Todo clássico que se preze é recheado de feitos históricos. Honrarias daquelas capazes de fazer o rival sofrer por longos anos, até que algo maior seja feito. E nesses 100 anos de clássico, a dupla Re-Pa travou uma verdadeira batalha dentro das quatro linhas para ver quem detinha a hegemonia do futebol paraense. Feitos, glórias e triunfos para todos os gostos, que forma, no linguajar popular, um “caldeirão de encarnações”, só compreendida por quem vive a história.
Em 100 anos de clássico, a primeira grande vitória foi do Clube do Remo, que no dia 5 de março de 1939, aplicou uma goleada de 7 a 2 nos bicolores. O placar, até então inédito, fez a festa da torcida azulinas pelos próximos seis anos, no dia 22 de julho de 1945, foi a vez do Paysandu ir à forra e enfiar a maior de todas as goleadas. O 7 a 0 em pleno Baenão até hoje é lembrados com entusiasmo em qualquer roda de conversa.
Com o passar dos anos, os dois times continuam bastante parelhos, mas nacionalmente, o Paysandu passa a projetar uma carreira mais valiosa, especialmente na década de 2000. Mas apenas 10 anos atrás, o Remo faria outro feito de grandeza: passaria nada menos que cinco anos sem perder para o maior rival. O lendário “Tabu” durou 33 jogos, tempo suficiente para deixar qualquer bicolor de boca
fechada.
Se no estadual a diferença era elástica, haja vista o acúmulo de títulos estaduais naquela década ser predominante ao Remo (90, 91, 93, 94, 95, 96, 97, 99), o Papão dava o bote no nacional da Série B, faturando o título de 91. Neste campo, o máximo conseguido pelos azulinos foi um oitavo lugar na Série A em 93 e uma semifinal na Copa do Brasil.
Mas a década de 2000 serial totalmente bicolor a começar pelo tricampeonato estadual (00, 01 e 02), engordado com o título da Série B de 2001, Copa dos Campeões em 2002 e a história participação na Libertadores daquele ano, que deu ao Papão a hegemonia absoluta da década e um chá de sumiço nos azulinos, em mais um ingrediente na centenária rivalidade.
(Diário do Pará)
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