do seu time.
(Diário do Pará)
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