É salutar admitir que, num jogo de futebol decisivo, alguns fatores sejam mais importantes que outros, mas não necessariamente fundamentais para obter um resultado, afinal de contas, no mundo da bola, tudo (ou quase tudo) é possível. Essa incerteza sobre o futuro é o maior incentivo aos remistas, nas horas de agonia, entretanto, não basta apenas jogar. É preciso algo mais, um fator surpresa ou uma velha tática.
Nesse quesito, o Brasiliense foi mestre. Formado basicamente por jogadores veteranos, como o experiente meia Zé Roberto, ou o zagueiro Fábio Braz, a equipe candanga deu um nó na onzena remista um segundo após abrir dois gols de vantagem. Para os remistas, esse foi o maior aprendizado. “O Brasiliense tem um time experiente. São atletas rodados e eles não sentem a pressão que vem de fora. Nesse ponto, deixamos a desejar e eles jogaram se valendo disso”, admitiu o meia Marcinho.
Enquanto o Remo avançava, o Brasiliense recuava sem problemas em admitir o momento desfavorável. Talvez seja por isso que, para os remistas, o adversário não seja nenhum pouco absurdo ou distante de suas realidades. “O Brasiliense tem um histórico de montar times com jogadores experientes. Eles contratam muitos atletas que rodam no cenário brasileiro. Mas, para quem viu o jogo, ficou muito claro: eles não dominaram o jogo. Tiveram dois lances e fizeram dois gols. Não deram chocolate, não atropelaram”, rebate Max.
REVERTER É POSSÍVEL
Para o Remo, que agora tem a obrigação de vencer o Brasiliense no próximo sábado, no estádio “Boca do Jacaré”, em Taguatinga, a missão não é nenhuma novidade, afinal de contas, dos quatro jogos disputados longe de Belém, na primeira fase, o Leão Azul não tomou conhecimento dos adversários em duas delas e numa conseguiu o empate.
Talvez por esse motivo o presidente do clube, Zeca Pirão, tenha reunido novamente com seus atletas para uma longa conversa, com o tema central girando sempre em torno de um mesmo desejo: reverter o placar. “O Pirão sabe o grupo que tem. Ele sabe, porque já passou muita coisa com a gente. Nós temos trabalhado diariamente, nos dedicamos e somos homens de caráter. Temos total capacidade de ir lá em Brasília e vencer, e ele sabe disso”, diz o zagueiro Max.
Segundo ele, em domínios brasilienses, é preciso ter, além do futebol, certa dose de ‘malandragem’. “Nós tomamos um gol muito cedo e o Brasiliense começou a ‘catimbar’ o jogo. O goleiro deles caiu o jogo inteiro. Temos que ficar mais espertos quanto a isso e o Roberto vai nos instruir bem”, avalia o atleta.
(Diário do Pará)
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