Com boas possibilidades de abocanhar seu sétimo título nacional, tendo o Paysandu na final da Terceira Divisão deste ano, quando o assunto é Campeonato Brasileiro das séries B, C e D, o futebol do Pará reina absoluto entre os Estados das regiões Norte e Nordeste, superando até mesmo centros de maior expressão, entre eles Pernambuco e Bahia. Curiosamente quem mais se aproxima do número de conquistas locais é o vizinho Maranhão, que detém um título em cada uma das três divisões do Brasileiro. Tantas vitórias, só fazem encher de orgulho o torcedor papa chibé e, ao mesmo tempo, destacar o futebol do Estado no cenário nacional.
O histórico de supremacia do futebol paraense no Brasileiro começou a ser escrito há 29 anos, quando a Tuna chegava, pela primeira vez, a galeria dos campeões nacionais. Com campanha brilhante, a Lusa, sob o comando do técnico José Dutra, ao derrotar o Goytacaz-RJ, por 3 a 2, no Mangueirão, sagrava-se campeão da Taça de Prata, título correspondente à Série B de hoje. Era a senha que o futebol papa-chibé precisava para buscar novos títulos, que, a partir daí, começaram a ser festejados por torcedores de Remo, Paysandu, São Raimundo e, novamente, da própria Lusa, que, em 1992, voltou a ser campeão, desta vez da Terceira Divisão.
O Papão, duas vezes campeão da Série B (1991/2001), busca agora o seu terceiro nacional, o primeiro da Série C. Conseguindo tal façanha, o time bicolor ajudará a ampliar o número de troféus nacionais nas galerias dos times locais, que hoje, além dos conseguidos pelo próprio time bicolor, e pela Lusa, tem ainda os da Série C, levantado pelo Remo, em 2005, e da Série D obtido pelo São Raimundo, em 2009, justamente no ano em que a competição era disputada pela primeira vez, envolvendo um total de 39 equipes.
Vale ressaltar, ainda, a boa participação do Izabelense na Terceira Divisão de 1981, quando o Frangão por muito pouco não consegue o título de campeão, chegando até a penúltima fase da competição, na qual foi desbancado pelo Guarani-MG. Já o Remo, por duas vezes, esteve na final da Segundona, perdendo, em 1971, para o Vila Nova-MG, e, em 1984, também para outra equipe mineira, o Uberlândia-MG, decisão esta ocorrida no Mangueirão.
O TÍTULO BICOLOR NA SÉRIE B EM 91
A centenária história do Paysandu é repleta de importantes títulos e muitas glórias, que só fazem encher de orgulho sua Fiel torcida. Um desses feitos ocorreu há 23 anos, quando, de maneira épica, a equipe bicolor, sob o comando do técnico Joel Martins, cravou o nome do clube, de forma definitiva, na história do Brasileiro, conquistando a Segunda Divisão da competição, hoje denominada de Série B. O campeonato contou com a participação de 64 clubes, dos mais diferentes pontos do Brasil, do Acre ao Rio Grande do Sul. O título recolocou o Papão na elite do Nacional, da qual o time estava afastado há cinco anos.
A jornada bicolor, iniciada com a vitória, em casa, diante do Maranhão-MA (4 a 2), contou com 21 jogos até a inesquecível final, em Belém, diante do Guarani-SP, que atraiu 34.192 mil empolgados torcedores ao Mangueirão. O Papão havia perdido o jogo de ida em Campinas, por 1 a 0, gol anotado num chute despretensioso do atacante Claudinho, que pegou o goleiro Luiz Carlos de surpresa. A derrota, não chegou a abater o time e sua torcida, já que ao longo da campanha, o Papão sempre se mostrou absoluto jogando em casa.
Até a chegada a fase final, o time bicolor havia vencido 10 e empatado 2 jogos atuando em seus domínios. Com a derrota no “Brinco de Ouro da Princesa”, a equipe listrada tinha a obrigação de vencer por diferença de dois gols a partida de volta. E isso acabou acontecendo, com Cacaio e Dadinho marcando os gols da vitória bicolor por 2 a 0. O primeiro encerrou sua participação como artilheiro da competição, com 14 gols.
A campanha foi pontuada por momentos inesquecíveis, entre eles a queda do muro de sustentação do alambrado da Curuzu na partida em que o Papão derrotou o ABC por 3 a 1, pelas quartas de final. O time bicolor saiu atrás do marcador e após o gol da virada, marcado por Cacaio, de calcanhar, o muro veio abaixo. Depois de controlada a situação, o Papão ainda fez mais um gol. O time campeão formou com Luiz Carlos; Paulo Cruz, Ari, Léo e Pedrinho; Edgar, Oberdan e Marício (Jorginho Macapá); Cacaio, Dadinho e Jérson.
DEZ ANOS DEPOIS, O PAYSANDU VOLTOU A BRILHAR
Passados dez anos do primeiro título Brasileiro, o Paysandu voltou a colocar a faixa de campeão nacional. Em plena época natalina de 2001, o Papão chegava ao título máximo da Série B daquela temporada, numa campanha pontuada por sorrisos e lágrimas, como exigem as grandes conquistas. Um presente de Papai Noel que chegou para a Fiel faltando apenas três dias para o aparecimento do Bom Velhinho. Desta vez, o palco das comemorações do torcedor não foi o Mangueirão, mas sim o velho estádio da Curuzu, onde o time mandou seus 17 jogos, o último deles com a sensacional goleada por 4 a 0 sobre o Avaí-SC.
Ao longo da campanha, a equipe listrada, comandada pelo técnico Givanildo Oliveira, se deparou com alguns grandes obstáculos, dado o grande nível técnico das equipes participantes, todas sedentas de chegar à Primeira Divisão. Dos 34 jogos feitos pelo time, abstraído o final contra o Avaí, o que mais marcou para a Fiel, sem dúvida, foi a derrota, de virada, para o Caxias-RS, nos Pampas, por 4 a 3. Na volta do time a Belém, os jogadores foram recebidos com uma esfuziante festa feita pelos torcedores no aeroporto de Val-de-Cães.
O carinho demonstrado pela Fiel, em momento tão adverso inflou o time de garra para o jogo contra o adversário catarinense, que acabou por se vergar diante da pressão do torcedor, que lotou à Curuzu, e à superioridade do time da casa. O Papão, com gols de Vandick (2), Zé Augusto e Gino aplicou 4 a 0 sem dó no visitante. Para chegar ao título, o Papão disputou 34 partidas, obtendo 14 vitórias, 16 empates e sofrendo apenas 4 derrotas. Foram 245 gols prós contra 183 sofridos, com saldo de 62 bolas.
Diferente de 1991, a campanha de 2001 foi marcada por uma série de empates conseguidos pelo time bicolor nos jogos fora de Belém. Nas 15 partidas que fez como visitante, a equipe obteve 11 empates, perdendo apenas quatro vezes. O time campeão formou com Marcão, Valentim, Gino, Sérgio e Lino; Sandro (André Duarte), Rogerinho, Luis Carlos Trindade (Lecheva) e Jóbson; Zé Augusto e Vandick.
(Diário do Pará)
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