Ao redor de uma mesa, seis jogadores em silêncio observam. Cartas sobre a mão, uma pilha de fichas no centro, e um bolo de cartas, das quais algumas viradas com a face pra cima.
Por alguns minutos os jogadores praticamente não se mexem, concentrando as ações justamente em observar e tentar adivinhar, através do olhar e reações alheias, que jogada tomar.
Sem grandes proezas físicas ou riscos envolvidos, comparado com outras atividades mais tradicionais parece difícil imaginar que o pôquer seja considerado um esporte, mas ele o é. Um esporte onde se desenvolve o exercício da mente.
A leitura de mentes é uma dos mais importantes habilidades que o ser humano desenvolve, na opinião do Filósofo e Cientista da Comunicação Steve Johnson, que vê no pôquer, xadrez e outros “esportes da mente” um jogo por excelência para desenvolver essa faculdade.
“Na vida utilizamos o tempo todo de estratégias e boa parte do tempo estamos analisando as estratégias das outras pessoas para bolar a nossa. Na maioria das vezes elas não te dizem o que estão pensando, então é importante aprender a adivinhar quando alguém está nervoso, de fato, ou está tentando te fazer pensar isso. No pôquer esse é o grande exercício”, afirma o teórico, autor de diversos livros sobre os efeitos de jogos na mente humana.
O esporte ganhou suas regras e feição atual nos Estados Unidos entre os séculos XVIII e XX, embora relatos de jogos de cartas sejam quase tão antigos quanto a humanidade.
Proibido durante muito tempo por ser associado a jogos de azar, o pôquer começou a reverter essa fama ruim a partir de 1934, com a liberação da prática nos Estados Unidos. Nos anos 1970, os torneios internacionais de pôquer já causavam comoção internacional.
Nos anos 1990, as premiações eram compatíveis com os esportes de alto rendimento. E, em 2012, veio a consagração com sua inclusão pela Associação Mundial de Jogos da Mente em seu cartel de esportes.
(Diário do Pará)
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