Quando entrou no gramado da Curuzu para saudar e ser saudada pela torcida bicolor antes dos jogos contra Salgueiro-PE e Cuiabá, Márcia Rodrigues agradeceu ao Paysandu e seus atletas pela sua vida. A torcedora não exagerou nas palavras. Desde 2001, ela luta contra duas doenças de nascença: Síndrome Nefrótica e Duplicidade Uretral.
Em seus momentos mais difíceis na briga pela vida, ela acabou encontrando apoio e ajuda no clube que ela sempre torceu e hoje ama mais do que nunca. “Eu tinha dez anos e estava internada em um hospital. Ficava ao lado da Géssica, que o Vandick apoiou e a torcida bicolor abraçou”, conta Márcia.
Era 2003. O Paysandu estava na inédita disputa da Taça Libertadores da América, mas a menina não tinha como acompanhar os jogos. A partir do contato com a imprensa, os atletas do elenco bicolor visitaram o hospital e conheceram a torcedora mirim. A amizade que surgiu ali mudou os rumos da recuperação de Márcia.
Os bicolores se uniram e ajudaram a bancar os remédios e a fase final da terapia. Quando a torcedora pôde voltar pra casa, foi convidada e subiu ao gramado com o elenco bicolor em um dos jogos da primeira fase da Libertadores. “Não me lembro o jogo, mas a emoção que eu senti nunca vou esquecer”, comenta.
A partida entre Paysandu e Boca Juniors, naquele mesmo ano, é lembrada como o jogo mais marcante pela torcedora. “Mesmo o time não tendo vencido, o que a torcida fez no Mangueirão é algo que eu nunca vou esquecer”.
Mais de dez anos depois, quando Márcia já está com 21 anos e cursa a faculdade de jornalismo, quis o destino que as partes se reaproximassem. Após topar em uma escada, ela sofreu uma lesão no pé, que não sarava mais. “Meu pé estava escurecendo, e os médicos disseram que por pouco não foi necessário amputar”, conta. O tratamento consistia em doses pesadas de antibióticos e outros remédios, que pelo efeito agressivo, acabaram gerando outras doenças.
Márcia teve de parar os estudos e a rotina de medicação envolvia remédios muito caros, que ela já não tinha como custear sozinha. A torcedora resolveu então procurar o clube. “Os jogadores abraçaram a minha causa. Eu estava vendendo rifas para os remédios e o elenco bicolor atual, sozinho, comprou todas. Tive a oportunidade de conversar com o presidente Vandick, que ficou emocionado com a minha história e disse que a partir de então no que eu precisasse eu deveria procurá-lo que ele iria providenciar”, comenta, emocionada.
A torcedora manteve a amizade com os atletas do grupo bicolor, como Vanderson, Robgol e principalmente Lecheva e Iarley, que se tornou um grande amigo e chegou a leva-la para Fortaleza para comemorar o aniversário do seu filho, em 2007. “Fiquei muito feliz quando soube que ele havia retornado ao clube, ano passado. Nunca perdemos o contato e eu sempre torci por ele”, finaliza
Márcia Rodrigues.
(Diário do Pará)
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