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ESPORTE PARÁ

Instrutor diz que Fifa criou critérios objetivos

A Fifa enviou ao Brasil o ex-árbitro uruguaio Jorge Larrionda para dar uma palestra a árbitros, jogadores e jornalistas nesta quinta-feira (2) sobre dúvidas relacionadas a arbitragem, principalmente com relação à polêmica sobre mão na bola que tem gerado

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A Fifa enviou ao Brasil o ex-árbitro uruguaio Jorge Larrionda para dar uma palestra a árbitros, jogadores e jornalistas nesta quinta-feira (2) sobre dúvidas relacionadas a arbitragem, principalmente com relação à polêmica sobre mão na bola que tem gerado confusão nos jogos realizados no Brasil.

Larrionda foi o instrutor da Fifa que, no final de agosto e início de setembro, orientou cerca de 70 árbitros e assistentes, em Teresópolis, sobre mudanças nos conceitos do toque da mão na bola, que aumentou a chance de marcar infrações mesmo se o atleta tenha agido de maneira natural, ou seja, não tenha tido intenção.

"A regra não mudou, mas o que não mudou também, na nossa equipe, é que os árbitros sigam tendo problema em identificar jogadas nessas situações. Por isso este tema é crucial para a Fifa. Para dar aos árbitros elementos objetivos para tratar dessa situação", disse Larrionda.

Durante a explicação, Larrionda mostrou vídeos que foram os mesmos usados nas palestras do fim de agosto e início de setembro. Ele reiterou a orientação de que se o jogador aumentar sua massa de corpo ele está assumindo o risco de tocá-la com a mão, mesmo sem intenção. Tem que marcar falta.

Em um dos vídeos usados, do jogo entre Alemanha e Argélia na Copa-2014, um jogador alemão chuta e a bola bate na mão do atleta argelino, que nem está olhando para a jogada. Mas, segundo Larrionda, o argelino se joga na bola para bloqueá-la com todo o corpo, e assume o risco de tocá-la com a mão.

"Ele aumenta o volume do corpo. Ele não sabia onde a bola iria? Mas assumiu esse risco, e os jogadores são inteligentes. Eles sabem que precisam bloquear a bola de qualquer jeito", disse o uruguaio.

O aumento do número de pênaltis marcados com toque de bola na mão (dos 11 até a 24ª rodada, nove foram marcados após o curso dado por Larrionda) gerou polêmica principalmente quando a Fifa, por meio de seu chefe de arbitragem, o suíço Massimo Busacca, disse que não houve orientação à CBF para marcar pênaltis em todas as bolas que baterem na mão.

A CBF retrucou dizendo que houve a orientação de Larrionda. "Foi um mal-entendido, mas tudo será explicado hoje (quinta)", disse Larrionda antes de começar sua palestra.

Larrionda voltou a usar expressão que utilizou em seu curso, revelada pela Folha, que o jogador que abre o braço e corre o risco acaba tendo "mala suerte". Traduzindo, azar.

"É o azar. Não viu a bola não quer dizer que não houve mão deliberada. Abriu o braço, está correndo o risco", disse Larrionda.

Mas não é toda bola na mão que é pênalti. Ele mostrou lance de jogo entre Uruguai e França, na Copa de 2010, na África do Sul. Os franceses cobram escanteio, há um desvio de cabeça e a bola bate no braço de uruguaio, que está muito próximo do adversário. O lance é rápido.

"Nesse caso, muito perto, não se marca a falta. O jogador não assumiu o risco porque nem teve tempo", explicou Larrionda.

Nesse caso entrou também o vídeo de pênalti marcado em jogo Flamengo x Corinthians, de 14 de setembro, quando a bola tocou no braço do corintiano Fágner em lance rápido. Este lance estava em vídeo divulgado pela CBF sobre o novo conceito para marcação de infrações neste lance.

JOGADORES E ÁRBITROS

Estiveram na sede da CBF, no Rio, membros de ao menos oito clubes da Série A, como o capitão corintiano Fábio Santos. Estiveram também árbitros que apitarão jogos da rodada do final de semana da Série A, e ex-árbitros que hoje são comentaristas de TV.

Segundo Fábio Santos, foi a primeira vez que ouviu essas instruções sobre bola na mão.

"Não tínhamos tido orientação anterior de que havia mudado [o conceito]", disse o jogador.

O árbitro mineiro Igor Benevenuto disse que a orientação servirá principalmente para que os jogadores saibam o que possam ou não fazer.

"Havia essa confusão mais com relação aos jogadores. É importante esclarecimentos até para que o jogador saiba o que pode ou não fazer", disse Benevenuto.

Antes de Larrionda falar, o chefe de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, disse que os árbitros são os melhores do mundo, assim como os jogadores e até os jornalistas.

A fala foi emotiva. Corrêa disse que é preciso valorizar o que fazem os brasileiros e citou casos de sua cidade natal, Guaratinguetá, no interior de São Paulo, que fez os presentes rirem.

(Folhapress)

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